Sobre Ko Ko Thett

Poeta, tradutor, editor e exilado político até 2011, nasceu em Rangum em 1972. Em 1995, enquanto estudava engenharia no Instituto de Tecnologia de sua cidade natal (YIT), lançou clandestinamente seu primeiro livro de poemas Old Gold. Com o lançamento de Funeral do ouro resistente, seu segundo livreto, ele foi detido, em uma base militar por 135 dias, por seu engajamento na insurreição política de dezembro de 1996. Após a sua libertação, em abril de 1997, Ko Ko Thett deixou tanto o YIT como a própria Birmânia, mudando-se para Singapura e, em seguida, para Bangkok, onde passou três anos trabalhando para o Serviço Jesuítico aos Refugiados Ásia-Pacífico. Em 2000, Thett foi para a Finlândia, onde fez estudos de paz e conflito na Universidade de Helsinki, antes de se mudar para Viena, onde estudou no Instituto para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Viena. Atualmente, vive na Bélgica e é o editor do website birmano “Poesia Internacional” e co-editor e tradutor de Bones Will Crow: 15 Contemporary Burmese Poets, an anthology of Burmese poetry, que, em 2012, recebeu o prêmio English PEN Writers in Translation Programme (Inglaterra) e foi considerado pelo jornal inglês The Guardian “um dos dez melhores livros que captam um dos países mais tumultuados da história”. Saiu, este ano, The Burden of Being Burmese, seu novo livro de poemas.

Um retrato da miséria em Myanmar

Jet Ni continua ainda na indústria de turismo. Continua inclinando-se respeitosamente aos turistas junto à porta do Mingalar Hotel que, se você lembrar, se encontra no remendo de terra que pertencia, outrora, ao pai camponês de Jet Ni. Agora, em nome do espírito de reconciliação, Jet Ni não irá lamentar que seu pai tenha comido fertilizante e tenha morrido, depois de longa agonia, após haver perdido nossa terra em prol do turismo, três anos atrás.
Mesmo assim, Jet Ni seria negligente se não lhe contasse o que aconteceu com seu tio Myint Aung, do grupo de vilas de Kunlon, perto de Taung Gyi, a capital do Estado de Shan, no Myanmar oriental.
Myint Aung encharcou-se de gasolina e ateou fogo a si próprio em protesto contra o roubo de mais de 5 mil acres da terra de sua fazenda, na sua região, por parte do Comando Oriental das Forças Armadas de Myanmar.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Ko Ko Thett

A poesia feita hoje no Brasil sobrevive em circuitos meio provisórios e precários. Muitas vezes, em razão disso, ela se torna divulgadora do estrangeiro e do internacional, sem mediação crítica ou histórica, sem projeto. A série “Lugares contemporâneos da poesia”, da Sibila, visa, em parte, a fazer alguma mediação, com caráter investigativo, acerca desse fenômeno de deslocamento das literaturas nacionais. Poetas e seus poucos leitores formam, estranhamente, “uma comunidade de pessoas que nada têm em comum”.Tratando-se mais, como caracteriza Mario Perniola, “de um aglomerado de mal-entendidos, um concerto de equívocos, uma convergência efêmera de interesses”. A Sibila tenta ter alguma clareza sobre o tema, indagando os autores e buscando seus contextos. Vamos agora ao poeta burmense KO KO THETT.

Funeral of the Rugged Gold

Memory is not a dependable thing. Milan Kundera might as well tell you that the memory of an exile about home can be even more unfaithful. It is usually muddied with conflictual fragments, what used to be there against what ought to be there. Don Quixote complex to sociologists, the tension between experience and expectation. For him the return to Myanmar in early August 2012 for the first time in almost sixteen years was rather like sleepwalking into the documentary They Call it Myanmar.