A FALANGE DE MÁSCARAS DE WALY SALOMÃO

Me segura qu’eu vou dar um troço devia, segundo Waly Salomão, ser lido com olho-míssil e não com olho-fóssil. Seguindo essa indicação, tentei iluminá-lo através dos seus livros posteriores e vice-versa. A consideração sincrônica da obra de Waly pareceu-me revelar, por trás de uma fragmentariedade ostensiva, uma identidade fundamental de preocupações: se bem que, como se verá, uma identidade na antiidentidade. Aos meus olhos, essa descoberta pareceu confirmar o acerto da abordagem inicial.
Me segura qu’eu vou dar um troço (que doravante chamarei Me segura) foi publicado em 1972. Nos anos seguintes, Waly relatou muitas vezes as circunstâncias que ocasionaram a sua escritura. Em 1996, por exemplo.

Esta poesia e mais outra, de Felipe Fortuna

Mas talvez o maior mérito de Esta poesia e mais outra seja o de provocar o leitor a refletir sobre os mais variados e estimulantes temas literários. Leiam-se, por exemplo, suas observações sobre a contradição entre, por um lado, o projeto totalizante e unitário do Livro de Mallarmé e, por outro, a tendência fragmentária de grande parte da poesia moderna.

A poesia não nasce das regras

Penso que quem faz poesia de verdade o faz porque, em algum momento da vida teve experiências estéticas extraordinárias com alguns poemas, de modo que estes lhe revelaram o que a poesia é capaz de ser; ou talvez eu deva dizer: o que o ser é capaz de ser. Quando um leitor se apaixona por um poema, ele se torna seu de um modo muito especial. Um poema guarda algo do nosso próprio ser.