Aonde ir e o que fazer?

Tendo em vista que entre a sociedade e o povo há um abismo, não se pode ir ao povo senão renunciando completamente, e de uma vez por todas, à sociedade, a todos os laços, a todas as afinidades morais, a todos os sentimentos, a todas as ideias ou hábitos e a todas as vantagens materiais dessa sociedade; renunciando a todas as formas sociais da vida civilizada, por mais doces, cativantes, sedutoras, embora estejam impregnadas de mentira e ocultem na maioria das vezes um egoísmo cínico e a negação mais grosseira de tudo o que pode ser qualificado de humano, nobre e magnífico. Mas os indivíduos nascidos nessa sociedade privilegiada, tendo recebido sua educação ou vivido alguns anos em seu contato, impregnam-se a tal ponto do refinamento deletério das relações e da vida mundanas, familiarizam-se tão intimamente com elas […]