A música erudita do Brasil

Neste ano, que é também o do aniversário de cem anos do Pierrot Lunairede Arnold Schöenberg, o compositor santista Gilberto Mendes completa noventa anos de idade. Para comemorar, a Sibila foi até a sua casa em Santos e, muito calorosamente acolhida, bateu um papo agradabilíssimo tanto quanto instigante com ele e o escritor Flávio Viegas Amoreira, seu amigo pessoal e parceiro em alguns trabalhos. A presente entrevista consiste nesta conversa, aqui transcrita na íntegra.  Gilberto nos conta a história de sua trajetória como um compositor que viveu plenamente o século XX em seus muitos momentos decisivos e comenta seus pontos de vista em relação à criação, ao gosto, à técnica e à escuta da música. Além disso, a literatura e a música aparecem como tópicos centrais desta entrevista, bem como do próprio pensamento que norteia a trajetória desse músico. Mendes iniciou seus estudos de música aos dezoito anos, no Conservatório Musical de Santos, com Savino de Benedictis e Antonieta Rudge. Praticamente um compositor autodidata, trabalhou com músicos como Cláudio Santoro e Olivier Toni, e participou do Ferienkurse fuer Neue Musik de Darmstadt, em 1962 e 1968.