Além do muro

Beyond the wall (Além do muro) traz poemas dos três mais recentes livros de Régis Bonvicino: Estado crítico (2013, Hedra), Página órfã (2007, Martins Fontes) e Remorso do cosmos (2003, Ateliê Editorial). Os poemas foram traduzidos ao longo nos últimos 15 anos para publicação em revistas e para leituras do poeta nos Estados Unidos. O livro estampa cerca de 60 poemas. Este é o segundo selected poems de Bonvicino publicado nos EUA – o primeiro, Sky-eclipse (2000), editado também pela Green Integer, dava conta de um período anterior de sua obra. Os dois principais tradutores são Charles Bernstein e Odile Cisneros.

Charles Bernstein é um dos grandes poetas e também um dos grandes críticos e teóricos de poesia dos Estados Unidos, com alcance mundial. É o principal representante do movimento poético denominado Language Poetry, que inovou a cena norte-americana nos anos 1970 e 1980. No Brasil, publicou o livro Histórias da guerra (Martins Fontes) em 2008. É professor de Inglês e Literatura comparada da University of Pennsylvania, Filadélfia.

Odile Cisneros é uma das melhores tradutoras de poesia da cena recente. É professora associada de Artes, Línguas modernas e Estudos culturais da University of Alberta, Edmonton, Canadá.

Douglas Messerli, o criador e publisher da Green Integer, que sucedeu sua também lendária editora Sun & Moon Press, aberta em 1976, é também escritor, dramaturgo e crítico de cinema, baseado em Los Angeles. Em virtude de seu trabalho seminal como editor recebeu o prêmio Ordre des Arts et des Lettres do governo francês em 2000, conferido também a personalidades como Jorge Luis Borges, Bob Dylan, Mercedes Sosa, Jeanne Moureau e à prêmio Nobel de 1991 Nadine Gordimer, entre outros.

Beyond the wall (Além do muro) está em um catálogo no qual constam autores como o sírio Adonis, o americano Paul Auster, o francês Jacques Roubaud e clássicos como Blaise Cendrars, Vicente Huidobro, James Joyce, André Breton, Paul Celan, entre outros: http://www.greeninteger.com/catalog.cfm

 

Régis Bonvicino (São Paulo, 1955) é um poeta, tradutor, crítico de literatura e editor brasileiro. O Historical Dictionary of Latin American Literature and Theater o define como um “inovador incansável”. E há críticos brasileiros o consideram um dos mais consistentes autores da cena atual – um dos poucos que se tornou uma referência brasileira no mundo.

Como poeta, publicou dois pequenos livros nos anos 1970, ainda muito jovem, em edição do autor:  Bicho Papel (1975) e Régis Hotel (1978). A partir dos anos 1980, lançou Sósia da Cópia (Max Limonad, 1983), Más Companhias (Olavobrás, 1987), 33 Poemas (Iluminuras, 1990), Outros Poemas (Iluminuras, 1993), Primeiro Tempo (Perspectiva, 1995, reunião dos livros Bicho PapelRégis Hotel e Sósia da Cópia), Ossos de Borboleta (Editora 34, 1996), Together – um poema, vozes (Ateliê Editorial, 1996), Céu-Eclipse (Editora 34, 1999), Remorso do Cosmos (de ter vindo ao sol) (Ateliê Editorial, 2003), Página Órfã (Martins Fontes, 2007) e Estado Crítico (Editora Hedra, 2013). E uma reunião, em 2010,  de sua produção: Até Agora, de Régis Bonvicino (Editora Imprensa Oficial, 564 páginas).

No exterior publicou também Sky-EclipseSelected Poems (Los Angeles, Green Integer, 2000), Lindero Nuevo Vedado (Porto, Edições Quasi, 2002), Hilo de Piedra, plaquete editada pela Sibila, Revista de Arte, Música y Literatura, n. 10 (Sevilha, out. 2002, com poemas de Céu-Eclipse e de Remorso do Cosmos), Poemas, 1999-2003 (Ciudad de Mexico, Alforja Conaculta-Fonca, 2006) e, na China, Blue Tile (Hong Kong, The Chinese University of Press, 2011), com tradução do poeta Yao Feng.

