Entrevista de Ezra Pound a P.P. Pasolini

Quando você chegou na Itália, ela era ainda pré-industrial, agrícola e artesanal. Agora, tornou-se uma nação bastante industrializada e produz uma literatura semelhante àquelas produzidas nos Estados Unidos e na Inglaterra, nesses últimos anos. Agora, a Itália é parte das nações industrializadas e culturalmente avançadas e então aflora um novo tipo de literatura que é típico das nações burguesas, industrializadas. Os movimentos de vanguarda se tornaram frequentes na Itália. Você reconhece a paternidade desses movimentos de agora na Itália ou não? Você fala e “então nações culturalmente avançadas e industrializadas”. Eu não concordo com esse “então”: eu não gosto disso. É difícil responder à sua questão, porque os movimentos de vanguarda não se desenvolveram na Itália industrializada de agora. Esse fenômeno, de produtos vanguardistas, ocorre no mundo todo.

Pound: paraíso destruído

Seria possível ser um grande poeta e, ao mesmo tempo, um fascista assumido e um antissemita fervoroso? Não, não é verdade? Mas, por um lado, sim. Eis o problema. “Se Ezra Pound não tivesse existido”, escreve Humphrey Carpenter em sua monumental biografia, a mais detalhada e objetiva até agora, “teria sido muito difícil inventá-lo.” Poucos escritores têm uma vida tão extravagante, diversificada, impetuosa. Seria ele um visionário geral? Um traidor da pátria? Um louco? Um iluminado? Um fanático? Sim, mas também, e talvez principalmente, um artesão preciso, um explorador generoso, um autodidata erudito e sempre original, um revolucionário da percepção e da linguagem, um criador e apresentador de uma parte fundamental da literatura e da arte desses tempos caóticos. Poderíamos preferir um medíocre funcionário das letras que pensa bem a um grande artista que pensa mal? Isso se vê todos os dias e mesmo assim a Terra continua girando. Então seria algo para além do bem e do mal? Não, a discussão continua possível.

A vida e a pós-vida de Ezra Pound na Itália

Em 24 de maio de 1945, o famoso poeta norte-americano Ezra Loomis Pound encontrava-se preso em uma cela especial – uma jaula, na verdade, no United States Army Disciplinary Training Center (USDTC), em Metato, ao norte da cidade de Pisa. A prisão do USDTC – que jornais americanos apelidaram como sendo “o repositório dos sedimentos sujos de nossas tropas no teatro mediterrâneo” era usada para encarcerar os militares dos EUA que tinham perpetrado crimes de guerra sérios e estavam aguardando o julgamento da corte marcial ou a transferência para uma instituição carcerária nos EUA ou mesmo sua própria a execução.

A bifurcação entre a democracia e o capital

Não há sinais de que 2017 seja muito diferente de 2016.
Sob a ocupação israelense por décadas, Gaza continuará a ser a maior prisão a céu aberto do mundo.
Nos Estados Unidos, o assassinato de negros pela polícia continuará ininterruptamente e mais centenas de milhares se juntarão aos que já estão alojados no complexo industrial-carcerário que foi instalado após a escravidão das plantações e as leis de Jim Crow. A Europa continuará sua lenta descida ao autoritarismo liberal ou o que o teórico cultural Stuart Hall chamou de populismo autoritário.

Além do muro

Beyond the wall (Além do muro) traz poemas dos três mais recentes livros de Régis Bonvicino: Estado crítico (2013, Hedra), Página órfã (2007, Martins Fontes) e Remorso do cosmos (2003, Ateliê Editorial). Os poemas foram traduzidos ao longo nos últimos 15 anos para publicação em revistas e para leituras do poeta nos Estados Unidos. O livro estampa cerca de 60 poemas. Este é o segundo selected poems de Bonvicino publicado nos EUA – o primeiro, Sky-eclipse (2000), editado também pela Green Integer, dava conta de um período anterior de sua obra. Os dois principais tradutores são Charles Bernstein e Odile Cisneros. Charles Bernstein é um dos grandes poetas e também um dos grandes críticos e teóricos de poesia dos Estados Unidos, com alcance mundial.

O futebol brasileiro de invenção: Dicá da Ponte Preta

Apresentação: Em nome do pai           Campinas, 12 de novembro de 1981. Depois de uma campanha brilhante no primeiro turno do Campeonato Paulista, encerrada com a conquista do título sobre o rival Guarani, a Ponte Preta patinava na reta final do returno e estava praticamente fora da briga por uma vaga na decisão.             Mas […]

Donald Trump e o fascismo democrático global

E o último termo, o quarto, é a falta, a falta total de um outro caminho estratégico. Existem muitas experiências políticas – não vou dizer que não haja absolutamente nada nesse sentido. Sabemos de novos levantes, de novas ocupações de lugares, de novas mobilizações, de novas determinações ecológicas etc. Portanto, não é a falta de de qualquer forma de resistência, de protesto – não, não estou dizendo isso. Mas estou falando da falta de um outro caminho estratégico, ou seja, de algo que esteja no mesmo nível da convicção contemporânea de que o capitalismo é o único caminho possível.

Luiz Norões

Luiz Norões realizou, na segunda metade dos anos 1970 e durante a década seguinte, um conjunto de litografias. Esse conjunto de 27 trabalhos é singular no tempo e no espaço de sua ocorrência e por suas propriedades, ou algumas de suas realizações. Não sendo possível datar a execução das gravuras, algumas percepções ficam perdidas, mas é possível que elas não impeçam, em última análise, considerações ou questões que as imagens suscitam.