Léonce W. Lupette

Léonce W. Lupette nasceu em Göttingen, Alemanha. Poeta, tradutor e filólogo, estudou Literatura Comparada, Filosofia e Literatura Latino-americana em Frankfurt e em Buenos Aires. Membro da stallarte e.V. (www.stallarte.de), associação de promoção da arte. Tem participado de festivais internacionais de poesia, música clássica do século XX e artes plásticas. É coeditor das revistas Alba – Lateinamerika lesen (revista bilíngue de literatura latino-americana) e karawa.net (revista virtual de poesia e artes) e dirige uma série de literatura latino-americana na Luxbooks. Publicações: Einzimmerspringbrunnenbuch, poemas e fotografias, com Tobias Amslinger (Wiesbaden: Luxbooks, 2009); artigos sobre Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño, e Inri, de Raúl Zurita, para o dicionário de literatura Kindler.

https://www.facebook.com/elhiloesrojo/posts/437574156405077

http://latinale.blogsport.eu/2013/01/11/poema-que-leyo-leonce-lupette-en-el-primer-microfono-abierto-castellano-portugues-guarani-deutsch/

LEITURA DE POESIA

Sibila: Você lê poesia?
Lupette: Sim, muito.

Sibila: Que poesia você lê?
Lupette: Todos os tipos, de preferência os bons.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?
Lupette: Isso depende da poesia e, eventualmente, das pessoas. Em princípio, sim. Bons poemas podem repercutir em mim com muita intensidade.

ESCRITA DE POESIA

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?
Lupette: Isso varia de texto para texto. Talvez espere chegar ao nível mais profundo da linguagem, de modo a poder mover-me nos seus limites.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?
Lupette: Não acho que haja um efeito melhor. Há muitos efeitos diferentes. Um efeito importante é, com certeza, a comoção, que leva à reflexão.

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?
Lupette: Em alguns leitores e ouvintes parece que sim, se é que devo acreditar nas reações. Mas muitas coisas também não percebo.

PUBLICAÇÃO DE POESIA

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?
Lupette: Isso depende do formato: textos isolados adéquam-se bem a revistas e antologias, a registros em fitas e vídeos para a internet. Porém, eu continuo a preferir o livro.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?
Lupette: Encontrar leitoras e leitores, que apreciem os textos, que realmente gostem de ler.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?
Lupette: Não acredito em leitor ideal, há tantas maneiras diferentes de ler.

DICHTUNG LESEN

Sibila: Lesen Sie Dichtung?
Lupette: Ja, viel.

Sibila: Welche Art von Dichtung lesen Sie?
Lupette: Jede Art, möglichst gute.

Sibila: Sind Sie der Meinung, dass das Lesen von Dichtung irgendeine Wirkung in den Menschen hervorruft?
Lupette: Das hängt von der Dichtung und von den jeweiligen Menschen ab. Prinzipiell ja, auf mich können gute Gedichte eine sehr starke Wirkung haben.

DICHTUNG SCHREIBEN

Sibila: Was erhoffen Sie sich, wenn Sie Dichtung schreiben?
Lupette: Das variiert von Text zu Text. Vielleicht erhoffe ich mir, an das Innerste der Sprache zu kommen, indem ich mich an ihren Grenzen bewege.

Sibila: Welches ist Ihrer Meinung nach die beste Wirkung, die das Lesen und Schreiben von Dichtung erzeugen kann?
Lupette: Ich glaube nicht, dass es eine beste Wirkung gibt. Es gibt viele verschiedene Wirkungen. Eine wichtige ist sicher die Erschütterung, die zu Reflexion führt.

Sibila: Glauben Sie, dass Ihre Dichtung beim Publikum auf Interesse stößt?
Lupette: Auf manche Leser und Hörer scheint das zuzutreffen, wenn ich den Reaktionen glauben darf. Vieles bekomme ich aber auch nicht mit.

DICHTUNG VERÖFFENTLICHEN

Sibila: Welches Medium ist Ihrer Meinung nach das beste zur Verbreitung Ihrer Dichtung?
Lupette: Das hängt vom Format ab: einzelne Texte eignen sich gut für Zeitschriften und Anthologien, Ton- und Videoaufnahmen für das Internet. Am liebsten ist mir aber noch immer das Buch.

Sibila: Welches ist Ihrer Meinung nach das beste Resultat, das Sie sich bezüglich der Veröffentlichung Ihrer Dichtung vorstellen können?
Lupette: Leserinnen und Leser zu finden, die die Texte schätzen und wirklich gerne lesen.

Sibila: Welches Profil hat der ideale Leser Ihrer Dichtung?
Lupette: Ich glaube nicht an den idealen Leser, es gibt so viele unterschiedliche Weisen zu lesen.

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Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.