A Musa Falida

A questão mais direta seria: há uma literatura comprometida com o novo que esteja sendo produzida na e pela internet? Se há, ainda não ganhou evidência no meio dos que não conhecem muito profundamente o meio. A literatura que mais aparece na internet é a mesma que mais aparece em qualquer suporte tradicional: literatura rala, sem grande exigência de invenção, e sem qualquer exploração experimental de seu próprio suporte

A vida depois do Buda punk

Se Disney proibiu o selfie-stick é porque interpunha demasiada distância entre o eu e o eu. Para que o sistema se clone, o eu não deve colocar distância alguma entre o Vil Eu e o Vil Eu. Qualquer distância ameaça tornar-se crítica.

Esta época consiste em ocultar as verdades de Buda. Mesmo que o Budismo seja o ponto alto do pensamento terrícola, queremos alegar que esta flecha nunca nos feriu.

A literatura contemporânea é um passeio por parques de diversões. Nas literaturas experimentais, gringos veteranos como Burroughs e Acker já não seriam possíveis hoje em dia. O punk já está proibido. Ser escritor na Era Facebook significa Portar-se Bem: Like! Like! Like!

Quase tudo o que tem a ver com Milênio é detestável: foi desenhado pelas mídias. A tudo o que acontece reagem com uma referência ao mundo do espetáculo. Cada coisa que acontece no mundo lembra-lhes um filme ou um vídeo.

Os encontros literários

Proponho que suspendamos definitivamente os encontros literários. Os encontros literários são nefastos por todos os ângulos que se analise; são eventos que dão lucro, como já se disse, às empresas e aos organizadores e que servem de consolo vazio a poetas e romancistas. É melhor encontrar outras soluções para a poesia e para a literatura.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Omid Shams

Omid Shams é um escritor iraniano, crítico literário e jornalista freelance. Fez mestrado no American Studies da Universidade de Torino, Itália, e publicou vários livros, incluindo poemas, romances e traduções de proeminentes autores americanos para Farsi, como Ginsberg e Bergstein. Ele escreveu ensaios sobre poesia e teoria crítica, publicados em vários jornais literários, revistas e também on-line. Foi coeditor de revistas literárias como Zendeh Rood, Bidaar e Dastoor.

Escuche “Rrrr”

“Rrrr”  es una pieza sonora del artista japonés Adachi Tomomi (1972), incluida en su disco Sparkling Materialism del año 2000. El disco está compuesto por “17 pieces performed by voice, body, electronics and self-made instruments”, que fueron grabadas en vivo, en una sola toma y sin ediciones posteriores. Esta pieza en particular, según se nos indica, incluye “tomomin, voice, electronics”. El Tomomin fue creado en 1994 y fue el primero de los instrumentos construidos por Adachi. Es un oscilador monofónico, con solamente una perilla, montado, al igual que otros instrumentos posteriores que ha creado, sobre un tupperware. Para Adachi responde tanto a una necesidad práctica pero también a sus principios como artista: “I am building self-made electronic instruments because I am interested in my own personal physicality. Commercial musical equipments follow general ideas about music. It disturbs you [to] make an original music. The DIY approach to technology allows you to get an original voice from electronics”.

Bonvicino decanta Bernstein

Não é comum em poesia a publicação de livros que realmente interessam, como é o caso aqui, de Histórias da guerra. Mas só para os que estão preparados para pôr em questão suas grandes e pequenas certezas mais preservadas. O trabalho de Charles Bernstein é desses capazes de efetivamente desestabilizar variados campos de práticas e criações, formas arraigadas de pensamento, ideias comuns naturalizadas, imagens corriqueiras, sentidos admitidos, sintaxes previsíveis, aberturas e desfechos notórios.
“Basta!”, como intitula o poeta um de seus textos aqui traduzidos. Uma múltipla negação à procura de novos territórios para a poesia e a crítica, para a presença do pensamento do poeta no espaço cultural, social e político. A responsabilidade radical com a invenção de novas formas em sintonia com o presente, o contemporâneo traduz-se numa variedade
incrível de vozes, de respirações, cada uma delas um campo de implicações, inclusive literárias.

A FUTURA LIT(ERATURA)

A internet e, sobretudo, a consolidação das formas de sentir o mundo do espetáculo transformaram a literatura. As gerações leitoras que se formaram antes da MTV e dos reality-shows quem sabe  tenham acabado por aceitar que as gerações seguintes já não processariam a literatura mediante os livros habituais (de Baudelaire, de Rimbaud, de Neruda etc.). Para muitos leitores do Milênio, a literatura foi um outro ramo da propaganda publicitária em vídeo, já quase sem emprego.

No Mundo Warhol 2.0, Dostoiévski primeiro foi substituído por Phil Donohue e, logo em seguida, P. D. tornou-se um inconfessável dinossauro e sofreu Desert Storm via Big Brother e, finalmente, Lady Gaga, ainda madame mainstream do Weird-Normal.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Hu Xudong

Como poeta leitor de poesia, geralmente, prefiro aqueles poemas de alta sensibilidade, com tessituras complexas, ares de inteligência e de alegria. Como professor de literatura contemporânea comparada, leio poemas que, muitas vezes, se afastam de meu gosto pessoal, mas que me acrescentam, seja como poeta, seja pela sua importância na cena literária. Como tradutor, eu escolho aquelas poesias que se constituem como desafio à tradução ao chinês e que eu possa ler através da leitura do texto-fonte ou da tradução inglesa. Alguns poemas conseguem justamente se encaixar nessas três categorias e são os que mais aprecio.

A dificuldade de ser de Jean Cocteau

Vem de ser lançado o indispensável A dificuldade de ser (Editora Autêntica), de Jean Cocteau (1889-1963). O livro foi redigido durante a 2ª Grande Guerra e editado na França em 1947. Trata-se, de fato, de uma arte poética feita a partir do relato de sua vida, da infância até o momento de finalização do texto, quando passara dos 50 anos. Ao mesmo tempo, o livro possui um caráter de testemunho ativo, aliás, às vezes crítico, de um dos períodos mais ricos da cena europeia, então cubista, surrealista, construtivista. E há, ainda, na obra, um viés de depoimento acerca de suas personagens maiores: o compositor Eric Satie (um de seus mestres), Picasso, o poeta Guillaume Apolinaire, o bailarino e coreógrafo russo Nijinski, Charles Chaplin, o dramaturgo Jean Genet e tantos outros de primeira linha.
Cocteau foi, em essência, um poeta, que escreveu romances, peças de teatro, crítica literária, fez filmes e foi um artista plástico inspirado, que deixou sua marca em capelas de pescadores então abandonadas da Provence e da Côte D’Azur .