Poemas de Yao Feng (chinês, inglês e português)

Chuva ao fim da tarde

As gotas da chuva batem no telhado, porta e janela, com tanta pressa, como crianças nuas rogando abrigo.

Como não sou rio, nem sou terra, nem o meu corpo cheio de buracos é um pedaço de esponja, em suma, não passo de um animal que apodrece depressa caso vivesse na água.

Com o vento agora intenso, os dedos da chuva tornam-se mais grossos, avessos ao tempo estiado, insistindo em agarrar-se às goteiras do telhado.

Macau: a poesia em uma folha de lótus

Macau é conhecida como a Monte Carlo do Oriente. Uma cidade quase puramente virada para divertir os instintos humanos. No entanto, descobre-se que, por entre as folhas e flores de lótus, símbolo desta terra, está sentada uma noiva de poesia a cantar, em voz baixa mas insistente. Embora enraizado na lama, persiste na sua pureza.

Leituras das versões portuguesas dum poema de Li Shangyin

Han Yu, poeta e prosador da dinastia Tang diz: “O mais perfeito dos sons humanos é a palavra. A poesia é a forma mais perfeita da palavra”. A poesia é uma arte alquímica que não só se limita à mera função designativa, como também se empenha em atribuir à palavra ritmo, rima, figuração, ambiguidade, semântica, silêncio, vazio etc.

ANTOLOGIA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DE MACAU

Tradicionalmente Macau foi sempre um destino do exílio que acolheu muitos escritores, desde Camões, Camilo Pessanha passando pelo poeta chinês Qu Dayou ou dramaturgo Tang Xianzu. O exílio, separação da pessoa e da terra onde vive, sempre caracteriza a vida do ser humano.

CAMILO PESSANHA E OITO ELEGIAS CHINESAS

1. Camilo Pessanha é um dos maiores poetas da modernidade portuguesa, sendo uma referência essencial da poesia contemporânea. Figura controversa, compreendeu como nenhum outro a busca do Oriente, e em toda a sua vida perpassa uma intensa paixão pela cultura chinesa, sendo considerado “o mais chinês dos poetas ocidentais, antes de Ezra Pound”.[1] Em Clepsidra, […]