Uma conversa sobre música brasileira

Fui ouvir um coral. 2010. Que beleza aquele contato novamente com a música erudita. As vozes sob o comando do Maestro Martinho Lutero e eu ouvindo harmonias. Como isso me faz bem fisicamente. Você pode falar do espírito, legal, mas eu afirmo, a transformação a partir de certas harmonias é física. Não é pra todo mundo, é só pra quem quer ouvir. Então “ouça” e se permita essa situação transformadora. O coro Luther King canta de tudo, inclusive música brasileira e foi aí que eu enxerguei a possibilidade no impensável. Minha matéria de estudo é o groove e músicos (com formação erudita) cantando tendem a utilizar a tradição do bel canto (ópera). Por que não pensar a questão de “traduzir” para eles a possibilidade de outra forma de cantar que não fosse o virtuosístico? A partir de um arranjo de “Garota de Ipanema” que eles cantam comecei a pensar nessa outra forma de “dizer” a letra, menos downbeat, mais sincopada, leve e íntima. Conversando com o maestro, propus a possibilidade desta outra forma e recebi o convite para mostrar para esses cantores “eruditos” uma visão mais próxima do canto “popular”. Que bom falar para italianos e brasileiros sobre aquilo de que mais gosto e que me levou para a Europa, Estados Unidos, Japão: a música do Brasil.

Mais do que falar, fui tocar com eles. (Impensável). Avançar cinco horas (o fuso) e encontrar a cultura milenar do “velho continente”. Um coral, flauta, piano e bateria. Tenho de dizer que depois dessa experiência tirei meu diploma de pianissíssimo (ppp). Foram quatro concertos na Itália (Camogli, Monterosso all Mare, Sori, Santa Marguerita e uma aula/conferência no palácio Vila Durazzo). A dinâmica é o que permite um coral conviver com uma bateria numa igreja maravilhosa do século XIV. A sensação de estar na frente do coro, ouvindo aquela massa sonora composta por vozes executando o contraponto, passagens harmônicas, acordes, e em parceria com o maestro, conduzir como um solista que prescinde do virtuosismo e toca o eterno groove da Bossa Nova com alma para a música, transformador…

Em Camogli tive o imenso prazer de tocar temas brasileiros depois da execução de Bach, Negro Spirituals (eles cantam de tudo) e a Missa Luba, que contava com a presença do grande percussionista Daniel Kollé de Duala, Cameron, África. O maestro me apresentou a ele e fomos tocar sem ensaio, usando aquilo que todos nós devemos usar: ouvidos atentos. Depois da minha primeira participação, ele olha pra trás e diz: “You’re good!” Sorrio por dentro e agradeço a aprovação de um representante do continente que ensinou para o mundo como se faz o groove. Seguem abaixo ideias sobre como pensar a música e chegar mais próximo da pulsação coletiva. Quanto a voltar cinco horas no tempo ao chegar ao Brasil, no problem, let’s go back to the future.

4 de Agosto 2012

Itália, Santa Margherita Lígure, Villa Durazzo,

Os ritmos, os cantos e a história na música do Brasil

Villa Lobos

Villa Lobos

Se eu fizesse uma pergunta simples para vocês: “Quem descobriu o Brasil?”
Alguns diriam: não sei. Se eu perguntasse: “Quem melhor apresentou o Brasil para o mundo na música?”, nem todo mundo sabe. Mas se eu tocar uma melodia, tenho certeza que vocês a reconhecerão.

“Garota de Ipanema” (só a melodia, 1ª parte).

Gostaria de falar um pouco sobre a minha trajetória. Comecei com música erudita na ECA – USP em São Paulo, mas, inquieto, fui fazer freelazz, música brasileira instrumental (Divina Increnca, Pau Brasil, Prisma) fiz um arranjo de metais e a bateria de um primeiro lugar nas paradas (“Engenho de Dentro”) do Jorge Benjor. Fui produtor de uma casa de Jazz e Blues em São Paulo (Bourbon Street) e tive o prazer de produzir shows de músicos como B.B. King e Ray Charles. Atualmente escrevo sobre ritmo para a revista Modern Drummer e há seis anos venho desenvolvendo um trabalho com educação no Conservatório Souza Lima, São Paulo.

