Caligrafia chinesa

O convite é feito pela Galeria de Exposições Temporárias do Instituto dos Assuntos Culturais e Municipais (IACM), que se associou à Galeria de Deng Sanmu do Museu Provincial de Heilogjiang. A exposição, com inauguração marcada para sexta-feira, às 18h30, conta com 76 obras de Deng, que incluem escritos caligráficos, carimbos e pintura, do período entre 1920 e 1963. A Galeria Deng Sanmu, dedicada em exclusivo à vida e obra de Deng desde a sua abertura em 1986, cedeu parte do espólio que conserva, mais de 2 mil obras de arte, doadas pela mulher do artista.

Segundo o chefe dos serviços culturais e recreativos, Choi Chi Hong, com esta exposição, “os visitantes para além de poderem apreciar as suas obras podem inspirar o seu espírito artístico”. Porque a sua paixão pela caligrafia chinesa é inspiradora, e os “seus conhecimentos em filologia permitiram-lhe dominar as mudanças dos estilos e escrever os caracteres do modo que entendia ser o mais adequado”, escreve Raymond Tam, presidente do IACM, na mensagem sobre “O Brilho de um Talento”. Apesar de nunca ter abandonado os estudos, Deng Sanmu viveu uma infância pobre, mas a persistência fê-lo continuar a reproduzir as obras-primas em adulto, firmando reputação na cena artística de Xangai, onde nasceu, ainda antes dos trinta anos, “em virtude da qualidade da excelente caligrafia e gravação dos carimbos”, refere Tam.

Por essa razão, na altura de “Poema sintônico” – um rolo vertical de Dístico em Escrita Cursiva sobre papel –, com data entre 1938 e 1956, na sua meia-idade, Deng “já articulava as características de várias caligrafias” e realizava então “12 exposições individuais nesta altura em Xangai”, refere Lu Yao, vice-presidente da Galeria de Deng Sanmu. Aos 56 anos, pintava e escrevia poemas, tal como em “Pintura de bambus a tinta-da-China” e começou também a escrever em leques, preenchendo-os de poesia e pintura, “um material em que era muito difícil pintar”, salienta Lu. Nos mesmos identificava letras a vermelho, “com significado negativo”, que veio a gravar em inúmeros sinetes, “para representar o seu sentimento contra a sociedade”, refere a vice-presidente da Galeria.

 

 

Apesar de uma doença que o levou à amputação da perna esquerda, e a uma lesão num tendão do pulso direito, Deng mantinha “um espírito indomável e insistente”, que ainda o fez produzir os sinetes “Lutar em momentos difíceis” e “Um velho homem sem relação com os outros”. Aos 65 anos, Deng Sanmu morreu, já sem forças para lutar contra um cancro que o vencia aos poucos. Mas deixou uma escola como legado – depois das aprendizagens com o mestre Zhao Guni sobre a arte da gravação em argila –, que inclui também a sua obra de poesia e prosa, rolos de caligrafia, carimbos, cadernos de cópia e publicações.

A exposição “O Brilho de um Talento” ficará na Galeria de Exposições Temporárias do IACM (Macau, China) até 15 de abril, diariamente, entre 9h e 21h.  (Rita Marques Ramos, no Macau Hoje, de 14 de março de 2012, publicado em Sibila como divulgação do e homenagem ao artista Deng Sanmu)

 

Poemas de Deng Sanmu, escolhidos por Régis Bonvicino