Sobre Miriam Adelman

Profª Drª da Universidade Federal do Paraná, Programa Pós-Graduação em Sociologia. Visite Juntando Palavras e Núcleo de Estudos de Gênero.

Miriam Adelman: Dois poemas meus

Não tinham como se entender.
O encontro veio por acaso,
Cada um chegando do seu ponto cardinal
ao centro da praça, onde os turistas desciam
dos charretes para fotografar serpentes mansas,
cegos e domadores de camelo,
numa febre só.
Por filosofia entendiam palavras diferentes,
e à cada coisa a imagem que havia por trás
ou por dentro
se pintava em tons distintos,
como “quarto”, “cortina” ou “venha comigo”.
Foi apenas um momento que suspendeu os rumos:
Cruzar juntos uma antiga ponte de pedra e
ouvir o mesmo som do rio balançando embaixo,

Roupa íntima

A roupa íntima controla tudo no final
As vestimentas de base, por exemplo
São na verdade formas fascistas
do governo clandestino
para fazer acreditar em qualquer coisa
que não seja a verdade
te dizendo o que pode o que não pode
Já tentou se livrar do espartilho?
Talvez a ação não violenta seja
a única solução
Por acaso Gandhi usava espartilho?

Vida e poesia em Diane Wakoski

Nascida na Califórnia, em 1937. Seu pai, de origem étnica polonesa, era da Marinha e deixou a família definitivamente quando ela ainda era pequena. Sua ausência na vida da filha se torna um dos significados recorrentes da sua poesia (a procura do pai, o mito do pai, os privilégios do pai, o poder destrutivo do pai, o amor sempre negado dos homens/pais, os pais míticos…).