A construção da linguagem crítica de Benedito Nunes

Resumo

Este artigo comenta, de forma breve, a prática de leitura hermenêutica de Benedito Nunes, o modo como constrói a sua linguagem e o metafórico que, eventualmente, sobressai nos seus escritos.
Palavras-chave: Benedito Nunes, Paul Ricoeur, Hermenêutica, Crítica Literária, Metáfora.

1. Introdução

O propósito deste texto é ressaltar, ainda que de modo sucinto, a prática de leitura hermenêutica empregada por Benedito Nunes. Se é notória a relação dialógica entre filosofia e literatura na sua crítica, também é possível depreender que, na construção da sua linguagem analítica, o metafórico, por vezes, se destaca.

Há de se observar que ele não tem a intenção de parafrasear a metáfora [3] literária como a tentar elucidar as imagens poéticas para algum leitor ávido de respostas prontas. Tampouco pretende explicá-la a fim de traduzir a possível “intenção” [4] do autor ou o suposto sentimento originado de tal expressão. Antes, ele “tenta reproduzir nos outros alguns dos efeitos que o original produziu sobre ele. Ao fazê-lo, o crítico também (…) chama a atenção para a beleza ou adequação, para o poder oculto da própria metáfora”. (DAVIDSON. In: SACKS, 1992, p. 51)

Ainda que, por força das fronteiras exigidas para este artigo, seja impossível maior reflexão acerca da metáfora, parece claro que se pode vislumbrar seu poder de natureza multidisciplinar, epistemológica e, principalmente, de “apreensão da realidade” [5]. Com base em tais aspectos, cabe perguntar: de que forma a crítica literária de Benedito Nunes parte da metáfora para iniciar um processo interpretativo? Qual a relevância desse aspecto?

A primeira discussão, assim, será a respeito do processo crítico de Nunes; intenta mostrar a maneira como ele entende a interpretação, a sua concepção de metáfora, próxima à de Paul Ricoeur, e como a imagem, nos seus ensaios, aparecerá junto a problemas que são impasses do e para o pensamento.

Em seguida, exemplifico como o ensaísta paraense trabalha com o metafórico, por meio da leitura de “O ‘fragmento’ da juventude”, de Mário Faustino.
É preciso esclarecer, todavia, que não tenho a pretensão de esgotar o assunto, mas de apenas enunciar o método de trabalho crítico de Benedito Nunes.

2.  A metáfora e o mundo do texto

A crítica de Nunes, ao compartilhar da criação verbal do poeta/prosador, alia sensibilidade teórica e analítica, como a concordar com Ricoeur (1990, p. 104) na concepção de que o mais importante é desvelar a referência do texto, o mundo o qual ela descortina e redescreve. Compreender um texto, portanto, é postar-se perante o mundo da obra, para entendê-lo e, por extensão, entender a si mesmo, já que “toda interpretação envolve (…) uma preliminar e antecipada autocompreensão do intérprete”.  (NUNES, 1999, p. 57)

A referência própria do texto, ou de segundo grau, conforme Ricoeur, é onde repousa o campo da metáfora, a estratégia de discurso responsável por permitir à interpretação uma dinâmica de leitura que não procura algo que está por detrás do texto, mas apropria-se das questões abertas pela potência criadora da linguagem poética.

Ao proceder a uma leitura hermenêutica, é o conceito de metáfora, discutido por Ricoeur, que Nunes corrobora nas suas abordagens. Vale lembrar que os estudos do filósofo francês a respeito desse assunto não se separam do arcabouço teórico desenvolvido no restante da sua obra. São temas [6] que, articulados, formam uma correlação necessária para a compreensão da metáfora – da metáfora viva, a bem dizer: a relação entre Fenomenologia e Hermenêutica; a amplitude da noção de experiência; o problema da dimensão temporal da experiência humana; a revisão da ideia de imaginação; a referência como ponto fundamental na sua concepção; e o texto, como modelo interpretativo.

O caráter interdisciplinar que Ricoeur promoveu, ao estreitar o diálogo entre linguística, crítica literária e filosofia da linguagem, e com as diversas teorias semânticas vigentes na sua época, desencadeou uma reflexão acerca da metáfora, principalmente aquela presente em La Métaphore Vive (1975) [7], explorada nos seguintes planos de investigação: do retórico ao semiótico; do semântico ao hermenêutico. Por fim, analisa a referência metafórica e a filosofia aí implícita.