Falar do maestro soberano, como diria o grande compositor Chico Buarque de Hollanda, é fundamental. Tom Jobim, nosso embaixador, mostrou a todos a beleza da música brasileira. Depois de Lennon e MacCartney, é o compositor mais executado do mundo e foi por isso que quis começar a nossa conversa sobre música brasileira com nosso maior representante.

Não menos importante e influenciador do maestro Jobim, no mundo erudito não há nome que se compare a Heitor Villa Lobos. Em todas as orquestrações do Tom se ouvem ecos do grande maestro Villa, que foi ouvido e protegido do grande pianista Arthur Rubinstein, que usava o tema de Villa, “Polichinelo”, como bis em seus concertos. Vamos ouvir agora uma dos temas mais conhecidos de Heitor Villa Lobos:

“Trenzinho do caipira” (ao vivo).

Villa foi o músico brasileiro que dialogou com a Europa no sentido de aproveitar toda a tradição da técnica de escrita da música do chamado “velho mundo”. A música que se fazia no Brasil (1900-1920) era calcada na tradição portuguesa somada aos cantos e toques de tambores africanos (os escravos foram fundamentais na formação de nossa cultura, de nosso ritmo). Villa, o pioneiro, queria a informação musical onde estivesse, fosse da sala de concertos, fosse dos terreiros de samba. Importantíssimo, mostrou ao mundo que a partir das diferentes manifestações culturais (Europa/África/Brasil) se pode fazer uma música original. Em 1917 apresentava suas composições e recebia críticas pelas inovações em suas obras. Antenado, ouviu o primeiro “samba” (que sofria influências do maxixe) gravado por Donga:

“Pelo telefone” (pré-gravado).

Atento, levou Pixinguinha (um de nossos maiores instrumentistas e compositores) a se encontrar com Leopold Stokowski, e organizou uma gravação com outros bambas como Cartola, João da Bahiana e Donga apresentando ao maestro norte-americano a beleza do “choro”:

“1×0 Pixinguinha” (pré-gravado).

Um pouco depois, fomos convidados pelos americanos para uma parceria. Zé Carioca (um personagem que representava o espírito do brasileiro) trocou palavras com o Pato Donald numa animação de Walt Disney, que tinha visitado o Rio e se apaixonado pela cidade. Era parte da Política de Boa Vizinhança, praticada entre 1933 e 1945 pelos Estados Unidos num esforço de aproximação com a America Latina. Para celebrar a parceria, foi usada como tema a música que se tornou um clássico e que daria para o mundo o aperitivo do que seria a “febre” da bossa nova: “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. Foi a possibilidade de estarmos sendo ouvidos pelo mundo pela primeira vez, coisa simples nos dias de hoje (Internet) e praticamente impensável para um pequeno grande país chamado Brasil. Em 1942, “Aquarela” se tornou nosso primeiro hit internacional. O ritmo usado aqui é samba meio marcha, nesse arranjo ouvimos a Orquestra Tabajara do grande maestro Severino Araujo começando no B (a melodia conhecida (A) é tocada pelo clarinete do maestro depois e a conclusão no B).

“Aquarela do Brasil” (pré-gravado).

O Rei do “Baião”

O Brasil já teve alguns reis. Como vocês amam futebol, conhecem Pelé.

Mas quero contar a história de um músico importantíssimo: o nome dele, Luis Gonzaga. Foi com sua voz e sanfona que Luis, vindo do interior da Bahia (Exu) com seu parceiro Humberto Teixeira, incendiou o Rio e depois o Brasil com sua lição, em que dizia: “eu vou contar pra vocês, como se dança o baião”. É essa faixa que vamos ouvir um pouquinho para vocês terem ideia da força do intérprete.

“Como se dança o baião” (pré-gravado).

Quero mostrar agora uma leitura mais moderna desse ritmo mesclado a outro bem vibrante chamado “xaxado”. Vou tocar e improvisar para vocês “Suíte Norte, Sul, Leste, Oeste”, de um dos maiores instrumentistas do mundo que é brasileiro, Hermeto Pascoal.

