E a corte segue hipócrita

É da condição civilizada o respeito à idade. Tanto quanto é do estatuto da crítica o respeito aos fatos. Por isso mesmo, Augusto da Campos estava em seu pleno direito ao expor argumentos para questionar, recentemente, afirmações do provecto e respeitável Ferreira Gullar acerca de certos fatos históricos relevantes, envolvendo a memória dos encontros de ambos com Oswald de Andrade. Se sua crítica foi correta ou não, é necessariamente discutível: eis a própria nat ureza da crítica. Ao mesmo tempo, ele certamente errou por misturar a crítica às afirmações de Gullar com ataques pessoais ao velho poeta carioca: “O poeta Ferreira Gullar continua guloso. E mais desmemoriado do que nunca”, “sua cabeça só funciona para engrandecer-se”, “guloso e ressentido” (Augusto de Campos, “Sobre a gula”, FSP, 30/07/2011 [reproduzido em http://rinaldofernandes.blog.uol.com.br/arch2011-07-31_2011-08-06.html#2011_08-01_08_49_53-4103212-0]). Mas se ataques pessoais não são jamais aceitáveis, o inaceitável em relação à crítica é não ser feita. Einstein dizia que a ciência, sem a filosofia da ciência, é cega. O mesmo vale para uma arte ou uma cultura privada de crítica. Dito de outro modo: a liberdade é a liberdade para criticar. Para aceitar tudo acriticamente, existe o totalitarismo. Ou o “adulacionismo”.