Ricoeur apresenta não só um sentido metafórico, mas uma referência metafórica; isto é, mostra o poder do enunciado metafórico de redescrever uma realidade inacessível à descrição direta; de fazer do “ver como”, em que se resume o domínio da metáfora, o revelador de um “ser como” ontológico. A metáfora intenta dizer aquilo que é; por isso a tensão entre a verdade metafórica e a “literal”:

Le paradoxe consiste en ceci qu’il n’est pas d’autre façon de rendre justice à la notion de vérité métaphorique que d’inclure la pointe critique du « n’est pas» (littéralement) dans la véhémence ontologique du « est » (métaphoriquement). (…) C’est cette constitution tensionnelle du verbe être qui reçoit sa marque grammaticale dans « l’être-comme » de la métaphore développée en comparaison, en même temps qu’est marquée la tension entre le même et l’autre dans la copule relationnelle. (RICOEUR, 1975, p. 321 – grifo do autor)

Para Ricoeur, a interpretação literária é semelhante à da metáfora, já que concorda com Beardsley em que uma metáfora é um “poema em miniatura” (In: RICOEUR, 2000, p. 58) e a explicação de uma metáfora é um modelo de toda explicação. O que une tal explicação da metáfora à de uma obra literária é a construção do significado do texto, pois o edificamos de modo similar a como erigimos o sentido de todos os termos de um enunciado metafórico.

Entre o texto e o leitor há uma relação assimétrica: a leitura é associada à execução de uma peça musical, em que a interpretação é limitada pelas regras e notações da partitura. Tanto o texto quanto a peça musical são independentes em relação às intenções do autor. (Cf. RICOEUR, 2000, p. 87)

O projeto hermenêutico de Ricoeur tem, pois, a intenção de propor uma nova configuração à problemática hermenêutica, entendida como a “teoria das operações da compreensão em sua relação com a interpretação dos textos. A ideia diretriz será, assim, a da efetuação do discurso como texto”. (RICOEUR, 1990, p. 17)

A sua noção de texto esclarece a aporia hermenêutica da divisão diltheydiana entre explicar e compreender, porquanto postula uma complementaridade dessas duas posições, uma articulação dialética. Esta vinculação entre explicar e compreender aponta como Ricoeur ultrapassou a oposição entre verdade e ciência ou método da hermenêutica de Gadamer e efetua a mediação mútua de filosofia e ciências sem prejudicar a autonomia dos campos respectivos.

Por compreensão, Ricoeur (1986, p. 37) entende “la capacité de reprendre en soi-même le travail de structuration du texte et par explication l’opération de second degré greffée sur cette compréhension”.

Neste sentido, define a interpretação por esta mesma dialética da compreensão e da explicação no patamar do “sentido” imanente ao texto. Ao deslocar o eixo da interpretação da subjetividade para o mundo, subordina a intenção do autor ao referente do texto.

A hermenêutica, assim, edifica-se na tarefa de reconstruir o sentido, que pertence à estruturação da obra, e restituir a referência, cuja caracterização permite a esta lançar-se fora de si mesma para gerar um mundo.

Texto, ou linguagem como discurso, apresenta uma independência que modifica e intensifica a natureza intersubjetiva do diálogo: a escrita absorve a significação dos atos de linguagem, o dito ou “noema” do dizer. A intenção do autor só pode ser esclarecida por meio da interpretação, mas um texto possui sua própria autonomia em relação a ele. Com a compreensão de um texto projeta-se um mundo, ou novos aspectos do nosso ser-no-mundo. A subjetividade do leitor é igualmente operação de leitura: “se comprendre, c’est se comprendre devant le texte et recevoir de lui les conditions d’un soi autre que le moi qui vient à la lecture”. (RICOEUR, 1986, p. 36, grifo do autor)

A questão principal, dessa forma, não é perceber, sob o texto, a intenção subjetiva do seu autor, mas assinalar, diante dele, o mundo que ele descortina: “ce qui est à interpréter, dans un texte, c’est une proposition de monde, le projet d’un monde que je pourrais habiter et où je pourrais projeter mes possibles les plus propres”. (RICOEUR, 1986, p. 58)

O texto literário, ao deixar pendente a referência de primeiro grau, característica do discurso corriqueiro, emancipa uma referência de segundo grau, em que o mundo é manifestado como um panorama de nossa vida e do nosso projeto. Esta nova referência, para além da vida cotidiana, alcança o seu pleno desenvolvimento apenas nas obras de ficção e de poesia e constitui, segundo o filósofo francês, o problema hermenêutico fundamental.