Suíte Norte, Sul, Leste, Oeste (pré-gravado + ao vivo)

Como estamos falando para os representantes do bel canto, nada melhor do que a próxima referência: Chet Baker.

Mundialmente conhecido pelo canto cool, foi responsável junto com um brasileiro (que quase ninguém conhece mas com quem tive o prazer de tocar) Roberto Silva, por inspirar uma revolução na música do Brasil.
O nome dela: Bossa Nova. O papa desse movimento?
João Gilberto e seu violão.
Junto com o talentosíssimo baterista, Milton Banana, criou aquilo que deixou o mundo um pouco mais brasileiro.

A Bossa Nova. Foi a partir dela que a voz de João, Tom, Vinicius se fez ouvir pelo mundo. Influenciou o jazz de Stan Getz, Gerry Mulligan, Miles Davis e muitos outros, iniciando o mundo para uma nova espécie de “new” cool com a indefectível batida.

“Só danço samba” (ao vivo).

O sentido mântrico do tambor

Sendo o Brasil um país riquíssimo, no que se refere a ritmos, percebemos a importância (muitas vezes sem identificá-la conscientemente) do sentido mântrico do tambor. É a partir dele, com sua pulsação constante, que conseguimos juntar uma plateia inteira num mesmo ritmo, numa mesma pulsação, num mesmo beat, numa mesma respiração. Não é por acaso que o slogan escolhido para representar o espírito da Copa de 2014 seja: “Brasil, um país de todos os ritmos”. O Nordeste do Brasil é um celeiro de possibilidades rítmicas. Vamos fazer um salto para os dias de hoje. O Maracatu, originário de Pernambuco, foi usado pelo cantor Lenine, cantor, compositor, violonista de mão cheia em um de seus temas. Ouviremos um pouco da tradição, depois o Maracatu contemporâneo e a partir do estímulo improvisaremos e em seguida tocarei um tema do meu primeiro trabalho gravado para que vocês possam ter uma ideia do sentido mântrico a que estou me referindo.

“Jacksoul brasileiro”, Lenine (ao vivo e pré-gravado).
Improviso

“A Lira e a Gira”, Azael Rodrigues (ao vivo).

Para se cantar a música brasileira

Estou escrevendo um livro. Há bastante tempo. Comecei em 2002 e falei pela primeira vez sobre essas ideias num workshop na Universidade de Miami, EUA. Dois assuntos que acho fundamentais para que se possa cantar bem a música brasileira, estão ali. O primeiro é “conceito”. Gosto de usar a expressão elemento unificador para caracterizá-lo. É ele que imprime a real personalidade na música. A partir do conceito você, por exemplo, que tem um arpejo com muitas notas para tocar, percebe ao ver um conceito, por exemplo, doucement que existe uma ideia por trás de todas essas notas. Aí todas se tornam uma, doucement. O conceito é importante para explicar um assunto controverso. Existe o pensamento comum que há swing na música popular brasileira mas não existe swing na música erudita. Não concordo com esse clichê. Existe sim swing na música erudita. Só que ele é diferente. E qual é essa diferença? A ênfase dada a um aspecto do ritmo. Na música erudita a ênfase é dada ao down beat, ou seja, aos tempos fortes. Desloquemos o eixo para as síncopas e aí você tem o swing da música popular. O maestro marca com responsabilidade e firmeza os tempos na sinfonia apontando o chão. São mais de 80 músicos e ele conduz com firmeza o beat. O compositor erudito do período clássico, sem desprezar os contratempos, privilegiou os tempos fortes . A música popular se vale da leveza da síncopa. Exemplo: Vamos todos pensar que somos jazzmen e precisamos dar a entrada para uma big band. Como é feito: estalar os dedos no dois e no quatro. Viram? Nem todo mundo consegue pois saímos da segurança do 1, a cabeça do compasso. Pois é, a música brasileira se vale muito desse recurso, sua principal voz de marcação no samba é o dois, feita pelo surdo. Dá-se na música popular o deslocamento do eixo do tempo.

