Sobre Claudio Cruz

Claudio Cruz é escritor e poeta. Doutor em Teoria Literária pela PUC do Rio Grande do Sul, com pós-doutorado na Universidade de Buenos Aires e professor de Literatura Brasileira na UFSC. É autor de, entre outros, Literatura e cidade moderna (1994), do romance Arrabaleros (2006) e do conjunto A ilha do tesouro e outros poemas (2009).

Livro de Ronald Augusto

Less is more. A célebre frase do arquiteto Mies van der Rohe parece acompanhar desde o princípio, como um baixo contínuo, a já longa produção poética de Ronald Augusto. Make it new, a não menos célebre formulação de Pound, também o acompanha desde sempre. Poeta clara e inequivocamente estabelecido dentro de uma tradição da poesia moderna que prima acima de tudo pela invenção, tendo como princípio um construtivismo rigoroso, e que teve e tem no Concretismo o seu programa estético mais consistente no âmbito da poesia brasileira, Ronald Augusto encontra-se aqui com o mais tradicional de todos os temas presentes na literatura do Ocidente, ou seja, o tema amoroso.
Para mim, que acompanho mais de perto a sua trajetória poética desde a década de 1990, pelo menos, foi com absoluta surpresa que me deparei com À Ipásia que o espera. Diga-se de imediato que o tema amoroso, ainda que sem atingir a centralidade que obteve no período romântico, não foi abandonado pelos poetas modernos.

Cesário Verde e Evaristo Carriego

“Hasta el siglo XIX no era común que un poeta utilizara una ciudad como tema”, afirma Horacio Salas em La poesía de Buenos Aires (SALAS, 1968, p. 11). Pode-se ir mais longe e dizer que a poesia urbana enquanto tal é uma invenção daquele século XIX, uma invenção do que costumamos chamar de capitalismo moderno. Por isso que falar em poesia urbana quase que se confunde com falar em poesia urbana moderna, ou seja, uma espécie particular de poema que procura representar a cidade moderna ou que está em vias de se transformar em moderna. Neste sentido, seria natural que os primeiros poemas urbanos surgissem no país que estivesse à frente na implantação daquele referido capitalismo.

Um Baudelaire para o século XXI

Um dos textos mais interessantes que serão recuperados, por parte de Benjamin, para um enfoque renovado do livro As flores do Mal, será um pequeno ensaio de Baudelaire, de 1846, escrito aos 25 anos, intitulado “Do heroísmo da vida moderna”. O poeta francês dava forma aí ao que entendia por moderno, mais especificamente à beleza particular da vida moderna, que não deveria ser confundida com aquela beleza absoluta e intemporal, consagrada pela arte até então.