Se por meio da metáfora se inicia um processo interpretativo, se ela desponta como resultante de um ato de leitura, a crítica literária pode servir-se do metafórico como ponto de partida ao penetrar no mundo do texto. Porém, caso a crítica assim proceda, cabe ainda perguntar: de que forma isso ocorre? É o que se pretende discutir quando da análise da atividade crítica de Nunes.

3. A leitura de um poema de Mário Faustino

A interpretação, como já reiterado, não procura algo que está “por trás” do texto, mas se apropria das proposições de mundo abertas pelas referências não-ostensivas do texto. Compreender, assim, é trilhar a dinâmica da obra, o movimento de seu sentido à sua referência; deixar que o texto se abra e se revele a nós. É desse modo que Ricoeur entende a “fusão de horizontes” gadameriana e se apoia na noção de Verstehen (‘compreender’) de Heidegger, compartilhada também por Nunes:

Se não podemos definir a hermenêutica pela procura de um outro e suas intenções psicológicas que se dissimulam por detrás do texto, e se não pretendemos reduzir a interpretação à desmontagem das estruturas, o que permanece para ser interpretado? Resposta: interpretar é explicar o tipo de ser-do-mundo manifestado diante do texto. (NUNES, 1999, p. 148)

A leitura hermenêutica empreendida por Benedito Nunes, portanto, busca no mundo do texto também o “ser como” metafórico, que é a abertura, a forma com que examina o modus operandi, o “como” de uma obra literária.

É a maneira como realiza tal empenho que interessa pôr em cena neste momento, a fim de ilustrar a construção da sua crítica.

Por certo, não há a preocupação de se estabelecer um roteiro de análise, como se as interpretações de Nunes seguissem fórmulas ou regras. O que se acentua é uma possibilidade de mostrar e/ou demonstrar suas leituras, ou melhor, as diferentes leituras que, no embate com as tensões do texto estudado, criam um tecido crítico em que há um equilíbrio entre a criação de uma linguagem ocasionalmente metafórica e as reflexões suscitadas pelo assunto da obra.

São análises que privilegiam um aspecto da linguagem, por exemplo, o sonoro. Para tal caso, pode-se selecionar a crítica de Benedito Nunes de “O ‘fragmento’ da juventude” (NUNES, 2001, p. 175-190), a respeito do poema de Mário Faustino. Crítica esta considerada, por Leyla Perrone-Moisés (2000, p. 313-4), uma “leitura feliz”:

Benedito Nunes, leitor de Mário Faustino, está, a meu ver, na categoria hors concours. Um fino crítico como Benedito Nunes, lendo um poema belíssimo como “Juventude”, de Mário Faustino, é algo que coloca a poesia e a crítica brasileiras no seu mais alto patamar. O crítico se desincumbe da difícil tarefa de mostrar a particularidade de um poema cujo tema não poderia ser mais geral: amor e morte, tempo e eternidade. Ao mesmo tempo que usa, discretamente, seu vasto arsenal filosófico, ele procede a uma leitura musical do poema, ressaltando sua “avassaladora sonoridade”, seu “efeito encantatório” por iteração, paronomásia e ritmo ondulatório. O poema de Mário Faustino se revela, assim, como próximo da essência da poesia lírica: “ação celebratória”, ou, no conceito de Valéry, desenvolvimento de uma exclamação em face da maravilha de haver mundo e vida.

Em um primeiro momento, após situar rapidamente o leitor acerca da escrita dos “Fragmentos” de Faustino, Nunes (2001, p. 176) deixa claro qual será o seu método de análise:

Ao neutralizar a intenção psicológica desse projeto biográfico-artístico, em proveito da intencionalidade de JUVENTUDE, aqui analisado, numa leitura de compreensão, do ângulo de uma fenomenologia do poema, em busca de seu sentido, essa composição perde a excepcionalidade conferida à série, sem perder o caráter de “fragmento”, que deve à sua forma peculiar de “pequeno poema lírico”, e religa-se, juntamente com as suas congêneres, ao conjunto da obra realizada pelo poeta, de que todas são efetivamente partes, ao lado das poesias de O homem e sua hora (1955) e dos textos experimentais (1956-1959) que as antecederam. (grifo do autor)

O crítico se pergunta, dessa forma: como buscar o sentido desse poema de grande sonoridade, com os temas frequentes da lírica de Faustino – amor e morte, tempo e eternidade – e em que as palavras “maravilha” e “vento” são diversas vezes reiteradas?

