Leminski em “Ervilha da Fantasia”

 

Em 1985 eu era um jovem cineasta (tinha então 20 anos de idade) e frequentava os bares de Curitiba, como os extintos Trem Azul e Camarim, onde se encontravam artistas, atores, escritores, cineastas e poetas. Dentre eles, claro, o Paulo Leminski, que nessa época estava no auge da sua criatividade e popularidade. Era comum ir a um show do Caetano Veloso e ver e ouvir Caetano falar de Leminski (isso quando não o chamava ao palco). Numa dessas ocasiões, encontrei-me com o Leminski no bar Trem Azul e falei sobre a ideia de fazer um filme com ele em que pudéssemos mostrar o porquê de se fazer poesia, bem como registrar o seu pensamento sobre arte, cinema, criação artística etc. Sugeri o título: “Ervilha da Fantasia”. Ele adorou, embora nunca me perguntasse o porquê das “ervilhas”, muito menos da “fantasia”, talvez porque ele entendera que o titulo sugeria bem o espírito lúdico da poesia, em que não se precisa perguntar “por quê?” (pra que “por quê”?). Tomei emprestada uma câmera e, com a ajuda do roteirista Altenir Silva e uma pequena equipe, fui até a casa de Leminski, onde gravamos o filme. Leminski queria falar de tudo, como se no fundo soubesse que este seria o seu testamento intelectual. Quatro anos depois ele viria a falecer em Curitiba. Fico feliz que, 25 anos depois, esse pequeno filme ainda continua sendo visto. O Leminski retratado ali, verborrágico, intelectual, irônico, poético, está materializado para sempre, como se pudéssemos voltar no tempo e espiar o poeta trabalhando e “pensando em voz alta” em sua alcova no bairro de Pilarzinho em Curitiba. O que mais importava para mim ali, naquele momento, como um jovem cineasta, era registrar aquela figura mágica que eu amava sem saber muito o porquê.


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