Quem se preocupa com raiz é agricultor

Eu acho que é fácil dizer: “Nesse momento, nossa produção estética não oferece nenhuma experiência de alta voltagem”. Nunca acreditei nesta atitude. Não acreditei porque normalmente as pessoas que falam esse tipo de coisas, conhecem muito pouco do que é produzido na contemporaneidade. Ao invés de falar coisas desta natureza, ganhariam mais se tivessem mais paciência e mais desejo de procura. É claro que personalidades como Duchamp, Kandinsky e Maiakóvski só aparecem uma vez a cada cinquenta anos. Não é toda hora que você vai encontrar obras com essa força. No entanto, a desqualificação do presente é feita muitas vezes como uma espécie de discurso genérico. Seria mais interessante insistir nas potencialidades abertas para o presente.