Como exemplo, ouçam uma melodia que se vale da síncopa para dar ênfase a essa característica.

“Samba de verão”, Marcos Valle.

O segundo tópico importante é na verdade o conceito que dá nome ao livro: o ritmo dentro do ritmo (“the rhythm within”) é aquilo que faz você chegar mais próximo do swing (seja ele qual for, erudito ou popular). A consciência da subdivisão. É a partir daí que sua música vai ter aquela regularidade que possibilita o mântrico e nos leva a flutuar. Estudando com meus alunos o livro do professor do Conservatório de Milão, Ettore Pozzoli, peço para que eles marquem o tempo (semínima) com uma mão, a subdivisão (semicolcheias) com a outra e solfejem a 5ª série que apresenta o ponto de aumento. O aluno, ao conseguir marcar semicolcheias e semínimas, vê com satisfação que aquela subdivisão marcada dá a ideia precisa de onde vai ser colocada a semicolcheia que ocorre depois da colcheia pontuada. A diminuição de espaços (consciência da subdivisão) nos dá a referência para que possamos perceber com tranquilidade e objetividade onde deve ser colocada a nota depois do ponto de aumento.

Adicionaria ainda um terceiro aspecto que merece toda a atenção. Como se trata de música popular, é preciso esquecer toda a tradição do bel canto e entender que vai ser dito um texto menos empostado, menos grandioso, muito mais coloquial. Então a forma de cantar deve ser mais próxima da fala e aí o detalhe importante: as notas são mais curtas, é como se pensássemos sempre em um mezzo stacatto.

Uma vez entendidos os conceitos, vamos à música.

Tomemos como exemplo “Garota de Ipanema”. 2 por 4.

O primeiro trabalho a ser feito é sentir a subdivisão, os dois grupos de semicolcheias.

Cante.

Próximo passo, acentuar levemente (sutil) a terceira semicolcheia de cada grupo. Procure sentir essa divisão, primeiro regendo e depois andando. Seus pés são o tempo (1, 2), suas mãos marcam a terceira semicolcheia. Percebe-se agora o deslocamento do eixo. O ritmo subiu e está agora em suas mãos e é esse o pulso que vai lhe dar referência para o sotaque brasileiro.
“Garota de Ipanema”, Tom Jobim.

A importância do andamento

1970. Vivíamos os anos de chumbo no país. Os militares tomaram o poder e a liberdade ficou sufocada. Toda e qualquer voz contrária ao regime, dissonante em sua postura, era imediatamente calada. Os artistas não se curvaram. Nossa maior cantora, Elis Regina, usando o tema “Aquarela do Brasil”, diminuiu dramaticamente o andamento do tema e cantando as mesmas palavras conseguiu imprimir com fina ironia a tristeza de um país tão bonito que se arrastava pela falta de liberdade. “Saudades do Brasil” é de 1980. Será? Nunca conversei com a Elis (não a conheci pessoalmente) sobre isso, nem com o Cesar Camargo Mariano (com quem trabalhei no projeto Prisma). Acredito que vale a reflexão, primeiro no sentido musical (a expressividade obtida com o andamento adequado) e segundo historicamente, um tempo tão sombrio que deve ser lembrado para que o erro não se repita.
“Aquarela do Brasil”.

Quando o tambor aprende com o canto

A possibilidade que temos de aprender com o canto é enorme. Deixamos de depender do sentido técnico de tocar para simplesmente imaginar uma melodia. A partir disso você fica muito mais livre, às vezes até sem a limitação da barra de compasso. Como acredito na possibilidade de diálogo entre as culturas, vamos pegar como exemplo o grande cantor Frank Sinatra que dividia como ninguém e imprimia um swing ao que ele cantava, tornando sua interpretação de ritmo uma de suas marcas registradas. Para ilustrar isso que falo, ouviremos um sucesso de 1961 “HaveYouMetMissesJones”. Vou ritmicamente enfatizar a melodia da primeira e segunda partes, depois farei o acompanhamento bigband para finalizar melodicamente e vocês poderão perceber melhor a “mágica” de Frank.

