Marko Matičetov: Poemas

O sol põe-se aqui, quando nasce lá.
O sol põe-se lá, quando nasce aqui.
Se o sol aqui e lá se põe,
quando lá e aqui nasce,
o sol nunca se põe nem nasce.
Somente no horizonte do teu discurso.
(Para que tenhas algo para dizer.)

*  *  *

Os dois

quando ele se dá a ela
quando ela se dá a ele
quando os dois são um no outro
quando a proximidade está próxima
quando o tempo vai de tempos a tempos
quando a proximidade está distante
quando ele se retira dela
quando ela se retira dele
quando os dois são um sem o outro

*  *  *

Existem lugares que viste e nunca mais.
Tempos que viveste e nunca mais.
Somente às vezes estão ainda dentro de ti.
Mas são, felizmente são,
se estão dentro de ti,
esses lugares e tempos às vezes ainda mais teus,
do que foram no seu tempo.

*  *  *

Sozinho com ti mesmo

Sozinho com ti mesmo não estás sozinho.
Sozinho com ti mesmo estás contigo mesmo.
Sozinho com ti mesmo são dois.
Em cada um existem dois,
pois um não esta sozinho,
quando está sozinho com si mesmo.
Que não está sozinho com si mesmo.

*  *  *

Noutra língua falas
as tuas próprias palavras.
Não como um estrangeiro falaria dentro de ti.
Em outra língua ouve-se a tua voz.
A tua língua.
Que não estás em lugar nenhum sob o céu
externo a ti mesmo.


* Traduzido de esloveno para português por Antônio José Vieira

Sobre Marko Matičetov

Nascido em 1984, é um poeta esloveno. Publicou três livros: V vsaki stvari je ženska (Em cada coisa há uma mulher), Boš videl (Você vai ver) e Lahko noč iz moje sobe, Brazilija (Boa noite do meu quarto, Brasil). Nesse ultimo livro, lançado em 2013, escreveu um ciclo dos poemas, que fala sobre o Brasil - ainda não estão traduzidos para o português.