Sobre Ivan Schmidt

Jornalista e escritor; autor da biografia “Edgar Allan Poe: Nunca estive realmente louco”.

Elias Canetti

Em socorro dos muitos que se esforçaram, mas não conseguiram realizar a contento essa tarefa (a de escrever livros com espírito), Arnold tornou o fardo mais leve ao contemporizar que “são tão raras as grandes épocas criativas na literatura; por isso tanto existe que pouco satisfaz na produção de muitos homens de verdadeiro gênio; porque para a criação de uma obra mestra na literatura, dois poderes devem convergir: o poder do homem e o poder do momento”.

McEwan satiriza a ciência contemporânea

Num ano considerado fraco para o romance, Solar, de Ian McEwan, destaca-se, aliás, traduzido com a competência de sempre por Jorio Dauster. Por pouco, restaria aos leitores tupiniquins escolher entre As aventuras de Augie March (Saul Bellow), Indignação (Philip Roth) e 2666 (Roberto Bolaño), embasbacados diante da enxurrada de tramas piegas como A cabana e demais elucubrações sobre crepúsculos e eclipses que pontificaram – irremovíveis – na lista dos mais vendidos.

Homenagem a Wilson Bueno

Wilson Bueno (1948-2010) sentiu, na carne, a violência que sempre abominou. Leo Gilson Ribeiro observava, a respeito de Mar paraguayo (1992), quando de seu lançamento: “O eixo Rio-São Paulo foi outro muro a desmoronar junto com o de Berlim. Ou mesmo antes dele, Curitiba já lançava um míssil literário expresso na criação revolucionária de Paulo Leminski”.

Strindberg: Gente de Hemsö

Gente de Hemsö é um caleidoscópio das impressões recolhidas por August Strindberg do convívio com os habitantes de sua terra natal, daqueles seres forjados pelo trabalho duro do campo e das incertas lides marítimas em busca dos arenques, percas e solhas. Nas ocasiões da colheita os homens prestantes se uniam para ajudar a vizinhança e se fartavam com a boa mesa e a cerveja.

Máfia e Irã perseguem Saviano e Rushdie

A repercussão do livro de estreia de Roberto Saviano foi imediata. Os círculos da intelectualidade e da literatura ficaram estarrecidos com as ameaças à vida do escritor, que se obrigou a ficar escondido por vários meses, até voltar a participar de eventos em defesa da liberdade de expressão e fazer palestras sobre Gomorra.

Saul Bellow: doce visão da América

Um grupo de escritores judeus americanos inspirados por Isaac Bashevis Singer surgiu efetivamente na década de 1950, percebendo-se que o enfoque de suas narrativas estava centrado na desagregação individual ante “uma história moderna intolerável”, como concluiu Bradbury. No grupo estavam Saul Bellow, Norman Mailer, Bernard Malamud e Philip Roth.

Hollywood por Blaise Cendrars

Muitos livros foram escritos sobre Hollywood, cada um explorando uma ou mais facetas daquela terra da magia, cada qual com seu corte específico sobre a indiscutível importância econômica e artística de uma cidade que desde os primórdios – quando ainda era um projeto de loteamento em Los Angeles – começava a atrair uma legião de pessoas que, por uma força insondável, se deixavam enredar pelo desejo de conviver com a ilusão e a fama.

Milton Hatoum: entre a maestria e o contorno pueril

Não há nenhuma norma inflexível a ser seguida compulsoriamente, uma cláusula pétrea segundo os juristas, mas o fato é que, na literatura brasileira, todo bom romancista está destinado a ser – em igual ou maior medida – um ás da narrativa breve. Exemplos não nos faltam: Machado de Assis, Mário de Andrade, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, apenas para lembrar alguns.