O SONHO DA RAZÃO, DE NELSON ASCHER

A centralidade que este recurso assume já em ponta da língua, nada menos do que onze vezes em trinta e quatro poemas (e diga-se de passagem que, em português, não há outro poeta em que este tipo de rima surja com tal frequência), é reveladora dum desejo de problematizar, por meio do uso heterodoxo de dois de seus elementos mais tradicionais, a nossa compreensão do fenômeno poético: não se trata de um “mero exercício métrico”, como dogmaticamente afirmava Moisés.