Sobre Querer falar de Luci Collin

Há pouco me perguntaram sobre o livro que marcou a minha vida, com ênfase na escolha em singular: apenas um deles. Certamente nos parece uma resposta impossível, já que entre dezenas de livros lidos e por ler, diversos nos marcam de distintas maneiras, por motivos diferentes, conforme os momentos que vivemos. Não haveria um livro e sim diversos deles, com os quais nos encontramos e desencontramos ao longo da vida.

Qual é o momento do encontro? Quanto tempo há que se esperar por ele? Na opinião de escritores como César Aira e Alan Pauls, por exemplo, os livros de Júlio Cortázar teriam um encanto especial na adolescência e primeira juventude e, depois disso, em um reencontro na maturidade, haveria um descompasso.

A arte quer desdobrar a matéria

Desdobrar a matéria é estendê-la, um ato que é espacial e temporal. A extensão se dá no espaço e na duração e esta é, essencialmente, multiplicidade. Ao ler o Bergsonismo, Gilles Deleuze o constata, mas se pergunta: “qual é a multiplicidade própria ao tempo?”, ao qual responde: uma multiplicidade virtual, ou seja: há um só tempo, porém, uma infinidade de fluxos atuais ou de fluxos que o atualizam. Se a arte é criação de espaço-tempo, podemos nos apropriar dessa lógica para pensar que haveria uma arte e uma infinidade de fluxos artísticos?