Mágicas recordações

Rauschenberg era voraz, mas não indiscriminado – e isso deve ser lembrado. Embora apenas com vinte e poucos anos, já tinha dado a perceber, em sua abertura para experimentos com métodos e materiais radicalmente diferentes, que em seu trabalho não possuía rivais. Sua biografia nos diz que esse desempenho, ao longo de sua carreira, tornou-se cada vez mais inigualável, e seu trabalho foi assumindo a cada vez maiores dimensões, até atingir as proporções épicas de seus projetos do Rauschenberg Overseas Cultural Interchange (R.O.C.I.). Esta é uma das razões pelas quais eu acho tão interessantes suas colagens escaladas, feitas em 1952-53, quando ele estava no estrangeiro. Apesar de seu tamanho reduzido, elas representam uma mudança importante na abordagem artística de Rauschenberg, bem como na antecipação de muitos outros trabalhos famosos.

Um e Duplo, de Ester Grispum

Esta galeria contém 5 fotos.

(Recife, PE, 1955) Desenhista, escultora, gravadora, pintora e ilustradora. Estuda com Luiz Paulo Baravelli (1942) e Marcello Nitsche (1942) no Instituto de Arte e Decoração – Iade. Estuda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU/USP, entre 1973 e 1977. Nesse período, mantém contato com os artistas Renina Katz (1926), Flávio Império (1935-1985), Claudio Tozzi (1944), Flávio Motta (1916), e com os críticos Aracy Amaral (1930) e Luiz Carlos Daher. Em 1981, realiza sua primeira individual, com desenhos e aquarelas, na Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp. A artista revela, em sua produção dos anos 1980, o diálogo com a história da arte local e internacional. Em 1988, realiza sua primeira escultura, que integra a instalação O Duplo e o Tempo, apresentada na 20ª Bienal Internacional de São Paulo, no ano seguinte. Na década de 1990, recebe, entre outras, bolsa de pesquisa para artistas da Fundacion Helena Segy, Paris; bolsa de trabalho do European Ceramic Work Center, em s’Hertogenbosch, Holanda; e bolsa de residência na Cité des Arts, Paris. Em 2004, é apresentada a mostra Ester Grinspum – Uma Antologia, na Pesp, com curadoria do historiador da arte Tadeu Chiarelli.

Hong Hao

Esta galeria contém 10 fotos.

Nascido em Pequim em 1965, Hong Hao produz um dos trabalhos mais estimulantes na cena de arte contemporânea chinesa ao criar objetos coesos em termos formais mas com conteúdo díspar. Há um traço narrativo em seus trabalhos: os materias utilizados contam uma história da vida cotidiana, de modo crítico. E causam também enorme estranheza no espectador. Embora se possa afirmar que existem algumas características da Pop Art na obra de Hong Hao, seu trabalho é independente e único. E não pode ser categorizados em qualquer escola específica de arte chinesa contemporânea.

Idiossincrasias de Macau

Esta galeria contém 19 fotos.

Idiossincrasia (do grego ἰδιοσυγκρασία (idiosynkrasía), “temperamento peculiar”, composto de ἴδιος (idios) “peculiar” e σύγκρασις (synkrasis) “mistura”), é uma característica comportamental ou estrutural peculiar a um indivíduo ou grupo. nS.f. Maneira de ver, sentir, reagir peculiar a cada pessoa. É uma disposição do temperamento e da sensibilidade que faz um indivíduo sentir, de modo especial e muito seu, a influência de diversos agentes.

The continuing imprisonment of Li Bifeng

Following the appeal, a copy of which is attached below, and in regard to the continuing imprisonment of Li Bifeng, the international literary festival berlin (ilb) is hereby calling artists and intellectuals, schools and universities, radio and TV stations, theatres and other cultural institutions to join us for a worldwide reading in solidarity with Li Bifeng to take place on the 4th of June 2013.

在中共帝國十八大閉幕之際,地下詩人李必豐被判12年重刑,我們認為這是一個危險的倒退 信號。
李必豐和作家廖亦武相識於四川省第三監獄,當時的大墻內,二十多名六四政治犯中,唯有 他倆因酷愛文學而臭味相投,雖然在寫作理念上時有衝突,但彼此的密切交往,卻一直延續
到獄外。兩人交換手稿,交換對人生的看法。李必豐是積極向上的,所以在寫作之餘,還投
身民主運動;廖亦武是消極向下的,所以除了去酒吧賣藝,埋頭碼字。

A despedida de Trisha Brown

1) A LENDÁRIA DANÇARINA ENCERRA SUAS ATIVIDADES Dirce Waltrick do Amarante A dançarina, performer, coreógrafa e desenhista norte-americana Trisha Brown, uma das precursoras da dança pós-moderna, anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades frente a sua companhia, The Trisha Brown Dance Company. A despedida culminou com aclamadas apresentações na Howard Gilman Opera House, em Nova [...]

Happy Hip Rap Sad Hop: Tyler, the Creator

A razão original deste texto não era, no entanto, analisar o rap, notadamente o de Tyler Okonma e seu Odd Future, mas sim tentar uma comparação entre a poesia cantofalada do rap e a poesia escrita. Em parte, a resposta está no parágrafo inicial, quando me refiro à incapacidade de a poesia dar conta poeticamente do mundo contemporâneo e ao prosaísmo que a domina, encerrada em certo autismo autossatisfeito, enquanto o rap encara, em mais de um sentido, o mundo contemporâneo e nada tem de prosaico. Mas analisando as letras do Odd Future e de outros rappers, inclusive brasileiros, como os Racionais, chego à conclusão de que a principal diferença está no fato de que o rap consegue fundir estruturas propriamente poéticas, como os dísticos rimados em versos livres que dominam seus textos, a um coloquialismo ao mesmo tempo contemporâneo, forte, agressivo, realista e eficiente. Chega a ser paradoxal, pensando no coloquialismo buscado pelo modernismo poético no início do século XX: pois, neste caso, numa espécie de neomodernismo, o rap mantém o verso livre modernista enquanto recupera o dístico rimado da poesia tradicional, acrescentando à mistura esse coloquialismo radical, além de marcado por um fortepoetismo no tecido morfossemântico.

O Cristo pós-pós-punk de Garfunkel and Oates

As doces mas indóceis meninas do duo americano Garfunkel and Oates fazem aqui uma “crítica analítica” da hipocrisia e das contradições do discurso sexual católico, e o fazem muito bem, em termos estéticos. De certa forma, viram o punk do avesso, ao adotar uma estética da delicadeza, incluindo suas imagens, atitudes e a própria música, para fazer a crítica mais pesada a tal discurso, mas mantendo, do punk, do peso da crítica às referências escatológicas (intestinos, toalhas etc.).