‐‐‐‐‐‐‐ ou a caixa preta de cor laranja fluorescente florescendo no teatro carbonizado ao caos s ó

luiz1pois sim o que é o planeta senão

um corpo orbitando o espaço do tempo

um avião habitando n-osso ex-passo invento

há-vião vi-aja ven-to l-end-o n-u-v-e-n-s–t-e-m-p—l—-o-s—–

avião é o aumentativo de avi ou vob ou mpeg ou mkv ou flv ou wmv ou mov-endo o impossível quicktime-is out of joint-inteiro o tempo inteiro fora do tinteiro este sangue livro ambulante escrito pele pela mente do-o corpo é a voz visível e a voz é o corpo invisível e o es3,14159265rito é o indivisível palco inverso 1 cena 2 ato 3 ato 4 átomo diminutivo do avi~o

caixa preta do tempo

caixaapertaotempo

c-axis mundi eixo do mundoor do or undo by doing the door

caix-axis mund der mund unsere körperhöhle -o eixo da nossa boca-i cai caixão preto cárie no palco-vogal descortina-consoantes e depois mágicos o u v id(í)o(mã)s diotimas-eixos da boca-ixa preta do teatro

que

não-é

teatro-é

teat-roendo

caveira rangendo

teatró-i-caverna onde pinga o tempo

teatro-é-caverna voz-é-estalagmite em decorrência da

p

r

e

c

i

p

i

t

a

ç

ã

o

do sangue-letrizado p-elos lobos tempo-raiz lobos temporais são rochas elétricas localizadas acima dos ouvidos a olvidar las vidas y así esculpir os ou(t)ros na-a voz é estalagmite é voz estala mito é rito in-ação enquanto-o corpo é estalactite é corpó despencando do arché-teto e assim sendo assistimos à voz & m&nt& retor-sendo tão unidas que causa o &stranham&nto que te desloca o músculo do tempo e aí –o futuro é ultrapassado o passado superfatura e o presente nunca é desembrulhado– e onde já civil uma coisa dessas –neste suposto-hoje nossa voz proustituta continua vendendo tempos nomenclaturas clausuras do– faz-achismo é a ditadura do faz-assista OlhO ver-me parasita-paralisa globocular inoculando a globalizaçãO-Ocular tudotodos falando e ouvindo com a visão –mas quando sua voz enxerga ela mata O-ciclO ao atravessar o tempó-e-te-põe do avessossouçó como uma gangorra \ / \ / ou VV ou W ou World Wide War ou apenas a sigla WWW– ao invés de inverossímil é inverso míssil apontando que o teatro pré-histórico sempre estará-à frente de seu tempo habitando infinitas mortes que são orgias de linguagens linhagens de órgãos –se é para se enforcar que seja com as cordas vocais– cada poro do teatro é um gloryhole por onde a voz enxerga o-ouvir é-erro-são-ereção da caverna onde tu(do) volta a (desapare)ser que nunca foi – dentes-são nuvens no céu da boca o-osso do céu-é a lua a-lí ngua e a escuridão o único meio de transporte atenção passageiros apertem o sinto há perto sentir por pavor despertos ausentes nenhum de nós esteve presente por favor nenhum de nós testemunhou o surgimento a primeira vez e no entanto seguimos obe-descendo à luz sentindo apenas aquilo que nos limita no entanto nenhum de nós sabe de onde ela veio nem para onde nos leva nunca temos acesso ao outro lado Nem mesmo à noite temos a lua esse osso do céu impedindo a cor proibida Ora o olho é o lápis do engano O espelho é o primeiro robô humano Tudo um modorrento teatro uma ideia fixa um alien mental alimentando o bom dia-bo a t-arde boa noite na câmara escura da torre-de-ulisses sugando lisboa noite boa tarde o dia quando retornamos de uma experiência-de-quase-morte assistimos à nossa vida passar feito filminho na mente o leão esfíngico na abertura das pirâmides de gizé ou o leão dourado na abertura dos filmes da mgm ou os membros disformes das múmias em heliópolis ou os corpos desproporcionais dos atores em cinemascope escape se for só sílabas sílabas sílabas sílabas libações sílabas sílabas Num piscar de olhos nem olhos mais temos para piscar Ou seria possível estarmos vivos Seria possível uma única letra formar uma palavra ET phone home ErosThanatos O planeta está coberto de gente mas su-bi-ta-men-te a gente não importa mais Sílabas demais Uivos a mais Dizem que a imagem diz tudo e que a palavra diz mais nada Ora a imagem diz a imagem dizima-gente distrai a mente e feito zumbis pedimos sempre bis O que fazer quando não há mais o que fazer Não há que fazer quando não há mais o quê que faz ser fora do tempo fora do time fora de campo Não o ritmo ou a velocidade dos tempos mas a grande doença the great ILL-usion presente em qualquer civilização comandada o tempo todo pela crença não em um tempo mas no tempo O ocidente desorienta o oriente acidenta algumas centenas de consumidores do islamismo em volta da caaba enquanto algumas centenas de consumidores de gasolina congestionam em volta do arco do triunfo ambos no sentido anti-horário do remoto controle Carregamos uma usina nuclear enrique-sendo nossa dependência química ao gás oxigênio nos vacinando contra o ponto-de-fuga feito fantasmas na saga gagá desse nervo feito servo que sorve a sorte à morte no silên-cio do céu Qual derrame a formatar Qual enxame a povoar Qual hélice no país das maravilhas Estão jogando o jogo Jogando o jogo deles Cada um joga o jogo O jogo de não ver o jogo que jogam Um pode ver porque o outro não pode ver mas um não pode ver porque o outro não pode ver que ele vê tudo em tudo cada em todos todos em cada todos em cada um cada um em todos dentro Estão fora daquele dentro Daquele dentro onde estávamos todos Todos tratam de por dentro aquele dentro que estava fora Cada um pondo o fora dentro para estar compondo dentro do fora e ainda não há nada dentro e nunca houve nada dentro poisnãoháodentroouo fora falo e falando faço falar palavras que não morrerão no desejo de existir que é a eternidade na saliva e a mastigação do silêncio o verdadeiro massacre da serra pelada é descobrirmos que o ouro é a nossa memória e aí estamos todos unidos nus i-mundos cimentando palcos pregando vida demitindo anticorpos mendigos são o cálcio das nossas ruas veias recitando purgatórios plantando-se crack ao invés de aplaudirem os usuários dessa religião maquiada de cifrão na comestível metrópole sem pólen combustível do inseto ao espectro da urina à galáxia no vão da amnésia diária no carvão da lembrança incendiária Cavalgar cavalgar de dia de noite de dia cavalgar cavalgar desvia de dia dividia à noite cavar o lugar cavar o lugar Ter medo é a sela Termos dois olhos é dose cavalar que nos fez demolir o decolar E nessa pista falsa a história nos dá coices e fingimos riscar o disco somente no lado que toca O lado do disco voador Feito um pangaré sem vitrola seguimos nos cegando A palavra é a ferradura da alma Saber ouvir é o ver-dadeiro sabre Por favor recusem o tempo-r pavor tempo é escro-te-dão vacinas para te algemar ao próprio tempo mais óbito ululantimpossível que isso nem um esqueleto mas ser ou não seringa possível esquecer e o que seria uma caverna o quê O teATrO DE caVERna A FALAnge registrada na caixa preta de cor laranja fluorescente para facilitar seu resgate em meio aos destroços da descomunal aeronave cênica e selada com um material mais resistente que o ponto de ebulição do ferro e que o ponto que sopra o texto na boca de cena com elefantíase na memória garantindo o acesso irrestrito aos mais longínquos e ocultos arquivos a serem desmascarados no TEATRO –o primordial WIKILEAKS DA HUMANIDADE– e com um transmissor de ondas caso a queda ocorra em mar(ionet)es ou (cená)ri os-sos atores sons matérias ações cada nanopartícula sonhada pro ferida ou acidentada neste imundo pesad(el)o avião bunker-caverna-toca-caixão-caixapreta-akasha-आकाश

