Sobre Ricardo Daunt

Poeta, ficcionista, ensaísta.

Mário de Sá-Carneiro

Após experimentar o percurso mais promissor para o suicídio algumas vezes, ele finalmente se decide por uma das alternativas concretizáveis e consegue ter êxito: no dia 26 de abril de 1916, às 8h20, o dramaturgo, contista, novelista e poeta Mário de Sá-Carneiro envenena-se, ingerindo 5 frascos de arseniato de estricnina. No Hotel de Nice, em Montmartre, bairro boêmio de Paris, o amigo José Araújo, o último a visitá-lo, o encontrou já nos derradeiros estertores, quando o poeta, impecavelmente vestido de smoking, como se fosse a uma festa de gala, se contorcia dolorosamente. Sá-Carneiro deixara uma mala, com sua produção literária édita e inédita, mas seu paradeiro é desconhecido até hoje. Sobre o fogão do modesto aposento, algumas cartas, uma delas endereçada a seu maior amigo, Fernando Pessoa; uma declaração pouco legível de que se envenenara voluntariamente — e algumas poucas moedas, único dinheiro que possuía, e que foi encontrado por um policial no bolso de seu colete.

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E FERNANDO PESSOA

PROCISSÃO DE CORPUS CHRISTI, EM AMARANTE, 1913, ÓLEO  SOBRE MADEIRA, 30×50 cm  de Souza-Cardoso Os estudiosos das coisas do Orpheu têm amiúde traçado um paralelismo entre o interseccionismo e o simultaneísmo órfico. Em trabalho ainda inédito, abraçamos essa tese, definindo o último como um programa estético originado no âmbito das artes plásticas, que nega a […]

A PASSAGEM DE RONALD DE CARVALHO POR PORTUGAL

Antes de examinar a contribuição de Ronald de Carvalho para o projeto do Orpheu, que é efetivamente o que parece mais importante, quando se fala de Portugal, conviria repassar muito rapidamente alguns aspectos de sua biografia naquilo que ela tem de européia. No ano de 1913 o poeta fixa residência em Paris e estuda Filosofia […]