ANGELINA JOLIE, MCCAIN E OBAMA

A eleição presidencial norte-americana está indefinida. John McCain, com as mesmas políticas de George Bush, que já consumiram US$ 85 bilhões só no Iraque, pode vencê-la, reafirmando, mais uma vez, o caráter conservador e bélico e até fascista daquela nação. Há fatores imprevisíveis, como invasão da Geórgia pelos russos, que traz mensagem clara aos ex-países que integravam a União Soviética: não se aproximem do Ocidente e dos ianques. Faz sentido. O senador Barack Obama, embora queira retirar tropas do Iraque, pretende intensificar a luta no Afganistão, sob o surrado pretexto de combater o “terror”, para justamente acossar a própria Rússia rearmada de Putin e Medvedev. McCain prega a guerra incessante nos dois fronts.

A indefinição do pleito e a necessidade de Obama de mostrar-se “confiável” aos brancos reflete-se na “corte” que os dois fazem a Angelina Jolie, Embaixadora da Boa Vontade em ajuda aos refugiados de guerra da ONU. Mais do que uma atriz, Jolie é uma celebridade mundial. Dos mais de 30 filmes em que atuou, salva-se um de bom nível: “Garota Interrompida”, de 1999, pelo qual recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2000. Salva-se também sua participação, como protagonista, na série televisual “Gia, Fama e Destruição”, em 1997. Todavia, ela é atriz medíocre, bastante aquém de Penélope Cruz ou mesmo de Kate Winslet. Recentemente, McCain acusou Obama de ser apenas uma celebridade, comparando-o a Britney Spears e a Paris Hilton, no comercial mais marcante – até aqui – da campanha de 2008. Poderia tê-lo comparado a Jolie, que tem percurso típico dos yuppies, jovens adultos que ascederam com as políticas neoliberais (Estado mínimo e anti-social, mercado) de Ronald Reagan, que presidiu os EUA de 1981 a 1989, e Margaret Tatcher, primeira ministra inglesa, de 1989 a 1990, que, no entanto, preservaram, sem o socialismo-anarquista da contracultura, alguns hábitos de seus antecessores, os hippies, como o uso de drogas (não mais transgressivo), a prática de amor livre sem distinção de sexo, a adesão ao budismo e aos orientalismos etc.

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Divergência entre capitalismo e democracia

Não espanta que Jolie esteja indecisa entre Obama e McCain, embora seu comportamento, em passado próximo, apontasse na direção mais liberal de Obama, como seu longo “casamento” com a modelo nipo-americana Jenny Shimizu ou seu gosto pelas tatuagens punks. Os lábios de Jolie são a reencarnação yuppie dos de Mick Jagger dos anos 1960, ou melhor, são, na verdade, a encarnação do logotipo dos Rollings Stones, a língua vermelha, saltando de lábios carnudos, de autoria do designer John Pashe em 1971. Depressa, Jolie abandona – ao menos em público – os traços de sua rebeldia estetizante, de boutique, para assumir a condição de mãe de vários filhos adotivos (o que a revela “magnânina” aos olhos dos cidadãos médios do mundo) e biológicos de seu casamento com o “ariano” Brad Pitt.

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Jolie declarou à revista “Variety” que ainda não havia escolhido seu candidato. Num rompante pseudo-ideológico, acrescentou: “Aguardo, para avaliar, seus compromissos com a justiça internacional, com os refugiados de guerra e com as necessidades das crianças em crise do mundo todo”. Quanto à “justiça internacional”, adianto a Jolie que há um consistente movimento de juízes, na Inglaterra e na Espanha, que pretendem decretar a prisão de George Bush – assim que deixe o poder – como genocida e criminoso de guerra e levá-lo ao Tribunal Penal de Roma e à Corte de Haia.

 

Jolie defende a guerra contra o Iraque

Quanto aos outros itens – essa verdadeira nova “senhora católica”, deveria ler o Roland Barthes de 1951: “Nos EUA, a importação mais numerosa de escravos ocorreu entre 1808 e 1860; nesta data, o país contava com quatro milhões de escravos, contra 400 mil proprietários brancos: por aí se vê com bastante clareza que o racismo seguiu exatamente o desenvolvimento do capitalismo americano, e não o caminho da democracia, cujo credo, porém, já estava promulgado há muito tempo”. Quando McCain comparou Obama a Spears e a Paris Hilton (que reagiu contra ele) praticou um ato velado de racismo: um negro não pode ser um político consistente mas tão-só uma “celebridade” vazia, como os astros do basquete ou Spears ou Hilton. Há um subjacente “ponha-se no seu lugar!”. O modo como Jolie sustenta sua dúvida é igualmente racista, por não considerar a própria história de seu país e a origem e riqueza dos candidatos. Jolie defende a permanência dos EUA no Iraque para que seu país “socorra” os quatro milhões de refugiados e miseráveis gerados pela guerra. Para ela, se os EUA deixarem o Iraque, explodirá uma crise “violenta” no Oriente Médio e conclui”: “não podemos nos permitir esbanjar os progressos que já obtivemos na região”. Os blogs republicanos afirmam que Jolie apoiará McCain: é uma dedução lógica. Em junho, quando filmava “The Changeling”, ainda inédito, com o republicano declarado Clint Eastwood, afirmou para “Entrertainment Weekly”:”na verdade, não discordo de Clint tanto quanto imaginam. As pessoas pensam que sou uma Democrata, mas, sou independente” – um eufemismo para yuppie, conservadora, mãe de lindos gêmeos!

Nada espanta nos EUA. Foi John Kennedy quem autorizou o FBI a “escutar” Martin Luther King a partir de 1963. Somente em 1964 foi promulgada, graças a King, a Lei dos Direitos de Voto para os negros, que, antes dela, eram obrigados a se submeter a exames, para se saber se possuíam ou não capacidade para votar. King ganhou o Nobel da paz em 1964 e foi assassinado em 1968, pelo FBI, como asseveram muitos de seus biógrafos.

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Obama representa um possível encontro do capitalismo com valores democráticos, menos individualistas, para retomar a fórmula de Barthes, o que, alinhada com o ator Ronald Reagan, a atriz-celebridade Jolie nega – com seu imenso poder de sedução e seus lábios de “logotipo”. Os yuppies seguem no poder, perversamente. Ninguém se lembra mais de Barthes! Obama deveria abrir mão do apoio de Jolie se quiser honrar o legado de King.

 

Medalha de ouro

A China tem campos de concentração, os chamados Laogai, onde Hu Jintao encarcera e tortura seus milhares de opositores. No entanto, quero agora trazer à tona alguns dados sobre a relação do país com os animais. Ele exporta metade da pele animal consumida no mundo e, para tanto, mata 40 milhões por ano de raposas, guaxanins, coelhos, leopardos, ursos, tigres etc. Utiliza-se de métodos cruéis, para atender Armani, Versace, Mark Jacobs, Balenciaga etc. Não poupa sequer cães e gatos. E os animais domésticos são ainda usados para diversão dos chineses nos zoológicos, isto é, são atirados vivos para os tigres, como se pode assistir no vídeo abaixo.

 

 

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/08/16/
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