Pound: paraíso destruído

Seria possível ser um grande poeta e, ao mesmo tempo, um fascista assumido e um antissemita fervoroso? Não, não é verdade? Mas, por um lado, sim. Eis o problema. “Se Ezra Pound não tivesse existido”, escreve Humphrey Carpenter em sua monumental biografia, a mais detalhada e objetiva até agora, “teria sido muito difícil inventá-lo.” Poucos escritores têm uma vida tão extravagante, diversificada, impetuosa. Seria ele um visionário geral? Um traidor da pátria? Um louco? Um iluminado? Um fanático? Sim, mas também, e talvez principalmente, um artesão preciso, um explorador generoso, um autodidata erudito e sempre original, um revolucionário da percepção e da linguagem, um criador e apresentador de uma parte fundamental da literatura e da arte desses tempos caóticos. Poderíamos preferir um medíocre funcionário das letras que pensa bem a um grande artista que pensa mal? Isso se vê todos os dias e mesmo assim a Terra continua girando. Então seria algo para além do bem e do mal? Não, a discussão continua possível.