Lucrécio e Christian Prigent – a partilha do tempo

O poeta contemporâneo Christian Prigent, em uma aproximação com a psicanálise, revisita o conceito lacaniano do real. Jacques Lacan, no seminário R.S.I, diz que só podemos conceber o real como “o expulso do sentido”, ou seja, “aquilo que é radicalmente perdido, excluído do simbólico”.  Real enquanto aversão do sentido e não pertencente ao mundo exterior, podemos ainda dizer. Prigent acrescenta que o real começa lá onde cessa o sentido comumente socializado. O real, então, não é o mundo e não há a menor esperança de alcançar o real pela representação, pois ele escreve o que é estritamente impensável.

A autoficção em um beco sem saída

O ensaísta e escritor francês Roger Laporte pensa a biografia no sentido inverso do seu uso habitual. “‘Bio’ da ‘grafia’, via intrínseca da escrita”, nos esclarece Frédéric Yves Jeannet em prefácio a Quinze variations sur um thème biographique, obra de Laporte. Explicando a questão da biografia, Laporte cita Artaud, que escreve: “Eu não concebo uma obra como destacada da vida”.

É preciso organizar o pessimismo: arte e internet

A internet pensada como portando também a possibilidade de uma “experiência em ato” traduz ética e responsabilidade. Qualquer “prática” – seja o cut-up, o vídeo, o áudio, ou as técnicas utilizadas na composição de textos ou fotos, ou os blogs literários e os “sites” de poesia e cultura etc. – deve ser articulada, no meu modo de ver as coisas, às relações de conexões ao mundo.

Sebastião Uchoa Leite: a regra secreta

Segundo o poeta francês Christian Prigent, a poesia registra alguma coisa da experiência do corpo que a escreve. Nessa concepção poética, o corpo é o nome da silhueta que o fato de escrever desenha da insistência do real, resistindo à constituição das representações sensatas.