Lendas, mitos e histórias sobre a serpente

Desde os tempos mais remotos, a serpente está presente de forma marcante em mitos, lendas e fábulas chinesas. Provavelmente, por fazer parte do ecossistema da Ásia, os materiais arqueológicos encontrados indicam a cobra como um dos principais totens das tribos primitivas. Em Shan’haijingO Livro da Natureza, há vários registos de seres fantásticos, espécies mistas de serpente, dragão e humano. A tribo Xuanyuan [轩辕] do Imperador Amarelo [黄帝 Huángdì], o mítico ancestral chinês, possuía o totem de uma serpente com cabeça humana. Ainda hoje, a cobra é reverenciada por etnias minoritárias no sul e sudeste da China, que realizam procissões em sua homenagem, no décimo quinto dia do primeiro mês lunar.

China no topo do ranking da morte

Sem dados disponíveis, a Anistia estima que a China tenha levado a cabo milhares de execuções no ano passado, adotando os métodos de injeção letal e fuzilamento, e mantendo os crimes econômicos como motivo para condenação com a pena capital – contrariamente ao estipulado no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP), que admite a sentença de morte “para os crimes mais sérios” de acordo com as leis em vigor nos países signatários, embora apelando à sua abolição. O tratado internacional foi assinado pela China, ainda que não tenha sido até aqui ratificado.

A comunidade portuguesa em Macau

Nunca apanhei AIDS. Nunca precisei de me atirar de uma ponte para saber que deve doer e muito. Nem nunca snifei cocaína para imaginar que devo gostar e não é pouco.

Mas viver em Macau é isso. É como apanhar AIDS duas vezes. Primeiro se estranha, depois se entranha, e tem que se desentranhar à força para não criar crosta.

É um processo caótico de integração e desintegração permanentes, uma viagem de comboio numa rota, que ora ascende ora descende, à velocidade concêntrica da roleta russa.

Régis Bonvicino no Festival Literário de Macau

A primeira obra de arte que despertou meu interesse pela China foi um documentário, do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, intitulado Chung Kuo – Cina, de 1972, a que assisti aos fragmentos nos anos 1980 e que revi recentemente também aos fragmentos, porque não foi lançado comercialmente. O que ocorreu na China de 1979 para cá, com as reformas econômicas Deng Xioping, equivale à Primeira Revolução Industrial inglesa. Não se fica indiferente diante da China. Não me encontrei com a China [...]

Prefácio a Ponte Preta − a torcida que tem um time, de André Pécora

A marca dessa torcida fica. É comum nos depoimentos um jogador dizer que ainda vai ao estádio, leva seus filhos e torce pela Ponte. Oscar chega a declarar: “Meus melhores anos não foram no São Paulo, foram na Ponte”. É isso que faz da Ponte um time diferente. É isso que faz de Ponte Preta – a torcida que tem um time um livro diferente. E bom. Agradeço ao André Pécora ter me proporcionado belos momentos lendo este livro. De repente, como já disse antes, me pareceu que eu mesmo era um torcedor da Ponte.

Pensando sobre a internet

Rapidamente a internet passou a ser usada em larga escala por todos. Mal nos damos conta da profundidade da revolução em curso por ela induzida. Como analistas, devemos estar atentos a tais mudanças e suas inevitáveis repercussões no espaço psíquico.

Como uma introdução mais densa à questão, nada melhor do que seguir as considerações dos pensadores franceses Alain Finkielkraut e Paul Soriano, proferidas em 2001 em conferências [...]

O X que sustenta uma plataforma: pauta, solfejo e cardápio freyrianos

O leitor de Gilberto Freyre, neste início de milênio, absolutamente não é o mesmo dos anos 30 que, maravilhado, aplaudiu Casa-grande & senzala e Lamartine Babo. Tampouco é aquele que se encantou com Francisco Alves dos anos 40, ou com a bossa nova dos 50. O leitor dessa vez é ouvinte de Carlinhos Brown, negro; de Chico Science, índio; de Marisa Monte, morena; de Zélia Duncan, branca; de Chico César, negro, mulato, e de Lenine, galego, quase holandês.

O fascínio pelo “literário” no Brasil

A poesia brasileira continuava, nesse mesmo ano, travada pelo tardo-parnasianismo e pelo tardo-simbolismo – que se referiam quase que exclusivamente à literatura, abdicando da sondagem do real, o que se daria apenas a partir do início dos anos 1920, com altos e baixos. O Concretismo, em sentido estrito, dos anos 1950, não deixa de ser uma vanguarda que se deduziu da própria literatura (o que é atípico se cotejada com os ismos europeus e com o Objetivismo norte-americano), ao instituir uma receita de poema [...]

Por que, afinal, a literatura brasileira não vende? E por que venderia?

O problema, em todo caso, estaria na defasagem entre o gosto médio do público por uma literatura igualmente média e a insistência dos ficcionistas brasileiros em criar uma literatura “sofisticada”. Isto geraria uma demanda sempre insatisfeita, de um lado, e uma oferta sempre insatisfatória, de outro. Pois a literatura “sofisticada” satisfaria apenas a demanda pessoal do próprio produtor, ignorando a demanda pública dos consumidores. Se fosse verdade, tratar-se-ia de um clássico problema de oferta. Neste caso, as próprias leis do mercado se encarregariam de solucioná-lo. Pois não é de se crer que o Brasil só produza candidatos a gênio literário, e nunca escritores que desejam simplesmente ficar ricos.

O minimalismo estelar de Sonny Boy Williamson II

Assim, com cinco palavras, uma gaita – que compreende apenas uma única escala musical, um único modo – e sua voz, esse gigante bluesman é capaz de contar a história de seu próprio nomadismo, de todas as despedidas, de todos os homens e mulheres que disseram adeus e com isso ainda mover seus ouvintes a partir de um ritmo alucinante, de uma vitalidade incrível, de uma enorme força interior, criando uma canção (interpretação) paradigmática, que se pode definir como minimalista estelar, mais viva que vários dos minimalismos propriamente ditos da arte erudita da época, os anos 1960, que cheiram hoje a mofo.