Sobre Daniel Aarão Reis Filho

É graduado e mestre em história pela Universite de Paris VII e doutor em história social pela USP. É professor titular de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense. Dedica-se atualmente a duas linhas principais de pesquisa: os intelectuais russos e as modernidades alternativas (séculos XIX e XX), visando as relações entre literatura e história, e a história das esquerdas no Brasil.

SIBILA DEBATE 64: Daniel Aarão Reis

Reis: Penso que a avaliação de J. Gorender é acertada. A conjuntura entre 1961 e 1964 foi, sem dúvida, a mais quente da história republicana brasileira. O programa das reformas de base, caso implementado, viraria o país pelo avesso. A universalização do voto, incluindo os analfabetos, colocaria simplesmente a metade da população adulta, até então excluída, no jogo político. A reforma agrária faria desmoronar o poder do latifúndio no campo, onde ainda habitava quase a metade da população brasileira. A reforma das relações com o capital internacional minaria uma das bases mais importantes de sustentação do poder das classes dominantes. Por outro lado, cabe enfatizar que, pela primeira vez na história republicana, de forma organizada, lideranças populares começavam, de fato, a participar, e intensamente, da vida política.