Cem anos de Pierrô Lunar, de Arnold Schoenberg

Passados cem anos da estreia do Pierrô Lunar Op. 21, de Arnold Schoenberg, ainda nos parece evidente a possibilidade de se afirmar que esta obra é um ápice na história da música. Devido à sua força interna, é, até hoje, uma obra extremamente atual e, de certa forma, ainda incompreendida. É um ponto culminante da história da música, pois trata de consolidar o longo caminho de liberação da dissonância, que data desde os primórdios da polifonia renascentista e se estende até a primeira metade do século XX. A obra permanece atual, pois seu antinaturalismo, sua expressão obscura e seu alto teor de inovação continuam a estimular fortuna crítica com forte conteúdo de verdade, fator imprescindível em nossa sociedade marcada pelas exigências de clareza, realismo e ainda apegada aos padrões de escuta do sistema tonal. Desta forma, Schoenberg permanece vivo.