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Impacto

Falas dos leitores e repercussão

Caro Régis,

Da excelente entrevista concedida por Luiz Costa Lima a Régis Bonvicino e Luis Dolhnikoff, em Sibila, algumas questões me ocorrem. A certa altura o entrevistado fala em uma “estranheza não esclarecida” como um cerne aparentemente inatingível à dissipação pela informação. Questiono se essa ideia não levaria à conclusão de que só o “estranho”, o “abstrato” do processo estético é dotado de relevância para a arte (ou pelo menos entra no processo estético como elemento diferenciador, primordial, permanente). Significa dizer: a arte não serve à notícia, mas a notícia serve à arte. Ora, se somente esses elementos aparentemente intangíveis, intrigantes, constituírem a pedra de toque da poesia, o cotidiano e as vicissitudes do homem real estariam descartadas por uma “poiesis”. Essa visão choca-se com algumas consistentes estéticas como, por exemplo, Brossa e João Cabral, poetas muito próximos do fazer.

Outra questão: a abertura do processo poético a quem não detém tanta competência para seu ofício não seria um fato comum a todas as épocas? Nesse ponto, penso que se o panorama geral de uma poética contemporânea se deixa notar e pressentir apenas por sua não resistência a uma “mediocridade invasora”, talvez a questão não seja tanto de “democratismo” estético, mas de política de difusão ou de critério de escolha, pois pelos canais da banalidade passa todo e qualquer produto, até o mais refinado, e vice-versa. Mas aí não é mais uma questão estética.

Minha precaução é contra a possibilidade de a “beleza difícil”, que constitui uma rica referência para a poesia ontem, ter descambado para uma mistificação dessa dificuldade. E se é pacífico admitirmos um esforço diferenciado, incomum às outras linguagens, há que se admitir que seja possível um domínio sobre sua disciplina, quem sabe nos moldes das épocas em que se dispunha de uma cartilha, um manual de versificação, enfim, uma rotina mais ou menos consensual a respeito do “escrever bem”. Não acho interessante deixar a resolução/dissolução desse problema somente a cargo dos gênios (um parêntese: a poesia parece ser mais uma linguagem que vive órfã de uma genialidade!).

Questiono também se tem algum sentido se falar ainda em uma linha programática para a poesia, colocar a poesia contemporânea como carente de critérios claros ou mais acessíveis a seus críticos e praticantes. Se a poesia contemporânea é medíocre, pergunta-se: medíocre em relação a quê, se a poeira das rupturas vai se decantando ou em cânone ou em lixo dogmático? Que regras práticas de competência (e de crítica) é possível se adotar para uma poética do agora-agora? E, se for o caso, após a determinação clara e convincente dessas regras, é possível ainda perquirir sobre a função da poesia, se a cultura (e muito menos a poesia) não é um poder? Enfim, a poesia merece a hegemonia estética que lhe outorgamos? Não superdimensionamos sua relevância estética e histórica para hoje, infelizmente, vivermos uma nostalgia, um épico lamento?


Abraço. Cândido Rolim
 

Caro Editor,

Muito boa a entrevista de Luiz Costa Lima à Sibila.

Rachel Bertol
 

Oi Luis,

Morri de rir com seu texto sobre o Corsaletti na Sibila. Muito bom.

Giovani Iemini
 

Senhores,

Se não me engano (e como gostaria de, aqui, estar, sim, enganado), e, baseado nas repetidas análises do Sr. Luis Dolhnikoff sobre a nossa poesia contemporânea, suponho que o crítico paulista julga que não há um único poeta brasileiro vivo que "se salve". Não é bem assim.
Mas quanto a "FABRÍCIO CORSALETTI ou “Honoris causa é hors concours”, creio que se possa dizer, sem engano, que Dolhnikoff acertou em cheio, mostrando a "ineficácia" de uma poesia rala. Ou melhor: que poesia?

Álvaro Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 

Corsaletti se irrita com Sibila

Trecho de matéria sobre o novo livro de Fabrício Corsaletti, intitulado Esquimó (2010), publicado pela Companhia das Letras:


Poetinha

Entre loas, destoou uma resenha sobre King Kong e cervejas, a única que até hoje irritou Fabrício Corsaletti. Em um texto na revista Sibila, o crítico Rodrigo Gurgel insinuou que o coleguismo era a causa das boas resenhas. A Folha perguntou a Gurgel o que ele quis dizer com a insinuação. “Foi retórica. Hoje no Brasil um sujeito vira genial por vários fatores: amizades, contatos, a pessoa certa para fazer a resenha no lugar certo”, disse o crítico.

Autor de algumas das resenhas elogiosas, o professor de literatura da USP Alcides Villaça, que leu a produção de Corsaletti quando ele ainda era seu aluno e o estimulou a seguir, discorda. “Normalmente os jovens expressam de forma direta e prosaica sua experiência de vida, como uma confissão. Ele tem altitude, achou o espaço da sua experiência sem diminuí-la nem sobrevalorizá-la.”

Folha de S.Paulo, Ilustrada, 17 de fevereiro de 2010


Leia aqui a resenha sobre King Kong e cervejas (2008):
http://sibila.com.br/index.php/estado-critico/219-a-pequena-alegria-de-corsaletti



Rodrigo Gurgel esclarece

A Folha de S.Paulo, na matéria “Poetinha”, do caderno Ilustrada, cita meu nome duas vezes (a segunda, aliás, de maneira errônea).

Desejo apenas esclarecer aos meus leitores que a crítica de minha autoria à qual o jornalista se refere en passant, “A pequena alegria de Corsaletti”, publicada na Revista Sibila há alguns meses, analisa um livro em prosa do “poetinha”. Como todos sabem, não me dedico à crítica de poesia.

No mais, continuo achando os elogios aos textos em prosa do autor exagerados. E como disse ao repórter que me entrevistou:

1) tornou-se um hábito no Brasil tratar como gênios escritores que mal começaram a carreira – basta ter os amigos certos e... pimba!, temos um novo Flaubert. A média, na última década, é de um novo gênio a cada bimestre; e

2) talvez dentro de vinte, trinta anos, quem sabe um século, possamos dizer, com orgulho, que tal escritor “incorpora a lição de Manuel Bandeira”. O tempo dirá, com absoluta certeza, se estou errado ou não.



 

Alô Régis,

Parabéns pelos temas da Sibila.

Abraço. Joana Ruas