A resposta é encontrada no ritmo, nomeado de “ondulatório” (até por causa da forma do “fragmento”), no “efeito encantatório” de um ritmo “cantabile”, que procura o “dizer oblíquo” do poema. Tal “dizer oblíquo” é explicado em nota à parte:

além da escolha, do lugar e do encantamento das palavras, é, pois, sobretudo, a totalidade da configuração rítmica do dizer poético que ‘exprime’ o que se chama de sentido (Sinn) em Heidegger, Hölderlins Hymnen,’Germanie’ und ‘Der Rheine’, Gesamtausgabe, Band 39, Frankfurt am Main, Vittorio Klostermann, 1980, p. 14. (NUNES, 2001, p. 189)

Como o ritmo é “significativo, tanto do ponto de vista semântico quanto sintático” (p. 177), é por meio dele, das relações entre o “fonemático e a significação das palavras que o caracteriza”, que a análise se inicia, não sem antes lembrar o uso da noção de ritmo como “fenômeno imanente”. Novamente, aqui, há uma nota elucidativa: “na conceituação de Roman Ingarden, o ritmo é imanente quando prescrito ‘por determinado conjunto fonemático-significativo’. A obra de arte literária, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1965, p. 67”. (p. 188)

Ao estabelecer, pois, como horizonte crítico o sentido expresso pelo ritmo, Benedito Nunes faz um levantamento, até minucioso, de elementos que ajudam na construção deste, como a pontuação (uso dos travessões), as profusões de rimas internas e de aliterações, o timbre das palavras “vento” e “maravilha” como refrões, a proliferação de paronomásias e o chamado “espaço metafórico”, já que não há propriamente “metáforas tópicas” no “Fragmento”, “abundantes nos poemas anteriores de Mário Faustino”. (p. 182)

O que ele ressalta como “espaço metafórico”, como “espaço metafórico da ação celebratória”, são “versos sentenciosos” que se “sobrepõem à imagem da maré ao estado juvenil” e mostram o elemento fonemático-significativo: a imagem do mar (anagramado em “maravilha” e “amar”); imagem “obsessiva que passa das composições de O homem e sua hora às peças experimentais e aos ‘fragmentos’”. (p. 183)

Ao conceder prioridade à camada rítmico-sonora, Nunes seleciona um idioma crítico peculiar à questão musical, que se repete ao longo da investigação, como “variações melódicas”, “andamento”, “intermezzo”, “curva melódica”, “adagio”, “largo maestoso” etc.

Tal como no poema, a crítica de Nunes também abusa dos travessões e cria jogos de palavras, espécie de iteração, presença constante no “Fragmento”:

  • “Os travessões pontuam unindo o que separam e separando o que unem”. (p. 179)
  • “É recitativo por ser canto, e é canto pela configuração rítmica…” (p. 180)

No ritmo “ondulatório”, como o ritmo do mar – a imagem metafórica –, a  construção analítica também segue um curso, ora para acentuar as entoações, ora para estabelecer o símile da juventude com os “fluxos” e “refluxos” da vida e da morte:

E assim a ação celebratória, que une as duas inflexões, a exultante do elogio e a lamentosa da elegia, num só louvor à juventude e ao sentimento de viver, equivale a um sim dado à vida contraditória e efêmera. Nessa afirmação trágica está o sentido intencional do “fragmento” – o seu dizer oblíquo –, explicitado no ritmo cantante em que se articulou, aceitando e consagrando o amor fati que impregna, desde o começo, a lírica de Mário Faustino. (p. 188)

Destacam-se, ainda, as notas de rodapé (17 ao todo), que possuem exemplos de outros poemas de Faustino, ou esclarecem a questão teórica (como no caso citado de Heidegger e Ingarden). Como explicações à parte, possibilitam dar à investigação um tom mais leve, mais “ondulante”.

Em síntese, Benedito Nunes elege o “ritmo ondulatório” como a metáfora que percorre cada ponto de sua linguagem crítica, a demarcar que de uma imagem se pode vislumbrar um sentido de análise.

