BATE-PRONTO
Materiais inéditos e, também, polêmica e desobediência. Novelties and polemics, controversy and disobedience.

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UM PINTOR NO SAMBA
Hélio Oiticica
Como cheguei à Mangueira – eis a pergunta que todos me fazem – foi o escultor Jackson Ribeiro, meu grande amigo, quem para lá me levou em fins de 1963 para assistir um ensaio.
Imediatamente senti que, para mim não bastava “assistir” e sim “participar” do samba, do seu ritmo, do seu mito.
Ao contrário do que poderia parecer, não há entre a minha arte como pintor e essa expressão popular um abismo intransponível, pelo contrário, toda a minha evolução artística caminha para o que chamo de uma expressão mítica essencial na arte. Há como que um cansaço do que é excessivamente intelectual e a busca do que é “expressivo” na arte.
Jackson Ribeiro, nordestino acostumado à “vida dura” e cuja escultura vanguardista jamais perdeu o seu calor de origem, seria o elemento que fatalmente me introduziria aí.
Para mim, havia um impulso interior forte que me induzia ao ritmo, à dança.
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O InconfessÁvel: Escrever nÃo É preciso
Alcir Pécora
1. Ao contrário do que usualmente se supõe, a passagem dos anos não tem obrigação nenhuma de revelar algum grande autor ou mesmo um autor apenas razoavelmente bom. A regra estava valendo para o passado que revelou tantos autores extraordinários, quanto vale para os próximos cem ou mil anos, que talvez nunca vejam nenhum outro, assim como podem ver centenas deles. Se grandes autores apareceram com regularidade, ou aparecerão da mesma forma, isso são contingências, não necessidade ou decorrência lógica de um conjunto quantitativo sempre crescente de escritos.
2. Antologias de autores promissores ou novos lançamentos de escritores contemporâneos não cessam de aparecer, por piores que sejam. Alguns são jovens, outros são célebres, outros são simples amigos do editor: qualquer coisa basta. Por isso mesmo, nada é suficiente como critério de edição, e o publicado basicamente ajuda a encobrir a percepção evidente de que não há nada de relevante sendo escrito, nem mesmo há indícios de que essa relevância possa ser descoberta outra vez no domínio da literatura.
3. Não parece haver nada relevante sendo escrito, essa é a mais provável razão desse poço, desse mar de coisa escrita.
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Joan Ponç
Suite instrumentos de tortura
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Manifesto AntropÓfago
Oswald de Andrade
Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
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Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismo (sic). De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
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Tupy, or not tupy that is the question.
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Contra todas as cathecheses. E contra a mãe dos Gracchos.
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Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropofago.
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POESIA NAZI E O G8
Régis Bonvicino
A palavra Nazi é uma abreviatura de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, Partido Nacional-socialista Alemão, liderado por Hitler a partir de 1920. A 24ª edição de Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache (2002) afirma que o vocábulo foi inventado no sul da Alemanha, em 1924, pelos oponentes do nacional-socialismo hitleriano, porque “nazi” (advindo do nome próprio Ignatz, uma variante de Ignatius) era usado para designar coloquialmente uma pessoa tola e tacanha.
De 6 a 8 de junho agora, o Grupo dos Oito ou G8, que congrega os sete países mais industrializados do mundo, a saber, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá e mais a Rússia, vai se reunir no balneário Heiligendamn, onde Hitler recebeu, em 1932, o título de cidadão emérito, quando ainda não havia chegado ao poder, o que se daria em 1933. Nada mais representativo da situação do mundo contemporâneo, liderado por George W. Bush e seus Blairs e Sarkozys, que o encontro se dê numa cidade onde Hitler foi cidadão de honra, mesmo que o prefeito de Bad Doberan, à qual pertence a praia Heiligendamn (que, inicialmente, era de ricos e, depois da Segunda Guerra, passou para a Alemanha comunista), tenha cassado juridicamente o título conferido ao líder nazista, que tanto sucesso faz até hoje, haja vista, entre outras, além de guerras, Guantánamo etc, a posição dos Estados Unidos (27% da poluição mundial) no que se refere aos “planos” kyotianos para fazer cessar as mudanças climáticas. A Europa é responsável por 25% da poluição da Terra. O Brasil, por 3%.
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Joan Ponç
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Marcel Duchamp: la deconstrucciÓn de los cuerpos
o la mirada como sublimaciÓn poÉtica
Sergio González Valenzuela, Universidad Finis Terrae
La obra de arte siempre se ha desplegado ante nuestros ojos, principalmente en cuanto “espejo del mundo”. Es decir, en tanto que como obra era capaz de representar fielmente la realidad (1). A lo largo de la historia la pintura desarrolló diversas temáticas, dentro de las cuales el retrato ha ocupado un lugar de privilegio donde el artista no hace sino representar la figura de un personaje que habitualmente ha comparecido frente a nosotros (en tanto presencia), y que por efecto de la pintura, se establece como una suerte de perpetuación para la posteridad (especialmente en los casos en que el retratado es un personaje “histórico”). Sin embargo, dentro de esta práctica pictórica, el desnudo ha sido uno de los principales y más recurrentes temas presentes a lo largo de la historia del arte. En el mundo greco-romano, el desnudo es principalmente masculino: figuras de dioses, atletas, guerreros, etc. (imagen 1).
