Corsaletti se irrita com Sibila
Trecho de matéria sobre o novo livro de Fabrício Corsaletti, intitulado Esquimó (2010), publicado pela Companhia das Letras:
Poetinha
Entre loas, destoou uma resenha sobre King Kong e cervejas, a única que até hoje irritou Fabrício Corsaletti. Em um texto na revista Sibila, o crítico Rodrigo Gurgel insinuou que o coleguismo era a causa das boas resenhas. A Folha perguntou a Gurgel o que ele quis dizer com a insinuação. “Foi retórica. Hoje no Brasil um sujeito vira genial por vários fatores: amizades, contatos, a pessoa certa para fazer a resenha no lugar certo”, disse o crítico.
Autor de algumas das resenhas elogiosas, o professor de literatura da USP Alcides Villaça, que leu a produção de Corsaletti quando ele ainda era seu aluno e o estimulou a seguir, discorda. “Normalmente os jovens expressam de forma direta e prosaica sua experiência de vida, como uma confissão. Ele tem altitude, achou o espaço da sua experiência sem diminuí-la nem sobrevalorizá-la.”
Folha de S.Paulo, Ilustrada, 17 de fevereiro de 2010
Leia aqui a resenha sobre King Kong e cervejas (2008):
http://sibila.com.br/index.php/estado-critico/219-a-pequena-alegria-de-corsaletti
Rodrigo Gurgel esclarece
A Folha de S.Paulo, na matéria “Poetinha”, do caderno Ilustrada, cita meu nome duas vezes (a segunda, aliás, de maneira errônea).
Desejo apenas esclarecer aos meus leitores que a crítica de minha autoria à qual o jornalista se refere en passant, “A pequena alegria de Corsaletti”, publicada na Revista Sibila há alguns meses, analisa um livro em prosa do “poetinha”. Como todos sabem, não me dedico à crítica de poesia.
No mais, continuo achando os elogios aos textos em prosa do autor exagerados. E como disse ao repórter que me entrevistou:
1) tornou-se um hábito no Brasil tratar como gênios escritores que mal começaram a carreira – basta ter os amigos certos e... pimba!, temos um novo Flaubert. A média, na última década, é de um novo gênio a cada bimestre; e
2) talvez dentro de vinte, trinta anos, quem sabe um século, possamos dizer, com orgulho, que tal escritor “incorpora a lição de Manuel Bandeira”. O tempo dirá, com absoluta certeza, se estou errado ou não.