Sobre Rodrigo Patto

É graduado em história pela UFMG, mestre em história pela mesma instituição e doutor em história econômica pela USP, com pós-doutorado pela Universidade de Maryland, onde foi professor visitante, assim como na Universidad de Santiago de Chile. Atualmente é professor associado da UFMG e pesquisador do CNPq. Seus trabalhos recentes se concentram em questões ligadas ao golpe de 1964 e ao regime militar, incluindo repressão política (DOPS, ASI), anticomunismo e atuação da esquerda. Publicou, entre outros, Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil(São Paulo, Perspectiva, 2002), Jango e o golpe de 1964 na caricatura(Rio de Janeiro, Zahar, 2006) e As universidades e o regime militar(Rio de Janeiro, Zahar, 2014).

SIBILA DEBATE 64: Rodrigo Patto

A sensação entre as direitas era que seus adversários ganharam muito terreno com Goulart, e que poderiam convencê-lo a criar um regime forte para implantar mudanças sociais mais rapidamente. Sabia-se que o comunismo propriamente dito tinha escasso apoio popular, mas temia-se o que embaixador Lincoln Gordon chamou de “subversão por cima”, ou seja, a influência da esquerda exercida desde o Estado. Embora o exagero na avaliação do perigo “comunista” possa ter sido proposital no caso de alguns agentes, para criar clima favorável ao golpe, ainda assim penso que a motivação maior era de natureza política (afastar um governo comprometido com as esquerdas, expurgar o “perigo”), o que se comprova pelas ações posteriores da ditadura.