Have you met Mrs. Jones”, Rodgers/Hart (ao vivo + pré-gravado).

O frevo

Ritmo principal do carnaval de Recife, o frevo tem andamento rápido, tocado por um naipe de metais e percussão (a caixa marcando os 4 tempos com rufo no final, uma marcha com síncopas) e é acompanhado de uma dança muito bonita e meio acrobática. Normalmente são temas instrumentais (o maior sucesso é “Vassourinhas”, que é tão bem tocado pela Spok Frevo Orquestra, é item obrigatório no repertório de qualquer conjunto de Carnaval), mas escolhi para apresentar para vocês aqui hoje um clássico escrito por Tom Jobim e Vinicius numa das primeiras e mais importantes parcerias da dupla, trilha sonora do clássico do cinema OrfeudoCarnaval.

“Frevo de Orfeu” (Tom Jobim, Vinicius) (ao vivo, participação dos coros).

Só tinha de ser com você”

Gostaria de apresentar uma pequena mostra da batida do violão do João Gilberto somado ao canto, para que pudéssemos entender melhor o diálogo que impulsionou a música brasileira. No presente exemplo, a gravação original é com Elis Regina, uma de nossas maiores cantoras, num álbum antológico que é Elis & Tom. A Bossa Nova já não era mais moderna. No caso, aqui desvencilhou-se do modismo para um caráter atemporal, qualidade dos elementos envolvidos num trabalho emblemático, gerando a possibilidade de permanência do mesmo na história da música do Brasil

“Só tinha de ser com você” (Elis & Tom).
“Só tinha de ser com você” (violão e voz).

Paul Simon e Olodum

E estava lá o Sr. Paul Simon em mais uma crise de criatividade. Ele pode, a carreira é longa. Como sempre fez, viajou para um país distante para achar fonte de inspiração. Salvador, Bahia, Brasil e ele passeia pelas estreitas ruas da cidade velha. Um som. Tambores? O que é isso? Procura se aproximar, sobe e desce, o som cresce. O eco das peles percutidas reflete nas paredes antigas das casas do Pelourinho e o americano boquiaberto vê o mar de tambores sendo tocado energeticamente. Virou faixa de cd que viajou o mundo. Um tempo depois, Michael Jackson também se encantou por eles e fez seu “batuque na favela”, internacionalizando mais um pouco a música do Olodum. A origem desse ritmo é a marcha-rancho que num andamento mais lento constrói o beat em quatro e fez muito sucesso em antigos carnavais no sucesso de Zé Ketti “Máscara Negra”, que funcionava como breve pausa entre frevos frenéticos nos bailes de fevereiro.

“Máscara Negra” – Zé Ketti.

Egberto

Junto com Hermeto Paschoal, Gismonti é pai da música instrumental do Brasil. São vitais e complementares. Costumo dizer que Hermeto é o sol (a energia que vem do sertão “difícil” do Nordeste, que briga para viver e que cria infinitamente) e Egberto é a lua (pensativa, calada, sabedora, detentora do conhecimento, inspiradora). Nesse tema temos mais um exemplo de maracatu, exemplo também do estilo do Egberto, que faz uso de notas repetidas na melodia ascendente, modal e intrigante. O arranjo aqui é para coro e trio.

“Maracatu” – Egberto Gismonti.

Para finalizar, gostaria de dizer do meu apreço enorme por essa vasta cultura que a Itália gerou para o mundo. Estudei Humberto Eco e sua ObraAberta, sou fã extremo do cinema de Fellini, falar o quê de Leonardo da Vinci? Espero que com essas poucas palavras e algumas notas tenha mostrado um pouco da música do Brasil e desejo que cada vez mais nossas culturas (Italiana e Brasileira) possam dialogar no sentido de fazermos um mundo melhor com nossa arte, futebol e bom humor.

Grazie

Meu agradecimento ao maestro Martinho Lutero, coro Luther King (Brasil), Márcia Fernandes, coro Cantosospeso (Itália), Antonio “Zambra” Zambrini, a Christiano Rocha e a Modern Drummer pela possibilidade de conversar com vocês, abraço.