Sobre Éder Silveira

É doutor em história pela UFRGS e professor adjunto na UFCSPA.

Vanguardismo ou passadismo?

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Desde o final do século XIX, intelectuais brasileiros mantiveram uma intensa relação com aquilo que acontecia nos grandes centros europeus. Não eram incomuns as viagens de artistas brasileiros para países como França e Itália, em especial aqueles de alguma forma ligados ao mundo das artes visuais. Existiam, ainda que operando de modo pouco burocratizado e racionalizado, bolsas que financiavam a permanência de artistas em formação na Europa, a fim de lhes garantirem aprendizado técnico e contato com as tendências estéticas ora em vigor no Velho Mundo.

Memorialismo como ficção de si e como ficção histórica

A manifestação de uma profunda consciência autobiográfica é marcante entre os escritores ligados ao modernismo brasileiro. Quase todos os nomes mais importantes do movimento, e pensamos em Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Tarsila do Amaral, para citar alguns dos nomes mais lembrados, deixaram diversos rastros para que seus futuros biógrafos, assim como os pesquisadores do movimento, seguissem. Para ficar em dois exemplos, de natureza diferente, mas com resultados ilustrativos: Oswald de Andrade e Mário de Andrade. O primeiro entrou para história da literatura pelos seus excessos e pela habilidade em alimentar alguns mitos em torno de seu nome. Sua vida, recheada de lances romanescos, sempre foi bastante exposta, seja em função de sua personalidade, seja pela pessoalidade que suas entrevistas, artigos jornalísticos e aparições públicas sempre ganharam.

Modernismo, vanguarda e política. Mário de Andrade em seus escritos finais

O ensaísmo produzido por Mário de Andrade nas décadas de 1930 e 1940 ocupa um lugar decisivo em suas formulações sobre o papel do artista na reconstrução da nacionalidade. Nesse período, em especial a partir de 1935, o autor de Macunaíma divide suas atividades entre a protegida esfera da criação literária e aquela da política, onde se expõe a refregas e pressões com as quais não está habituado ao colocar-se à testa de pastas ligadas aos serviços de educação e cultura, primeiro no governo do Estado de São Paulo e, depois, no governo federal.

Lobato e Oswald: o ideal de uma arte brasileira

Equacionar as preferências de Monteiro Lobato e de Oswald de Andrade no que diz respeito às artes visuais pode parecer um exercício estranho, especialmente porque a intenção é mostrar seus pontos de convergência e não de desacerto. O caminho do desencontro talvez fosse o mais lógico, bastando para isso lembrar que no incontornável, ainda que pouco esclarecedor, affair Anita Malfatti temos, ao menos em tese, Lobato e Oswald em polos opostos. No entanto, se atentarmos para outros textos críticos produzidos por ambos no período, veremos que seus critérios e suas escolhas não eram assim tão distantes.