Mientras que a partir del Renacimiento hasta hoy poseemos un amplio repertorio de imágenes de desnudos femeninos: Venus, odaliscas, bañistas, bailarinas, etc. (imagen 2). Con lo que se establece que la presencia del “cuerpo” ha sido hasta hoy un elemento persistente en la representación artística. Ahora bien, lo que habría que preguntarse es: ¿cuál es la importancia de estos desnudos: son simples metáforas (2) de la belleza (3), o bien obedecen a una fetichización de la mujer como objeto de deseo?. En cualquiera de las opciones a nuestras inquietudes, debiéramos considerar: ¿qué es realmente lo que se representa? ¿A quién se representa? ¿Por qué o para quién se representa?
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O CUBANO QUE DESAFIOU FIDEL EM HAVANA
Rolando Sánchez Mejias, de 49 anos, é um dos maiores escritores vivos. Está exilado em Barcelona, embora já tenha adquirido cidadania espanhola. Os cubanos precisam de apenas dois anos de residência para obtê-la. Rolando é ficcionista, poeta e crítico. Fundou e dirigiu, em Cuba, no início dos anos 1990, a revista Diáspora(s). Em Cuba, é crime tipificado lançar uma revista sem o aval do Estado, como ele fez. Faziam parte de Diáspora(s), entre outros, Pedro Marqués de Armas, Carlos Aguilera e Rogelio Saunders – este escreveu o único artigo, até hoje, sobre o fascismo em Cuba. Aguilera vive na Alemanha e os outros dois também em Barcelona. Em 1996, Sánchez Mejias escreveu uma carta aberta contra a censura em Cuba e contra o regime castrista, morando em Havana. A carta foi publicada em El País, de Espanha. Em represália, foi apenado com “morte civil”. Escapou da prisão por ser considerado pelo pcc cubano como “homem de esquerda”. Viveu em Havana, seguido e perseguido pela polícia política. Perdeu empregos e amigos. Em 1997, o poeta francês Henry Deluy convidou-o para a Bienal de Val-de-Marne (onde estive em 1995) e, então, depois do evento, ele se refugiou na Alemanha. O Parlamento Europeu ofereceu-lhe três cidades para residir e ter uma bolsa por dois anos: Viena, Veneza e Barcelona. Escolheu Barcelona. Leia dois poemas de Rolando traduzidos em http://sibila.com.br / Sibila 12. Ele chega em São Paulo no dia 30 de maio agora, para participar de Congresso Poesia russa: percursos (Leia o programa em seguida à Carta aberta). Leia também, em seguida, a Carta aberta, que o condenou à morte civil em Cuba.
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Joan Ponç
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DOIS POEMAS
Linh Dinh
Cru, levado pelo vento, capital, regulado
Para trabalhar legalmente nu, você deve estar empregado
Por alguém que tenha uma licença para nudez.
Nu quer dizer: sem sequer uma coberta opaca
Sobre a genitália, pêlos pubianos, nádegas, períneo,
Ânus ou região anal de uma pessoa, ou qualquer porção
Do seio em torno ou sobre a auréola, ou
Genitália masculina num claro estado de turgidez, inclusive
Quando completa e opacamente coberta. Nu,
Você não pode ficar a menos de 2 metros de um cliente.
Você não pode tocar nenhum/nenhuma cliente
Nem vai deixar cliente nenhum tocar em você,
Estando nu/nua ou não. Nu, você não vai poder trabalhar
Entre as 2 e as 6 da manhã. Você não vai induzir
Ou aceitar carícias nem contato casual
De sua genitália, região púbica, nádegas, ânus
Ou seios, atos sexuais, normais ou perversos,
Reais ou simulados, incluindo penetração,
sexo oral ou sodomia – onanismo,
Real ou simulado, ou funções de excreto.
Tradução: Odile Cisneros
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SEIS POEMAS INÉDITOS DE EDUARDO MILÁN
la necesidad de la narración
entrar en el tejido
ahí hay una araña
más que noches, puntos de una sola noche
intermitencias encendidas, luz
que se reparte, punto-casa, punto-árbol
sabidos sin ver
tanto se parece a un tablero que lo es
un tableteo múltiple de un solo disparo
en la noche ¿dónde más es tanto menos?
dientes desparramados de una boca
fuera de boca, en la noche
cuerpos de una sola guerra, apagados
ahí es donde se prueba la oscuridad
viendo a tientas
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Joan Ponç
Suite instrumentos de tortura
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THE DECADENCE OF THE US
Interview of Paul Hoover for Régis Bonvicino
Will Latin America stay as the backyard of the US in a probable Obama administration?
The U. S. is unlikely to reduce its role as the watchdog of the Western Hemisphere, indeed of the world. At present, according to a web search we have 17 radar sites in Latin American and the Caribbean including Peru, Puerto Rico, and Columbia; “forward operating” permission to use bases in Ecuador, Aruba, Curaçao, and El Salvador; a major military outpost in Panama; Soto Cano Air Base in Palmerola, Honduras; and, of course, Guantanamo in Cuba, a major public relations and human rights disaster. The other aspect of U. S. interference and liability will be the use of certain parts of Latin America for low-wage manufacturing. The Monroe Doctrine still holds, that no rival will be allowed a foothold in the Western Hemisphere. It would be desirable for the CIA to stop overthrowing Latin American leaders at the behest of U. S. business institutions. At any rate, the idea that the U. S. is spreading freedom throughout the world has now been completely discredited under Bush. We are spreading political control and self-interest.
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Nas fotos: Ania Valle, em sem título II
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