Sobre Diego A. Manrique

Crítico de rock do jornal El País.

De Franco aos Rolling Stones

A viagem de Brian Jones faz parte do folclore da contracultura internacional .É contada minuciosamente em Rolling Stones: os velhos deuses nunca morrem, de Stephen Davis . Em julho de 1968, o rei destronado dos Stones se instalou em Yahyuca, com sua namorada Suki e um hábil engenheiro do Olimpic Studio, com microfones e um gravador Uher. De cicerone, Bryon Gysim, amigo de Paul Bowles e grande pícaro do underground.

Os discos mais detestados da história do blues

Um processo similar está alterando a avaliação dos discos mais detestados da história do blues: os álbuns psicodélicos de Muddy Waters e Howlin’ Wolf. No caso de Electric mud (1968), dizia-se – e a mesma lenda urbana afetaria A lenda do tempo, de Camarón – que muitos compradores devolveram o disco, alegando que se tratava de uma farsa, que aquele não era Muddy Waters. Na realidade, Electric mud era destinado aos roqueiros e funcionou: foi o primeiro LP de Muddy Waters que entrou nas listas da Billboard.

A “Bossa Nova” soviética

“Os bailes de salão e os ritmos latino-americanos estavam na moda. A nova classe de burocratas comunistas e suas esposas, ansiosos por adquirir a cultura adequada a sua classe, aprenderam o fox trote e o tango. Voroshilov, comissário do Povo para a Defesa, impôs que as aulas de dança de salão fossem obrigatórias para os oficiais do Exército Vermelho. O jazz de big band foi a sensação. A música de Alexander Tsfasman era uma mistura de Glenn Miller e ritmos latinos, e ainda soa agradável aos ouvidos ocidentais”. Rapidamente, encomendei discos de Alexander Tsfasman a amigos que viajavam à Rússia.