Taylor Mali: Poemas

How to Write a Political Poem
By Taylor Mali

However it begins, it’s gotta be loud
and then it’s gotta get a little bit louder.
Because this is how you write a political poem
and how you deliver it with power.

Mix current events with platitudes of empowerment.
Wrap up in rhyme or rhyme it up in rap until it sounds true.

Glare until it sinks in.

Because somewhere in Florida, votes are still being counted.
I said somewhere in Florida, votes are still being counted!

See, that’s the Hook, and you gotta’ have a Hook.
More than the look, it’s the hook that is the most important part.
The hook has to hit and the hook’s gotta fit.
Hook’s gotta hit hard in the heart.

Because somewhere in Florida, votes are still being counted.

And Dick Cheney is peeing all over himself in spasmodic delight.
Make fun of politicians, it’s easy, especially with Republicans
like Rudy Giuliani, Colin Powell, and . . . Al Gore.
Create fatuous juxtapositions of personalities and political philosophies
as if communism were the opposite of democracy,
as if we needed Darth Vader, not Ralph Nader.

Peep this: When I say “Call”,
you all say, “Response.”

Call! Response! Call! Response! Call!

Amazing Grace, how sweet the—

Stop in the middle of a song that everyone knows and loves.
This will give your poem a sense of urgency.
Because there is always a sense of urgency in a political poem.
There is no time to waste!
Corruption doesn’t have a curfew,
greed doesn’t care what color you are
and the New York City Police Department
is filled with people who wear guns on their hips
and carry metal badges pinned over their hearts.
Injustice isn’t injustice it’s just in us as we are just in ice.
That’s the only alienation of this alien nation
in which you either fight for freedom
or else you are free and dumb!

And even as I say this somewhere in Florida, votes are still being counted.

And it makes me wanna beat box!

Because I have seen the disintegration of gentrification
and can speak with great articulation
about cosmic constellations, and atomic radiation.
I’ve seen D. W. Griffith’s Birth of a Nation
but preferred 101 Dalmations.
Like a cross examination, I will give you the explanation
of why SlamNation is the ultimate manifestation
of poetic masturbation and egotistical ejaculation.

And maybe they are still counting votes somewhere in Florida,
but by the time you get to the end of the poem it won’t matter anymore.

Because all you have to do is close your eyes,
lower your voice, and end by saying:

the same line three times,
the same line three times,
the same line three times.

Como Escrever um Poema Político
Tradução Allan Vidigal

Comece como quiser, mas tem que falar alto
e depois falar mais alto ainda, um pouco.
Porque é assim que a gente escreve um poema político
e depois declama como quem desse um soco.

Misture fatos recentes com clichezões politicamente
corretos, embale tudo num rap e leve no embalo até parecer que é o certo.

Encare a galera até a ficha cair.

Porque em algum lugar de Brasília, tem alguém comprando votos.
É isso aí, em algum lugar de Brasília tem alguém comprando votos!

Viu só o Bordão? A coisa tem que ter Bordão.
Mais que culhão, é o bordão que manifesta.
É o bordão que tem pegada, o bordão e mais nada.
O bordão é um tranco, é um tapa na testa.

Porque em algum lugar de Brasília, tem alguém comprando votos.

E o Carlos Henrique Gouveia de Mello se borrando de prazer.
Tire sarro da política, alvo fácil, ainda mais os radicais,
da esquerda, da direita e… do centro, também, ora, bolas.
Embole falsos paralelos filosófico-político-pessoais
como se o comunismo fosse o contrário de democracia,
e precisássemos de Feliciano, não de Direitos Humanos.

Sente só: Quando eu disser “Claque”,
vocês respondem, “Presente.”

Claque! Presente! Claque! Presente! Claque!

Estava à toa na vida, o meu —

Pare no meio de uma música que todo o mundo conhece e adora.
Isso vai dar um toque de urgência ao poema.
Qualquer poema político tem um toque de urgência.
Corre, que o tempo é curto!
A corrupção não dorme no ponto,
a ganância não quer saber da cor da sua cara
e os quadros das forças de segurança
estão cheios de gente com armas na cintura
e brasões bordados em cima da alma.
A injustiça não é injustiça, é justo isso que a gente ajusta. Issa!
É assim a paisagem desse país de sacanagem
onde a gente ou luta por liberdade
ou, então, fica livre mais tarde!

E enquanto a gente bate papo, tem alguém comprando votos.

E eu quero mais é fazer beat box!

Porque eu vi a desintegração da gentrificação
e falo com perfeita articulação
de galáxia, constelação, bomba atômica, radiação.
Já vi o tal filme d’O Nascimento de uma Nação,
mas gostei mais daquele outro do Trapalhão.
E, como se aqui fosse a inquisição, te dou a explicação
de por que os saraus são a maior manifestação
de masturbação mental e do egocentrismo da inação.

E talvez ainda tenha alguém em Brasília comprando votos,
mas quando chega o fim do poema, isso já nem importa.

Porque basta baixar o tom da conversa,
fechar os olhos e dizer:

três vezes o mesmo verso,
três vezes o mesmo verso,
três vezes o mesmo verso.