Sua prática de leitura, no movimento executante de um ato que concretiza a obra, procura no “preenchimento das significações das palavras, dos correlatos objetuais das frases que configuram personagens e delineiam situações no espaço e no tempo, [o] reconhecimento dos valores e da figura de um mundo imaginário”. (NUNES, 1998, p. 180)

É um exercício de crítica que fomenta questões e, mais do que respondê-las, tenta compreender o texto para, na experiência de sua leitura, compreender a si mesmo. Pode-se, dessa forma, dizer que a linguagem crítica de Nunes apresenta semelhante textura com a definição que João Alexandre Barbosa (1990) concebe da crítica como releitura: aquela em que o crítico não se pauta por tentar decifrar ou explicar o sentido do texto, mas, sim, por expor o objeto literário como uma perspectiva de um questionar do próprio homem e do seu mundo simbólico. O trabalho do crítico-leitor, então, ocorre por aproximações e possibilidades, pelo deixar-se provocar pelo que leu e pelo mergulho nas incertezas da literatura.

Da mesma forma, Nunes compartilha também da metáfora crítica criada por Barbosa (1990, p. 26): a leitura como intervalo. Isto porque, no conceito de dimensão intervalar, ressalta-se que

na literatura lê-se sempre mais do que a literatura, embora deva-se dizer bem depressa que só é mais do que literatura porque a intensidade com que se trabalham os valores da linguagem, isto é, o que é próprio da literatura, leva à problematização radical dos demais valores – filosóficos, psicológicos, sociais, históricos – veiculados pela literatura.

Para a análise do fenômeno literário, portanto, pede-se uma postura interdisciplinar. Interdisciplinaridade esta observada, por exemplo, quando da crítica de Clarice Lispector e de Guimarães Rosa, ambas amplamente conhecidas e que, por suas complexidades, fogem do limite desta reflexão.

4. Considerações Finais

Embora a exposição deste texto tenha sido breve, o objetivo essencial foi cumprido. Buscou-se mostrar como a prática de leitura hermenêutica de Benedito Nunes tem, como aspecto central, o recurso dialógico com a obra estudada, o exercício que cria e recria, a partir do texto-objeto, sua fonte metafórica de expressão.

Longe de ser uma crítica de respostas prontas, é, na verdade, uma análise que provoca questionamentos e fomenta a eterna releitura da obra estudada.


Referências Bibliográficas

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Abstract
This article introduces, in a short way, the practice of the hermeneutic reading of Benedito Nunes. His particular way of building up the language and the metaphorical style, that sometimes takes place in his writing.
Keywords: Benedito Nunes, Paul Ricoeur, Hermeneutics, Literary Criticism, Metaphor.

Notas

[1] O presente artigo é, com ligeiras modificações, uma parte da minha tese de doutorado denominada Hermenêutica e crítica: o pensamento e a obra de Benedito Nunes, defendida em novembro de 2007, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo.
[2] Doutora em Letras na área de Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP).
[3] A respeito dessa questão Cf. ECO, Umberto. Metáfora e Paráfrase. In: Os limites da interpretação. Trad. Pérola de Carvalho. São Paulo: Perspectiva, 2000, p. 129-0.
[4] Novamente, aqui, pode-se lembrar Eco. Para ele, mais importante que especular acerca da intenção do autor é ser capaz de indagar as intenções do texto. Cf. ECO, Umberto. Entre autor e texto. In: Interpretação e superinterpretação. Trad. MF. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 79-104. Paul Ricoeur (2000, p. 87) também concorda que “temos de conjecturar o sentido do texto porque a intenção do autor fica para além do nosso alcance”.
[5] “De fato, das duas uma: ou se admite a vinculação entre a formação das metáforas e o esforço humano de apreensão da realidade (não importa que seja através do uso de uma máscara), ou se vê a metáfora como elemento desligado de um sistema mais amplo, e apenas integrando um repertório de tropos esvaziado de significações relacionais”. (BARBOSA, J. A. A metáfora crítica. São Paulo: Perspectiva, 1974, p. 16)
[6] Cf. PEREIRA, Miguel Baptista. A tradução portuguesa de Metáfora Viva de Paul Ricoeur. In: RICOEUR, Paul. A metáfora viva.  Trad. Joaquim Torres Costa e António M. Magalhães. Portugal: Rés Editora Ltda., 1983, p. I- XLV.
[7] Ricoeur dedica ao tema da metáfora outros artigos; entre eles, destacam-se “O processo metafórico como cognição, imaginação e sentimento” (In: SACKS, 1992) e “Metáfora e símbolo” (In: Teoria da Interpretação, 2000).