Sobre Mario Perniola

Nasceu em Asti, província italiana pertencente à região de Piemonte, em 1941. Formou-se em Filosofia na Universidade de Turim sob a orientação de Luigi Pareyson. Esteve ligado entre os anos de 1966 e 1969 ao grupo da Internacional Situacionista (I. S.), no qual pôde ter uma estreita relação de amizade e de debate teórico com Guy Debord. O filósofo possui vasta produção na área de Estética, Teoria da Arte e Arte Contemporânea. Dirigiu as revistas Agaragar (1971-3), Clinamen (1988-92), Estetica News (1988-95) e Ágalma - Rivista di Studi Culturali e di Estetica (desde 2000). A sua obra está traduzida em várias línguas, como inglês, alemão, francês, espanhol, dinamarquês, chinês, japonês e português.

Curatorial Practises

Na prática da curadoria estamos assistindo a uma mudança radical da própria noção de “arte”, a uma mudança da categoria cognitiva daquilo que, até agora, tem sido chamado “arte”. Esse fenômeno não diz respeito apenas à Itália. Está ocorrendo uma profunda desestabilização daquele “mundo da arte” (Artworld) que se havia constituído no começo da década de 1960, com a Pop Art e com todas as modas artísticas sucessivas, de acordo com o qual é “arte” tudo o que é reconhecido como tal pelos mediadores institucionais (museus, galerias, críticos, exposições, historiadores…). Hoje há duas estratégias curadoriais opostas que se confrontam. A primeira tende a atribuir a qualificação de “artistas” a todos os que assim se autodefinem: por exemplo, em Saatchi, em 2006, abriu-se uma sessão open-access onde, via internet, qualquer artista podia criar uma sua página pessoal que continha seu currículo e um número limitado de obras, sem ser submetido a nenhum juízo ou avaliação. Essa empresa, conhecida como Your Gallery, envolveu mais de 60 mil artistas e constituiu um evento midiático de grande relevo.

A crise da poesia nos dias de hoje

Perniola desenha uma teoria da organização social. Efetivamente, ele releva a possibilidade de serem estabelecidas novas relações entre a cultura e a sociedade no Ocidente. Uma vez que as antigas relações entre metafísica e Igreja, dialética e Estado,  e ciência e mundo profissional foram desconstruídas, a filosofia e a cultura abrem o caminho para uma superação do niilismo e do populismo que caracterizam a sociedade de nosso tempo”.

Managers culturais e bosses políticos

Management cultural e bossismo político não podem, de fato, percorrer o espaço pós-científico e pós-ideológico que o fim da modernidade abre. Eles vivem na gestão do patrimônio cultural da modernidade, desmembrado e enervado, porque separado da relação com a sociedade. Management cultural e bossismo político fazem crônica da crise sociocultural. Diante do rigor da ciência, diante da coerência da ideologia, o niilismo managerial-bossístico faz um uso completamente arbitrário e oportunista da contradição.