MEMÓR(anarqu)IA

COMBUST(invis)ÍVEL

ouça o osso

fale a falha

retiro -o que diz-

retiro -o que disse-

retiro -o que fui-

retiro -dos que foram-

re-tiro no ver-tebrado

tiro nos que são

ou çam

a ti (ro)

ou são

a ti )*(

luiz2

Sobre Luiz Päetow

(1978, São Paulo) Atuou nos espetáculos Marat/Sade de Peter Weiss, dirigido por Francisco Medeiros; Sobre o Acordo de Bertolt Brecht, por Celso Frateschi; A Cozinha de Arnold Wesker, por Iacov Hillel; e À Margem da Vida de Tennessee Williams, por Odavlas Petti. Em 1997, no Centro de Pesquisa Teatral, começou uma investigação de dramaturgia aliada à interpretação, que culminaria no projeto Prêt-à-Porter. Criou, dirigiu e atuou em cinco textos: Passageiros, Debaixo da Ponte, Cem ConcertoHoras de Castigo e Asas da Sombra. Inaugurou o Círculo de Dramaturgia, coordenando o primeiro ano do curso e dirigindo a Oficina de Dramaturgia Atoral. Trabalhou como ator e assistente de direção de Antunes Filho no espetáculo premiado com o Shell e o APCA de melhor direção de 1999: Fragmentos Troianos de Eurípides, excursionando pela Turquia e pelo Japão. Paralelamente, foi assistente de Daniela Thomas na montagemDa Gaivota de Anton Tchekhov, com Fernanda Montenegro, Fernanda Torres e Antonio Abujamra. Em 2000, assinou a encenação e a dramaturgia da ópera The Fairy Queen de Henry Purcell. Em 2003-2004, atuou na primeira montagem brasileira do derradeiro texto de Sarah Kane, 4.48 Psicose, direção Nelson de Sá. Em 2006, criou o espetáculo-solo intitulado Peças, sua tradução para o texto de Gertrude Stein com encenação de Marcio Aurelio, realizando temporadas em SP durante três anos e com passagens por diversos festivais. Em seguida, protagonizou o espetáculo Leonce e Lena, de Georg Büchner, dirigido por Gabriel Villela. No final do mesmo ano, assinou a criação, produção e atuação do Ciclo Gertrude Stein, apresentado no Sesc Pinheiros durante três noites consecutivas, composto por palestras e performances de traduções suas para diversos textos de Gertrude Stein. Em 2007, atuou no espetáculo Matamoros, de Hilda Hilst, direção Beatriz Azevedo; e assinou a direção e adaptação da obra Água Viva de Clarice Lispector, em Goiânia. A convite do diretor Rubens Rusche, protagonizou em 2008 sua encenação intitulada Calando, composta por duas peças radiofônicas de Samuel Beckett: Palavras & Música e Cascando, apresentadas dentro do 43 Festival Música Nova. Atualmente, assina a encenação e a tradução do texto Music-Hall de Jean-Luc Lagarce.