Murilo Mendes por Ungaretti

Edifício onde Murilo Mendes residiu em Roma, foto de Régis Bonvicino, 2014.
Quem sou eu senão um grande sonho obscuro em face do Sonho
Senão uma grande angústia obscura em face da Angústia
Quem sou eu senão a imponderável árvore dentro da noite imóvel
E cujas presas remontam ao mais triste fundo da terra?…

O poeta Murilo Mendes finalmente em catálogo

A Cosac Naify começou a reeditar, depois de anos fora de circulação, a obra completa ­– poesia e prosa – de Murilo Mendes (1901-1975). A coordenação do projeto está a cargo de dois especialistas em sua obra: Júlio Castañon Guimarães e Murilo Marcondes de Moura. Os títulos lançados agora em setembro de 2014 são: Poemas (1930), primeiro livro de Murilo; A idade do serrote (1968), memórias da infância e da adolescência, e Convergência (1970), último livro de poemas publicado em vida por ele. Foi lançada também uma Antologia poética, poemas selecionados por Castañon e Marcondes de Moura – inédita.

Menino Experimental

O menino experimental come as nádegas da avó e atira os ossos ao cachorro.

O menino experimental futuro inquisidor devora o livro e soletra o serrote.

O menino experimental não anda nas nuvens. Sabe escolher seus objetos. Adora a corda, o revólver, a tesoura, o martelo, o serrote, a torquês. Dança com eles. Conversa-os.