Sobre Victor da Rosa

Crítico literário e doutorando em Literatura pela UFSC e organizador, com Ronald Polito, da antologia 99 poemas de Joan Brossa (São Paulo: Demônio Negro, 2009).

Sobre Ouro Preto de Mário Alex Rosa

Por mais de um motivo, seja pelo tom que imprime ou pelos assuntos que enfrenta, mas não apenas por isto, o recente livro de Mário Alex Rosa, Ouro Preto, mostra-se mais ou menos estranho ao panorama da poesia brasileira de hoje. Trata-se de um livro que, talvez por uma espécie de sensibilidade tímida e reverente, aliada a seu forte imaginário católico, parece pedir desculpas por estar ali. Nele, a poesia pode ser comparada a um ato de oração, íntima, compassiva, circular, sem qualquer ênfase. É como se, por um momento, não fosse possível ouvir o que diz.

Existe, no entanto, um traço muito particular deste imaginário religioso que, aliás, confere ao livro a dicção “grave e dolorosa” de que fala Murilo Marcondes de Moura em seu excelente texto de apresentação – o poeta faz perguntas, mas não recebe respostas.

Um encontro com César Aira

Em meados do ano passado, fiz uma destas viagens que todo mundo faz a Buenos Aires: dez dias dormindo em algum lugar barato, meia dúzia de noitadas pelos bares de San Telmo e umas visitas às livrarias; de quebra, fui assaltado também, o que já se tornou comum em Buenos Aires, mas isso é outro assunto. Antes de viajar, decidi que deveria encontrar dois escritores: Daniel Link e César Aira. Acho que gostar de um escritor nunca é motivo suficiente para querer encontrá-lo, por isso não sei dizer exatamente o que me motivou a escrever aos dois.

Uma estrela só

O céu dos suicidas, romance mais recente de Ricardo Lísias, parte de um incidente claramente autobiográfico: o suicídio de um amigo. Como se pode reagir a isso? Qual a natureza dos tabus que envolvem o assunto? Estas são algumas perguntas que atravessam o romance, mas não o explicam. Basta dizer que, além do mais, trata-se de um livro bem-humorado. Lísias respondeu algumas perguntas por  e-mail. Eis suas respostas.

Negar o inégável

Não tenho como deixar de me manifestar. Por outro lado, não tenho muito a dizer, além do óbvio: o poema de Frederico Barbosa é bem triste. Assim como é triste negar que o poema se dirige a você. Aliás, nesse caso, além de tudo, que colocou em dúvida, Frederico coloca em dúvida também a nossa inteligência. O significante não é vazio, como muitos poetas e leitores de poesia gostam de dizer; e por isso não pode ser manipulado de qualquer maneira. Enfim, desejo que o nível do debate aumente. Receba meus cumprimentos, Victor da Rosa.

Novos autores: Bruno Brum

Portanto, ao invés de uma série de poemas simétricos entre si, ao invés da procura por uma voz reconhecível, voz que nos daria a referência de uma subjetividade segura, enfim, ao invés da organização – versos curtíssimos ainda se misturam com versos mais longos e mais narrativos, às vezes com a prosa e também com poemas visuais, diferentes gêneros textuais etc. o gesto de Bruno investe justamente na dispersão, em uma variação radical de registros.

O que restou de uma obra de Jorge Macchi

Na abertura de uma exposição coletiva, Of Bridges & Borders – em cartaz na Fundación Proa, de Buenos Aires, um acidente casual, inaugurou um debate que nos remete a alguma polêmica sobre a arte contemporânea, a saber: a escritora e jornalista argentina Matilde Sánchez, autora de uma novela chamada Los daños materiales, esbarrou em uma obra de Jorge Macchi, uma obra frágil, feita de vidro soprado, e fez da peça um apanhado de restos.

Cildo Meireles: quem matou o falso Herzog?

Em uma pequena exposição intitulada Dicionário de Ideias Feitas, da qual realizei a curadoria, havia uma nota de Cildo Meireles – Quem matou Herzog? – falsificada com perfeição, salvo engano, pelo artista Cláudio Trindade. No circuito  de Florianópolis, só o nome de Cildo Meireles já causou certa estranheza. No entanto, a falsificação da nota de Cildo parece abrir boas questões sobre a própria arte contemporânea.