Sobre Marcia Schmaltz

Nasceu em Porto Alegre, em 1973, mas mudou-se ainda criança para Taiwan, onde morou por seis anos. É professora e tradutora-intérprete de chinês. Formou-se em Letras e fez mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 2005 e 2006, realizou uma especialização em tradução na Universidade de Língua e Cultura de Beijing (BLCU). Em 2000 ganhou o prêmio Xerox/Livro Aberto pela tradução de Histórias da Mitologia Chinesa e, em 2001, o Prêmio Açorianos de Literatura, categoria tradução. É atualmente professora da Universidade de Macau.

China: a festa lunar

Conta o folclore chinês que ainda existe outra divindade relacionada à lua, o Velho da Lua, Yuelao 月老, guardião do Livro das Bodas, em que está traçado o destino de toda a gente; o Velho carrega um saco repleto de cordões vermelhos, utilizados para amarrar os tornozelos dos casais. Acredita-se que, enquanto os cordões estiverem atados, o casamento é predestinado e indissolúvel.

Reza outra lenda que no reino de Qi, período dos Reinos Combatentes (475-221 a.C.), existiu uma rapariga muito feia chamada Wu Yan que, desde pequena, era muito devota à Lua. Quando cresceu, foi admitida como concubina ao palácio imperial, mas nunca foi escolhida pelo rei. Na noite do décimo quinto dia do oitavo mês lunar, quando apreciava a Lua, foi vista pelo príncipe que logo se encantou e mais tarde casaram, e ela tornou-se rainha. Desde então, muitas moças fazem oferendas à deusa da Lua, pedindo beleza e brancura.

Lendas, mitos e histórias sobre a serpente

Desde os tempos mais remotos, a serpente está presente de forma marcante em mitos, lendas e fábulas chinesas. Provavelmente, por fazer parte do ecossistema da Ásia, os materiais arqueológicos encontrados indicam a cobra como um dos principais totens das tribos primitivas. Em Shan’haijingO Livro da Natureza, há vários registos de seres fantásticos, espécies mistas de serpente, dragão e humano. A tribo Xuanyuan [轩辕] do Imperador Amarelo [黄帝 Huángdì], o mítico ancestral chinês, possuía o totem de uma serpente com cabeça humana. Ainda hoje, a cobra é reverenciada por etnias minoritárias no sul e sudeste da China, que realizam procissões em sua homenagem, no décimo quinto dia do primeiro mês lunar.