Poemas de miguel jubé

eu morto eu morto, subjugado no centro      da cidade, aguardando processo  de reconhecimento dos órgãos      enquanto dura a falácia feita  do absurdo que é estar morto, pronto      ao descarte infinito da pele. três larvas se aproximam, me olham      e decidem por quando começam.  meu peito parece abrir-se ao meio      e isso só poderiam as larvas […]

Poemas de Ossama

CUIDADO: VEÍCULOS 1/ [o estacionamento] se desobedecêssemos ainda em círculo concêntrico as zonas do parqueamento e nos desorientássemos motores ¦ músculos ¦ assentos nos comboios dos passantes e nas procriações da espécie  em vagos de estacionamento ou nos viesse vagarosamente a roda em volta das errâncias desde a origem das distâncias no ínvio andar das […]

PAISAGENS SONHADAS

1 a lua, a serpente, o cipó me veem como tapir que matam o jaguar vê o sangue cauim os mortos veem os grilos peixes as águas veem nas pedras guias e o rio rola rindo garganta abaixo até os limites da língua 2 orar à araucária ao ar que paira sobre o parar pois […]

Três poemas de Leilah Accioly

LINGUAGEM FULGURADA voar com os pés no chão é um oxímoro cair e não se arrebentar é uma metonímia atirar-se da janela é uma ironia bater a porta pra nunca mais é uma elipse ser estar ficar parecer permanecer andar é uma enumeração caótica soltar os nós sendo nossos é uma silepse e é só […]

Días animales (Dias animais)

Poemas de Dias animais Almudena Vidorreta com tradução: Carlos Castilho Pais Adorno Como resistir, de que maneira escrever agora depois de ter cheirado carne morta, de ter domesticado cem mil homens; como condenar mais uma só besta ao reduto terrífico de um verso. A ocasião que o destino nos devolve com a cabeça enfeitada estrangula […]

Quatro poemas de Separação

sinto sua falta quando está longe,
mas de perto me falta espaço.
se a distância nos aproxima, algo
sempre nos separa quando estou
com ela – e nos liga depois da partida.
algo em mim resiste e fica do lado
de fora quando entro nela: procuro
aquilo que só existe quando ela vai
embora, deserto desejo que só me
assalta quando não a vejo.
na sua presença não sinto o que sua
falta provoca, a unidade que almejo
quando somos dois. se a sua ausência
me assalta, na sua presença minto.
e assim seguimos nessa novela,
equilíbrio precário, poema sem rima,
abraço que não toca. dança solitária
e sem cenário, soma sem resultado,
presente sem futuro, labirinto.
a pegada inesperada na areia
de uma praia deserta.
a porta que se fecha com violência
numa casa vazia,
sob a lua cheia.
o segredo que ninguém sonhava.
o telefone anotado num papel

Ellen Maria Vasconcellos traduz Eduardo Milán

Antología Manto “Quando Cristo apareceu ninguém se deu conta”, digo “Por acaso se deram conta quando apareceu Dante?”, mendigo. Ninguém se deu. Por não se dar nem ceder devem dinheiro, devem vin- téns, moedas, carteiras. Bancos inteiros de areia que se adere aos dedos e não cai como areia, mas que se levanta como Empire, […]

DOIS POEMAS DE YASMIN NIGRI

Separar as tarefas do dia Sair do acordo com o pântano Enumerar lugares mais penalizados Me convidar para um ménage Recusar o convite por medo de decepcionar duas ou mais pessoas de uma vez Traçar estratégias para quando a vida me derrubar tal como Contratar um dublê Traçar espaços para os quais estou indisponível em […]

O estado das coisas

o que se pode esperar de um poema: que fique de pé e ande sem muletas mesmo sendo coxo como byron que não faça ver o pior cego mesmo sendo um glauco mattoso que não tenha pena de seus leitores como dylan thomas mas que também não seja sádico com eles como ninguém que eu […]