Francesco Careri: Arquitetura e Poiesis

Em princípio, Careri não se considera nem arquiteto, nem artista, nem professor. Careri informa que se apresenta às populações nômades, aos emigrados e aos refugiados que se estabeleceram e ou passaram pela periferia de Roma, onde ele atuou com seu grupo denominado “Stalker” e, com suas sucessivas turmas peripatéticas de alunos, como poeta.

Sobre Estado Crítico de Régis Bonvicino

Haverá nessa destilação poética de projeção distópica, nesse mundo onde “não há futuro mas apenas tempo”, onde crítico é também o estado da poesia, algum respiro de vida que não seja estertor? Tal como o maciço de miosótis que “ainda rompe as grades do parque”, o poema negativo que “denuncia a barbárie” respirará ainda, embora por aparelhos críticos?

O novo livro de Dirce W. do Amarante

Controvérsias à parte, há outro aspecto paradoxal que levanta Dirce na leitura da obra de Monteiro Lobato (1882-1948) que, há décadas, “repousa em paz sob a seguinte inscrição lapidar: ‘Lobato, crianças’”. Será que essa obra ainda é literatura infantil, pergunta Dirce, – será que ainda é lida com prazer por nossas crianças? Ou será que ainda hoje continuamos a ver sua obra com os olhos de seus primeiros leitores, alguns dos quais mais que octogenários?

Poesie disperse e inedite

DISINGANNO

Credeva d’aver colpito
– finalmente – nel segno.
Illusione. L’ambito
bersaglio era di legno.

DESENGANO

Pensava ter atingido
– finalmente – o ponto de mira.
Ilusão. O tão pretendido
alvo era de mentira.

Per Johns e Vicente Ferreira da Silva

Depois do sucesso de Dioniso crucificado (Topbooks, 2006), coletânea de ensaios filosófico-literários que foi premiada e saudada como o apogeu do pensamento crítico de Per Johns (durante anos ele escreveu nos principais jornais do Rio), o autor agora publica Hotéis à beira da noite (Tessitura, 2010) que, juntamente com As aves de Cassandra (prêmio Jabuti, 1991), no dizer dos que acompanham sua obra, marca o auge de sua produção como romancista.

Seis Poemas Russos

I. СЧАСТЬЕ Стал каждый миг густым, как мед, Лучистым, как янтарь. Часам давно потерян счет И изгнан календарь. Как ненавистен мне расчет И чувства про запас! Свой годовой любви доход Я прокучу за час. I. FELICIDADE Denso como o mel, cada momento, Raiando como o âmbar. Há muito perdi […]

Aurora Bernardini explica livro de Ivánov

Viatchesláv Vsiévolodovitch Ivánov, eminente professor universitário da MGU (Moscou) e da UCLA (Los Angeles), crítico, semioticista, antropólogo cultural e linguista de fama mundial, esteve em São Paulo em 1990 (a convite do DLO/IEA e com patrocínio da FAPESP), ocasião em que ministrou uma série de conferências e deslumbrou os ouvintes com sua excepcional cultura.

O acaso na arte – breves notas de Sócrates a nossos dias

De maneira semelhante à dos magnetos que imantam os anéis de ferro que atraem outros anéis de ferro, a Musa inspira os homens, ela mesma; a partir dessas pessoas inspiradas, outra cadeia de pessoas recebe a inspiração. Isso, porque todos os bons poetas, épicos ou líricos, compõem seus belos poemas não pela Arte, mas porque eles são inspirados e possuídos.

O POETA ITALIANO UMBERTO SABA

Na lírica moderna – diz Mario Lavagetto[2] citando o livro homônimo de Hugo Friedrich –, deparamo-nos com uma “linguagem sem objetos comunicáveis” ou que comunica apenas a si própria, assumindo-se como objeto.

Basta de resenha elogiosa

A poesia Luis Dolhnikoff: Venho há algum tempo me referindo a certa pequenez generalizada que tomou conta da poesia brasileira. Você acha que a poesia caminha para a irrelevância, ou, ao contrário, discorda frontalmente desse diagnóstico? Se sim, há algo a ser feito? Aurora F. Bernardini: A poesia não caminha para a irrelevância. Muito pelo […]