A dificuldade de ser de Jean Cocteau

Vem de ser lançado o indispensável A dificuldade de ser (Editora Autêntica), de Jean Cocteau (1889-1963). O livro foi redigido durante a 2ª Grande Guerra e editado na França em 1947. Trata-se, de fato, de uma arte poética feita a partir do relato de sua vida, da infância até o momento de finalização do texto, quando passara dos 50 anos. Ao mesmo tempo, o livro possui um caráter de testemunho ativo, aliás, às vezes crítico, de um dos períodos mais ricos da cena europeia, então cubista, surrealista, construtivista. E há, ainda, na obra, um viés de depoimento acerca de suas personagens maiores: o compositor Eric Satie (um de seus mestres), Picasso, o poeta Guillaume Apolinaire, o bailarino e coreógrafo russo Nijinski, Charles Chaplin, o dramaturgo Jean Genet e tantos outros de primeira linha.
Cocteau foi, em essência, um poeta, que escreveu romances, peças de teatro, crítica literária, fez filmes e foi um artista plástico inspirado, que deixou sua marca em capelas de pescadores então abandonadas da Provence e da Côte D’Azur .

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Vivek Narayanan

Vivek Narayanan: Nasceu na Índia, em 1972. Ele viveu, trabalhou e estudou em diversos países, como a Zâmbia, África do Sul e os Estados Unidos. É editor do jornal on-line Almost Island e editor associado de Fulcrum (Boston); trabalha no programa Sarai do CSDS (Centre for the Study of Developing Societies), em Delhi. Publicou Universal Beach (Mumbai: Harbour Line, 2006) e as antologias: 60 Indian Poets (Penguin India, 2007); The Bloodaxe Book of Contemporary Indian Poetry (Bloodaxe, 2008); Language for a New Century: Contemporary Poetry from the Middle East, Asia, and Beyond (W.W. Norton, 2008). Narayanan explora diferentes maneiras de leitura, busca fundir a poesia com outras formas, experimentando com a tecnologia, o espaço físico, o movimento, a interação com o público.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Vincent Broqua

Vincent Broqua é professor titular da Universidade Paris 8 Vincennes Saint Denis. É autor de artigos sobre escritores, músicos e artistas do século XX até hoje (Samuel Beckett, Caroline Bergvall, Jen Bervin, John Cage, Stacy Doris, Alice Notley, Gertrude Stein, Rosmarie Waldrop). Traduziu ou cotraduziu poetas americanos (David Antin, Stephen Ratcliffe, Rosmarie Waldrop, Elizabeth Willis, […]

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Roger Santiváñez

Roger Santiváñez nasceu em Piura, em 1956. Cursou Artes Liberais e Ciências da Informação na Universidade de Piura. Obteve o bacharelado em Literatura pela Universidade Nacional Maior de San Marcos. Publicou os seguintes livros de poesia: Antes de la muerte (1979), Homenaje para iniciados (1984), El chico que se declaraba con la mirada (1988), Symbol (1991), Cor cordium (1995), Santa María (2002), Eucaristía (2004), Dolores Morales de Santiváñez (Selección de poesía 1975 – 2005) e Amastris (2007). E de prosa: Santísima Trinidad (1997), Historia francórum (2000) e El Corazón Zanahoria (2002).

Notas sobre arte enquanto porcaria

A arte não irá mudar. A arte não mudará a arte. A arte não mudará o mundo. O mundo precisa destruir a arte. A transformação do mundo implicará a destruição de qualquer forma de arte. A autodestruição da arte não basta.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: François Luong

Isso depende realmente daquilo que se entende por “público”. A poesia em si não tem um lugar importante na discussão pública, na França ou nos EUA. Ela tem a imagem de uma arte relativamente obscura e hermética. Também exige mais atenção do que um tweet de 140 caracteres, o que me parece ser o essencial da consumação textual de nossos dias. O público, em geral, requer uma satisfação imediata, coisa que a poesia, tradicionalmente entendida, não fornece. Quanto a isso, pode ser que poetas brasileiros tais como Décio Pignatari estejam adiante dos poetas franceses ou americanos pela maneira como eles questionam os modos de consumação contemporâneos.

A autópsia de um “poema” de Kenneth Goldsmith

Ao fazer sua performance sob a imagem de Michael Brown em sua foto de formatura, Goldsmith emitiu, durante trinta minutos, uma cantoria incessante que  apagou qualquer afeto pessoal   e ele, frise-se, não permitiu nenhuma interrupção, a não ser a pausa que ele fez para ele mesmo tomar um copo de água. No entanto, apesar de seu magistral domínio do palco e do  público, ele não foi capaz de apropriar-se de forma  inteiramente  conveniente do vernáculo médico, o que, por sinal , não surpreende: a linguagem médica é complicada e acaba por excluir os que não tiveram o privilégio de aprendê-la. Assim ele ficou jogando com as palavras e até mesmo errando ao pronunciá-las. Onde Goldsmith falhou não foi nesses “erros”, que aliás  revelavam a verdade em  uma forma que o poema não  alcançava, mas na sua falta de humildade,  em sua insensibilidade quanto ao fato de  que existia algo ou alguém mais no auditório ( a presença ausente, a ausência presente no relatório da autópsia), ao lado da “ verdade” incessante de seu poema.

Marjorie Perloff fala da função da crítica

Marjorie Perloff nasceu Gabriele Mintz, em 1931, em uma família judia em Viena. Ante o terror nazista, sua família emigrou em 1938 quando Marjorie tinha seis anos e meio; foram primeiro para Zürich e depois para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Riverdale, Nova York. Após estudar no Oberlin College de 1949 a 1952, ela se formou no Barnard College em 1953; nesse ano, casou-se com Joseph K. Perloff, cardiologista e professor de medicina na Streisand/American Heart Association e pediatra emérito na UCLA. Perloff completou sua graduação na Catholic University of America em Washington, obtendo um M.A. em 1956 e um Ph. D (com uma dissertação sobre W.B. Yeats) em 1965. Marjorie ministra cursos e escreve sobre poesia e poética dos séculos XX e XXI, ambas as artes anglo-americanas e de uma perspectiva comparatista, bem como sobre o intermedia e visuais. Ela é professora emérita de Inglês na Universidade de Stanford e Florença R. Scott, e professora emérita de Inglês na Universidade do Sul da Califórnia.

Contra os poetas

Por mais que se diga que a arte é uma espécie de chave, que a arte da poesia consiste precisamente em alcançar uma infinidade de matizes com poucos elementos, tais e parecidos argumentos não ocultam o primordial fenômeno de que com a máquina do verbo poético ocorreu o mesmo que com todas as demais máquinas, pois, em vez de servir a seu dono, se converteu em um fim em si; e, francamente, uma reação contra esse estado de coisas parece ainda mais justificada aqui do que em outros campos porque aqui estamos no terreno do humanismo par excellence.