O submundo do livro no Brasil

A edição mais recente de “Já podeis da pátria filhos”, o ótimo livro de contos de João Ubaldo Ribeiro, do ponto de vista das editoras, tem curiosa trajetória. O livro, relançado pela Objetiva, saiu pelo selo Alfaguara, editora espanhola adquirida pela Santillana, esta do grupo espanhol Prisa, de comunicações, dono do jornal El País. Em 2005, a Santillana comprou 75% da brasileira Objetiva, editando o livro de João Ubaldo em 2009. Mas a coisa não acaba por aí, na verdade, mal começa.

Uma gigante, dona de várias grandes editoras, engole a outra. A alemã Bertelsmann, que havia incorporado a norte-americana Random House em 1998, comprou a Penguim, do grupo inglês Pearson, em 2012, gerando o maior conglomerado editorial do planeta, a Penguim Random House. Daí para a frente, a Penguim Random House, enquanto ramo editorial da Bertelsmann (53% das ações) e parte da inglesa Pearson (47% das ações), comprou a italiana Mondadori (dona da mexicana Grijalbo) , a argentina Sudamericana, a espanhola Santillana

Acerca do Tigre, de Blake

Augusto de Campos, ao traduzir Lamb por “ovelha”, acaba não somente com a conexão bíblica como com a grande indagação do poema, baseada nas leituras que William Blake (1757-1827) fez do sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772) durante aquele período de superexploração dos assalariados na Inglaterra – se Deus criou o mundo e o bem (The Lamb), criou também as guerras, a miséria e o mal (The Tyger)? Acaba com a pergunta que coloca Blake em cena, seguramente algo bastante inovador para a época.