Publicou, em 2007, o livro Entre/Between, pela Global Books, Paris, do francês Gervais Jassaud, com a participação de várias artistas plásticos internacionais, entre eles Hamra Abbas, do Paquistão, Tatjana Doll, da Alemanha, e Susan Bee, dos Estados Unidos. Global Books é uma criação do artista gráfico Gervais Jassaud e já publicou poetas como Michel DeguyMichel Butor (França), Jerome RothenbergCharles Bernstein (Estados Unidos), Nanni Balestrini (Itália), Yao Feng (China) e  Nicole Brossard (Canadá), entre outros.

Régis Bonvicino é o editor de uma das principais antologias de poesia brasileira das últimas décadas: Nothing the Sun Could Not Explain (Los Angeles, Sun & Moon Press, 1997), por meio da qual fez poetas brasileiros, como Torquato Neto e Paulo Leminski, serem – pela primeira vez – traduzidos por poetas norte-americanos de peso como Robert Creeley e Michael Palmer. Nothing the Sun Could Not Explain esgotou duas tiragens seguidas.

Sobre seu trabalho de poeta escreveram, no Brasil, críticos como Alcir Pécora, Haroldo de Campos, Boris Schnaiderman, João Adolfo Hansen, Silviano Santiago, Marjorie Perloff, Julio Castañon Guimarães, entre vários outros.

Bonvicino editou as cartas que Paulo Leminski lhe enviou nos anos 1970, livro com títulos diferentes a cada edição, a última delas pela Editora 34, de 1999: Envie meu Dicionário (Cartas e Alguma Crítica), que manteve o poeta curitibano à tona, quando pouco se falava dele. A primeira edição do volume, em 1991, teve prefácio de Caetano Veloso.

Como editor, publicou revistas como Poesia em GreveMuda e Qorpo Estranho nos anos 1970, esta última com Julio Plaza – nas quais publicou Paulo Leminski, Waly Salomão, José Paulo Paes, Haroldo de Campos e Décio Pignatari, entre vários. É o criador da revista Sibila, que teve onze números impressos, de 2001 a 2007, e que, desde então, passou a ser exclusivamente eletrônica, com cerca de 300 mil visitas por ano: http://sibila.com.br.

Como tradutor, deteve-se no argentino Oliverio Girondo, no francês Jules Laforgue, nos americanos Robert Creeley e Charles Bernstein, entre muitos outros.

Como crítico, escreveu na Folha de S.Paulo, em O Estado de S. Paulo, nas revistas Veja e Istoé e no extinto Jornal do Brasil. Colabora ainda esporadicamente na Folha.

Entre suas participações em leituras de poesia, no âmbito internacional, destacam-se as atuações em Coimbra, Santiago de Compostela, Buenos Aires, Paris, Marselha, Chicago, San Francisco, Los Angeles, Hong Kong, Filadélfia, Nova York, Santiago do Chile.

Sobre seu mais recente livro, o Estado crítico, escreveu Alcir Pécora: “Desde Página Órfã, radicalizada neste Estado Crítico, não vejo poesia que faça crítica mais implacável da poesia e, ao mesmo tempo, melhor se reafirme como poesia, do que a de Régis Bonvicino. E é assim não porque esses livros falem de poesia ou teorizem sobre a crise da poesia, mas porque se movem taticamente em torno de seus impasses, implantando-se num terreno no qual os versos ocupam as vias mais hostis da metrópole”.

 

Informações:

Beyond the wall está à venda nas principais livrarias eletrônicas do mundo: https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=beyond%20the%20wall%20regis%20bonvicino

Website da Green Integer http://www.greeninteger.com/

 

Beyond the wall

Esta é uma poesia em seu mais alto nível político, é uma poesia crucial, que não vai deixar o leitor fora do gancho, mesmo depois de terminar de lê-la neste volume. Beyond the wall (Além do muro) é a primeira tradução inglesa do trabalho de Bonvicino de 2000. Bonvicino tem uma vitalidade impressionante: encarnou todas as personas do mundo literário, de poeta a tradutor, de editor e a crítico literário. Sua experiência mostra: em sua poesia, ele salta agilmente entre as imagens impressionantes da natureza e as duras realidades da industrialização em ambientes urbanos.

Há um pulso nessas palavras, uma força motriz que o empurra para pensar de modo constante sobre o que você está lendo e o porquê. Bonvicino desafia o conceito do que pensamos ser poesia. Cassidy Faust, Literary Hub