Sobre Luciano Figueiredo

Luciano Figueiredo. Fortaleza, Brasil, 1948. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil Iniciou-se na pintura nos anos 1960 com Adam Firnekaes, pintor e musico da escola Bauhaus, Alemanha. Transitando por Salvador e Rio de Janeiro no período de sua formação participa com frequência de exposições coletivas e movimentos culturais. Afirmou-se como expoente no movimento da chamada contracultura no Brasil na década de 1970, através de realizações de cenografias para espetáculos de música, projetos gráficos, cinema e principalmente a sua participação na histórica revista “Navilouca”, editada por Torquato Neto e Waly Salomão, para a qual fez o projeto gráfico. Neste período sua produção é muito marcada pelas colaborações de caráter experimental e interdisciplinar. Residiu em Londres entre 1972 e 1978, realizando estudos de História da Arte e de Literatura Inglesa. Neste mesmo período, iniciou sua pesquisa utilizando-se de páginas impressas de jornal, seguindo o fluxo das experimentações com seus poemas visuais realizados com recortes de palavras, manchas de cor, majoritariamente utilizando os tablóides ingleses. Esta pesquisa o levou, a partir de 1975, à construções de objetos tridimensionais com colagens, malhas de arames, e relevos monocromáticos, representadas nas exposições que realizou em galerias de arte no Rio de Janeiro e São Paulo a partir de 1984.

Utopia e variados suportes

A exposição foi concebida por Alberto Saraiva a partir dos poemas de Régis Bonvicino e principalmente do poema – então inédito – “A nova utopia”. A exposição utiliza vários suportes: primeiro uma projeção noturna e ao ar livre na fachada do prédio do poema intitulado “Frontispício”, depois, e já dentro do espaço da instituição, e ao longo da vitrine de 12 metros, expõe um poema que reflete sobre o Facebook (“Tempus fugit”) e, na galeria de arte, uma outra instalação com 12 monitores, que projetam na sala escura, vídeos gravados onde jovens falam trechos escolhidos de “A nova utopia”.  No centro desta sala foi colocado o poema-objeto, o trabalho que fiz em parceria com o Régis, com uma frase extraída do texto e inscrita uma folha de papel Arches dobrada e em vários sentidos, direções, e pintada de diferentes amarelos para cada dobra, de maneira que a estrutura favorece uma dinâmica planar para a leitura. Uma leitura tridimensional. Assim, posso afirmar que, a realização da exposição tem em sua variedade de suportes um forte aspecto experimental, a mostrar que, com isso, a poesia e as outras artes ganham ao se inter-relacionar. Estabelece-se um embate de linguagens que é próprio da arte, ou seja, não concluir, deixar em aberto fricções e possibilidades.

Relevos: Olhar-Gesto-Objeto

Mais uma vez, esses Relevos recentes de Luciano Figueiredo atestam uma das mais contínuas adesões ao construtivismo, seja na história ou na atualidade artística. Obra de uma coerente inventividade, profundamente convencida da relevância presente e ainda inesgotada da
aventura abstrato-geométrica brasileira, Luciano coloca em ação aquela atitude experimental que nos deu tantas obras decisivas e fundamentais, identificadas logo à primeira vista. Diante deles – Relevos – ocorre, de imediato, a indagação: relevo, pintura ou objeto?

Figueiredo revê Oiticica, Torquato e a Tropicália

Entrevista de Luciano Figueiredo a Regis Bonvicino, novembro de 2010 Luciano Figueiredo nasceu em Fortaleza em 1948. É artista plástico, designer e curador. Iniciou sua carreira como pintor em 1965 e, desde então, realiza regularmente exposições individuais e coletivas em galerias de arte e instituições em cidades como Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Londres, […]