Sobre Marcelo Ridenti

É professor titular do Departamento de Sociologia da UNICAMP. Foi professor na Universidade Estadual de Londrina (1983-1990), na Universidade Estadual Paulista, Araraquara (1990-1998). Graduou-se em Ciências Sociais (1982) e em Direito (1983) na Universidade de São Paulo, onde concluiu o doutorado em Sociologia (1989). Defendeu tese de livre docência em Sociologia na Unicamp (1999). Autor dos livros Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV (Record, 2000), O fantasma da revolução brasileira (Editora Unesp, 1993), Classes sociais e representação (Cortez, 1994), Professores e ativistas da esfera pública (Cortez, 1995), Política pra quê? Atuação partidária no Brasil contemporâneo (Atual, 1992). Organizador de História do Marxismo no Brasil, vol. 5 – Partidos e organizações dos anos 20 aos anos 60 (Editora Unicamp, 2002, em parceria com Daniel Aarão Reis); Intelectuais: sociedade e política – Brasil-França (Cortez, 2003, em parceria com Elide Rugai Bastos e Denis Rolland; obra publicada também na França, ed. L’Harmattan, 2003); O golpe e a ditadura militar, 40 anos depois, 1964-2004 (ed. Edusc, 2004, em pareceria com Daniel Aarão Reis e Rodrigo Patto Sá Motta). Desenvolve pesquisas sobre intelectuais e artistas, bem como sobre partidos e movimentos de esquerda.

SIBILA DEBATE 64: Marcelo Ridenti

Ridenti: Golpistas como o ex-coronel Jarbas Passarinho elogiaram o livro Combate nas trevas, de Gorender, por concordar com a ideia do contragolpe preventivo. Só que eles detectavam um perigo comunista que de fato não havia; o que estava em jogo – creio que essa era a ideia de Gorender – seria a possibilidade de uma revolução nacional e democrática que alargaria os direitos dos trabalhadores do campo e da cidade, politizando-os e diminuindo as desigualdades sociais, algo que os conservadores consideravam comunismo. No contexto da Guerra Fria – e numa formação social como a brasileira, excludente e autoritária, com os privilegiados tradicionalmente temerosos dos movimentos populares – as ditas reformas de base pareciam ameaçadoras. Pensando do ponto de vista das classes dominantes, o golpe foi acertado; por que deveriam arriscar perder alguns de seus privilégios se podiam sufocar o movimento que viam como ameaçador? O chamado “pacto populista” – que unia o Estado desenvolvimentista, trabalhadores urbanos e setores do empresariado – ruiu com a crescente politização no começo dos anos 1960, inclusive dos trabalhadores rurais, que constituíam ainda a maioria da sociedade e estavam fora do pacto, a exigir direitos que as elites não estavam dispostas a conceder. Foi criada uma situação que não interessava aos que queriam paz para conduzir seus negócios, o que não quer dizer que o processo levaria ao comunismo.