 

 

Like Lilly Like Wilson
Por Taylor Mali

I’m writing the poem that will change the world, and it’s Lilly Wilson at my office door.
Lilly Wilson, the recovering like addict,
the worst I’ve ever seen.
So, like, bad the whole eighth grade
started calling her Like Lilly Like Wilson Like.
‘Until I declared my classroom a Like‐Free Zone,
and she could not speak for days.

But when she finally did, it was to say,
Mr. Mali, this is . . . so hard.
Now I have to think before I . . . say anything.

Imagine that, Lilly.

It’s for your own good.
Even if you don’t like . . .
it.

I’m writing the poem that will change the world,
and it’s Lilly Wilson at my office door.
Lilly is writing a research paper for me
about how homosexuals shouldn’t be allowed
to adopt children.
I’m writing the poem that will change the world,
and it’s Like Lilly Like Wilson at my office door.

She’s having trouble finding sources,
which is to say, ones that back her up.
They all argue in favor of what I thought I was against.

And it took four years of college,
three years of graduate school,
and every incidental teaching experience I have ever had
to let out only,

Well, that’s a real interesting problem, Lilly.
But what do you propose to do about it?

That’s what I want to know.

And the eighth-grade mind is a beautiful thing;
Like a new-born baby’s face, you can often see it
change before your very eyes.

I can’t believe I’m saying this, Mr. Mali,
but I think I’d like to switch sides.

And I want to tell her to do more than just believe it,
but to enjoy it!
That changing your mind is one of the best ways
of finding out whether or not you still have one.
Or even that minds are like parachutes,
that it doesn’t matter what you pack
them with so long as they open
at the right time.
O God, Lilly, I want to say
you make me feel like a teacher,
and who could ask to feel more than that?
I want to say all this but manage only,
Lilly, I am like so impressed with you!

So I finally taught somebody something,
namely, how to change her mind.
And learned in the process that if I ever change the world
it’s going to be one eighth grader at a time.

Like Lilly Like Wilson
Tradução Allan Vidigal

Estou escrevendo o poema que vai mudar o mundo e Tita Silva bate na porta.
Tita Silva, em remissão de um caso sério
de vício em tipo, assim.
Tipo, assim, tão sério que o oitavo ano inteiro
a chamava de Tipo Assim Tita Silva Tipo Assim.
Até que proibi o “tipo, assim” na sala de aula
e Tita ficou dias em silêncio.

E, quando falou, foi pra dizer,
Professor, é… complicado.
Agora… eu preciso pensar para falar.

Que coisa, né, Tita?

É para o seu bem.
Mesmo que assim não faça o seu tipo.

Estou escrevendo o poema que vai mudar o mundo
e Tita Silva bate na porta.
Tita está fazendo uma pesquisa
sobre por que a adoção por homossexuais
deveria ser proibida
Estou escrevendo o poema que vai mudar o mundo
e Tipo Tita Silva Assim bate na porta.

Ela não está conseguindo achar fontes,
quer dizer, fontes que digam o que ela quer.
Todas defendem o que eu pensava que era contra.

E valeram meus quatro anos de faculdade,
mais três de mestrado,
e todas as experiências pedagógicas que tive
para me segurar e dizer apenas,

Bom, é um problema complicado, Tita.
E agora, o que você vai fazer?

É isso que interessa.

A mente oitavanista é uma coisa das mais lindas;
às vezes a gente a vê mudar
como o rosto de um bebê recém-nascido.

Nem acredito no que estou dizendo,
mas acho que quero mudar de partido.

E eu queria dizer a Tita que, mais do que acreditar,
ela deveria curtir!
Que mudar de ideia é um dos melhores jeitos
de saber se ainda temos ideias ou não.
Ou que as ideias são como paraquedas,
que não importa de que jeito usamos,
desde que estejam abertos
na hora certa.
Nossa, Tita, queria dizer que você
me fez sentir um professor,
e quem poderia querer mais?
Queria dizer tudo isso, mas só o que saiu foi,
Tita, estou tipo, assim, super-orgulhoso de você!

E assim, finalmente, ensinei algo a alguém:
e foi como mudar de ideia.
E aprendi que, se eu quiser mudar o mundo,
vai ter que ser pela oitava série.

Sobre Taylor Mali

Nova-iorquino, é um dos poetas mais conhecidos vindos do movimento Slam Poetry. Sua vida, suas palavras e sua missão falam de inclusão. Depois de nove anos como professor em uma sala de aula comum, Mali procurou por outra maior e vem se apresentando e ensinando pelo mundo desde então. Mantendo-se como forte defensor dos educadores e da arte de ensinar, criou o projeto New Teacher, que tem por meta atrair 1.000 novas pessoas para o campo da educação através de “poesia, persuasão e perseverança”. É autor de dois livros de poemas, The Last Time As We Are (Write Bloody Books 2009) e What Learning Leaves (Hanover 2002), além de ter lançado quatro CDs de poesia falada. Ex-presidente da entidade sem fins lucrativos Poetry Slam, Inc., é um dos poucos que vive de sua atividade como artista de poesia falada e dublagem. Também narrou diversos audiolivros, entre eles The Great Fire (pelo qual recebeu o Prêmio Golden Earphones de narração infantil) (mais informaçãos: http://www.taylormali.com/).