Douglas Diegues encontra Héctor Libertella

O que chamamos de literatura é só uma projeção no céu da cultura de pequenos fragmentos, de momentos, de encenações onde se é às vezes personagem, às vezes autor, às vezes leitor. O que chamamos língua é só um roçar de línguas, um devir louco, um código Morse feito de linhas e pontos, de semelhanças e diferenças e que no entanto se tenta conter em limites geográficos, étnicos, econômicos.

Qorpo Santo

Em meu livro Rima e soluçãoa poesia nonsense de Lewis Carroll e Edward Lear, (1996) defendi, em consonância com Klaus Reichert a tese de que o nonsense, como o conhecemos nos dois autores ingleses, era um fenômeno estreitamente ligado ao contexto e Zeitgeist da segunda metade do século XIX e que seu surgimento na Inglaterra se devia à maior explicitação desse momento singular da história do ocidente na sede do império vitoriano.