Sobre Heriberto Yépez

É escritor, poeta e tradutor mexicano, professor da Escuela de Artes da Universidad Autónoma de Baja California.

A poética das redes sociais

A Poesia tomou sua forma no interior das Tradições. Agora, as Redes têm, praticamente, substituído as Tradições. As Tradições se formaram entre os Vivos e os Mortos. As Redes se formam entre os Vivos. A ausência dos mortos confere às Redes qualidades que não são deste mundo. Escrever nas Redes é diferente de escrever nas Tradições. Essa distinção é crucial.

A vida depois do Buda punk

Se Disney proibiu o selfie-stick é porque interpunha demasiada distância entre o eu e o eu. Para que o sistema se clone, o eu não deve colocar distância alguma entre o Vil Eu e o Vil Eu. Qualquer distância ameaça tornar-se crítica.

Esta época consiste em ocultar as verdades de Buda. Mesmo que o Budismo seja o ponto alto do pensamento terrícola, queremos alegar que esta flecha nunca nos feriu.

A literatura contemporânea é um passeio por parques de diversões. Nas literaturas experimentais, gringos veteranos como Burroughs e Acker já não seriam possíveis hoje em dia. O punk já está proibido. Ser escritor na Era Facebook significa Portar-se Bem: Like! Like! Like!

Quase tudo o que tem a ver com Milênio é detestável: foi desenhado pelas mídias. A tudo o que acontece reagem com uma referência ao mundo do espetáculo. Cada coisa que acontece no mundo lembra-lhes um filme ou um vídeo.

Os encontros literários

Proponho que suspendamos definitivamente os encontros literários. Os encontros literários são nefastos por todos os ângulos que se analise; são eventos que dão lucro, como já se disse, às empresas e aos organizadores e que servem de consolo vazio a poetas e romancistas. É melhor encontrar outras soluções para a poesia e para a literatura.

A FUTURA LIT(ERATURA)

A internet e, sobretudo, a consolidação das formas de sentir o mundo do espetáculo transformaram a literatura. As gerações leitoras que se formaram antes da MTV e dos reality-shows quem sabe  tenham acabado por aceitar que as gerações seguintes já não processariam a literatura mediante os livros habituais (de Baudelaire, de Rimbaud, de Neruda etc.). Para muitos leitores do Milênio, a literatura foi um outro ramo da propaganda publicitária em vídeo, já quase sem emprego.

No Mundo Warhol 2.0, Dostoiévski primeiro foi substituído por Phil Donohue e, logo em seguida, P. D. tornou-se um inconfessável dinossauro e sofreu Desert Storm via Big Brother e, finalmente, Lady Gaga, ainda madame mainstream do Weird-Normal.

Notas sobre arte enquanto porcaria

A arte não irá mudar. A arte não mudará a arte. A arte não mudará o mundo. O mundo precisa destruir a arte. A transformação do mundo implicará a destruição de qualquer forma de arte. A autodestruição da arte não basta.

Neoliberalismo: o grande ISMO das literaturas do século 21

As redes sociais tornam os escritores homogêneos. As redes sociais tornam homogêneos, sem distinção, também o mercado e os governos. Daí advém, entre outros fatores, a crise atual da qualidade literária e a consequente ascensão do intelectual light.

Antes se idealizava o livro. A Internet hoje é idealizada.

Goldsmith y el imperio yanki retro-conceptual

El 13 de marzo, el famoso escritor Kenneth Goldsmith leyó en Brown University un poema titulado “El cuerpo de Michael Brown”, una apropiación del reporte de autopsia del joven afroamericano asesinado por un policía de Ferguson en el 2014; este linchamiento ha provocado grandes protestas contra el persistente racismo en Estados Unidos.

Los dias contados

monjes locos
limosneros poseídos
ciegos embrutecidos, lisiados cínicos,
salen al paso
en la avenida
piden monedas aventando su mal aliento en la cara
de los cuerdos,
deformados por los días tronando
un vaso de plástico en la acera cicatrizada
por los pasos,
acosan escaparates y taxistas,
se mean en postes fálicos
e hidrantes estupefactos,
cruzan la calle desnudos enseñando la quemadura extensa,
tocan a secretarias semana inglesa y horas extras,
molestan a estudiantes a punto de titularse