LAMARTINE BABO

Mas ficou acabou ficando conhecido como o Rei do Carnaval, vencendo, por anos consecutivos, com suas marchinhas divertidas – cantadas até hoje, como O Teu Cabelo Não Nega, Grau 10, Linda Morena, e A Marchinha do Grande Galo. Fez também a maioria dos hinos dos grandes times brasileiros – sendo o primeiríssimo em seu coração o América.

Lalá era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou “Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso”. Numa outra, o entrevistador pergunta qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting, Lalá não vacila: “A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um… Uns desejam ir ao céu… já que atuam no éter… Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter… Os pensamentos da classe são éter… ó… gênios…” – valeu-lhe o título de O Pior Trocadilho de 1941. E aconteceu também o caso dos correios: Lalá foi enviar um telegrama. O telegrafista bateu então o lápis na mesa em morse para seu colega: “Magro, feio e de voz fina”. Lalá tirou o seu lápis e bateu: “Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista”.

Certa vez, recebeu de Boa Esperança, MG, uma carta apaixonada de uma certa Nair Pimenta de Oliveira, pedindo fortografias para um álbum de recordações. Lalá mandou as fotos e se correspondeu por um ano com a fã apaixonada, até que esta interrompeu as cartas porque ia se casar. Convidado, tempos depois, para ir à Boa Esperança por um dentista, Lalá se apressa para conhecer Nair – surpresa, não existia nenhuma Nair, quem lhe escrevia era o próprio dentista, que colecionava fotos de celebridades, e viu essa forma como a única de conseguir o queria. Lamartine, então compôs uma de suas mais belas canções “Serra da Boa Esperança”.

Não perdeu o humor nem no final da vida. Em 1963, um repórter que fora ao Copacabana para entrevistar Carlos Machado, aproveitou que Lamartine estava lá para também fazer uma entrevista. Lalá perguntou se a reportagem sairia naquele dia, e o repórter disse que não, naquele dia seria exibida uma entrevista com Tom Jobim, que chegara dos Estados Unidos. Lalá: “Ah! Quer dizer que agora estou um tom abaixo?”. Faleceu em 16 de Junho do mesmo ano, no Rio de Janeiro.

CANÇÕES

Moleque indigesto

Eta, moleque bamba
Pega a cabrocha
Pisca o olho
E cai no samba

Esse moleque
Sabe ser bom
Faz o “footing”
Lá no Leblon
Bebe, joga, fuma “Yolanda”
Toca trombone na banda

Esse moleque
É de encomenda
Já foi vaqueiro
Numa fazenda
Pega, pega, como ninguém
Aquelas vacas de cem…

Esse moleque
É bom rapaz
Tem um defeito
Come demais
Come, come, não deixa resto
Ó que moleque indigesto!

 

Canção para inglês ver

Ai loviu forguétiscleine meini itapirú
forguetifaive anda u dai xeu no bonde Silva Manuel
ai loviu tchu revi istiven via catchumbai
independence la do Paraguai estudibeiquer Jaceguai
ou ies mai gless salada de alface flay tox mail til
oh istende oiu ou ié forguet not mi
ai Jesus abacaxi uisqui of xuxu
malacacheta independancin dei
istrit flexi me estrepei
delícias de inhame reclaime de andaime
mon Paris jet’aime sorvete de creme
ou ies mai veri gudi naiti
dubli faiti isso parece uma canção do oeste
coisas horríveis lá do faroeste do Tomas Veiga com manteiga
mai sanduíche eu nunca fui Paulo Iscrish
meu nome é Laski Enen Claudi Jony Felipe Canal
laiti endepauer companhia limitada
aiu Zé Boi Iscoti avequi Boi Zebu
Lawrence Olivier com feijão tchu tchu
trem de cozinha não é trem azul

 

Eu também
(1934)

Clique para ouvir em RealAudio com Carmen Miranda e Lamartine Babo

Fui andando pela rua
Eu também, eu também
Procurando a imagem tua
Eu também, eu também
Encontrei a columbina
Encontrei a columbina
Num cordão de serpentina
Eu também, eu também

Pra tomar parte na festa
Com a filha de seu lobo também
Vamos todos passear na floresta
Enquanto seu lobo não vem
Aprovado muito bem

Fui andando pro meu ninho
Eu também, eu também
Encontrei um passarinho
Eu também, eu também
Deitadinho num divã
Lendo as ultimas notícias
Do Correio da Manhã
Eu também, eu também

 

Só dando com uma pedra nela

Mulher de setenta anos
já cheia de desenganos
que usa vinte e cinco gramas
de vestido na canela

Só dando com uma pedra nela!
Só dando com uma pedra nela!

Menina que pede esmola
com um corre de ferro imenso
Que pede pra Santo Onofre
pra levar pra São Lourenço

Netinha da cozinheira
A avó já no cemitério
Na hora das três pós de cal
em vez de cal joga pá… nela

Cantora do Instituto
que canta toda semana
Ao escrever no quadro-negro
“Artilharia” Rusticana

Jogai quadro-negro nela!
Jogai quadro-negro nela!

Não tomo de voleibol
Não tomo de basquetebol
com esse meu corpinho assim
eu só tomo é leite Bol

Só dando com uma pedra em mim!
Só dando com uma pedra em mim!

 

Esquina da sorte
Lamartine Babo e Hervê Cordovil

8.083, 50 mil-réis! 8.083!

Na esquina da sorte
onde mora o meu amor
encontrei um bilhete
enrolado numa flor

Um bilhete azulzinho
Cinco abraços, dez beijos
E depois do carinho
um milhão de desejos
Um encontro mais forte
Outro encontro depois
E a não ser nossa sorte
nada além de nós dois!

E no fim do bilhete
outro encontro marcado
Um cinema, um sorvete
Tudo bem combinado!
Umas frases amigas
e umas brigas depois
E a não ser nossas brigas
nada além de nós dois!

Zero, zero, zero, zero…
Pra que tanto zero?
Zero, zero, zero, zero…

 

Grau Dez
Lamartine Babo e Ary Barroso, 1935

Yo te quiero

A vitória há de ser tua, tua, tua
Morenininha prosa
Lá no céu a própria lua, lua, lua
Não é mais formosa
Rainha da cabeça aos pés
Morena eu te dou grau dez!

O inglês diz “yes, my baby”
O alemão diz “iá, corração”
O Francês diz “bonjour, mon amour”
Très bien! Très bien! Très bien!

O argentino ao te ver tão bonita
Toca um tango e só diz “Milonguita”
O chinês diz que diz, mas não diz
Pede bi! Pede bis! Pede bis!

Yo te quiero