En la Masmédula

NOITE TOTEM

SÃO OS TRANSFUNDOS OUTROS DA IN EXTREMIS MÉDIUM
que é a noite ao entreabrir os ossos
as mitoformas outras
aliardentes presenças semimorfas
sotopausas sóssopros
da enchagada libido possessa
que é a noite sem vendas
são as grislumbres outras depois de esmeris pálpebras videntes
os atônitos gessos do imóvel ante o refluído ferido
interrogante
que é a noite já lívida
são as vozes crivadas
os sangues suburbanos da ausência de remansos omoplatas
as acrisones dragas famintas do agora com seu limo de
nada
os idos passos outros da incorpórea ubíqua também outra
escarvando o incerto
que pode ser a morte com sua demente célibe muleta
e é a noite
e deserta

NOCHE TÓTEM

SON LOS TRASFONDOS OTROS DE LA IN EXTREMIS MÉDIUM
que es la noche al entreabrir los huesos
las mitoformas otras
aliardidas presencias semimorfas
sotopausas sosoplos
de la enllagada líbido posesa
que es la noche sin vendas
son las grislumbres otras tras esmeriles párpados videntes
los atónitos yesos de lo inmóvil ante el refluido herido
interrogante
que es la noche ya lívida
son las cribadas voces
las suburbanas sangres de la ausencia de remansos omóplatos
las agrinsomnes dragas hambrientas del ahora con su limo de
nada
los idos pasos otros de la incorpórea ubicua también otra
escarbando lo incierto
que puede ser la muerte con su demente célibe muleta
y es la noche
y deserta

* * *

CÃES MAIS QUE FINAIS

SOMBRACÃES
prégárgulas sangrias
cães pluslacrimais
entre bastardos tratos contelúricos de tão ausentes margens

Áscuacães ninfômanos apregoados
com ululado afinco
que entrefecham inhímens de póssonhos de podrelíngua amante

Cães viáveis apenas dilúcido atrás da hirta penumbra crivada
por seus arpões caudas ao vermelho interrogante
quando no gris fundo enlaça seus tão murchos hóspedes
em subpisos estrábicos

Intradérmicos cães possessivos de malcingidas células vigias
cães íncubos menos da total esfola
entre finais cães inalados rubrico
pelo Nada

CANES MÁS QUE FINALES

SOMBRACANES
pregárgolas sangrías
canes pluslagrimales
entre bastardos roces contelúricos de muy ausentes márgenes

Ascuacanes ninfómanos pregono
con ululado ahinco
que malciernen inhímenes posueños de podrelengua amante

Canes viables apenas dilucido tras la yerta penumbra acribillada
por sus arpones rabos al rojo interrogante
cuando el gris hondo enhiedra sus muy amustios huéspedes
en subpisos estrábicos

Intradérmicos canes posesivos de malceñidas células vigías
canes íncubos menos del total despellejo
entre finales canes inhalados rubrico
por la Nada

* * *

ARIDANDANTEMENTE

SIGO

me sigo
e em outro absorto outro bêbado lodo baldio
por neurohirtos rumos horas ópio desfundos
me persigo
junto a tão tantas outras belas conchas corolas eroloucas
entre fugazes mortes sem memória
e a tantos outros outros grassos zeros crestados que me opam
entretanto sigo e me sigo
e me recontrassigo
de um extremo a outro estuário
aridandantemente
sem estar já comigo nem ser um outro outro

ARIDANDANTEMENTE

SIGO
solo
me sigo
y en otro absorto otro beodo lodo baldío
por neuroyertos rumbos horas opio desfondes
me persigo
junto a tan tantas otras bellas concas corolas erolocas
entre fugaces muertes sin memoria
y a tantos otros otros grasos ceros costrudos que me opan
mientras sigo y me sigo
y me recontrasigo
de un extremo a otro estero
aridandantemente
sin estar ya conmigo ni ser un otro otro

* * *

BUSCAR

NA EROSPSIQUE PLENA DE HÓSPEDES ENTÃO
meandros de espera ausência
enlunadadas coxas de estival epicentro
tumultos extradérmicos
excoriações febre de noite que maruá
e aonda aonda aonda
ao abrirem-se as veias
com um peixelâmpago imerso na nuca do sonho
buscar
o poema

Buscar dentro dos plessorvos de ócio
desnudo
deslamento
sem raízes de amnésia
nos lunihemisférios de refluxos de coágulos de espuma de
medusas de areia os seios ou talvez em ânditos com
hálito de gambá
e a ruminante distância de santas madres vacas
fincadas
sem auréola
ante poças de lágrimas que cantam
com um peixemanto em transe sob a língua buscar
o poema

Buscar ignífero superimpuro lesado
lúcido bêbado
incerto
entre epistílios da aurora ou ressacas insones de solidão em crescente
antes que se dilate a pupila do zero
enquanto endoinefável incandesce os lábios de subvozes que
brotam do intrafundo eufônico
com um peixegrifo arco-íris na mínima praça da fronte
buscar
o poema

HAY QUE BUSCARLO

EN LA EROPSIQUIS PLENA DE HÚESPEDES ENTONCES
meandros de espera ausencia
enlunadados muslos de estival epicentro
tumultos extradérmicos
excoriaciones fiebre de noche que burmúa
y aola aola aola
al abrirse las venas
con un pezlampo inmerso en la nuca del sueño hay que
buscarlo
al poema

Hay que buscarlo dentro de los plesorbos de ocio
desnudo
desquejido
sin raíces de amnesia
en los lunihemisferios de reflujos de coágulos de espuma de
medusas de arena de los senos o tal vez en andenes con
aliento a zorrino
y a rumiante distancia de santas madres vacas
hincadas
sin aureola
ante charcos de lágrimas que cantan
con un pezvelo en trance debajo de la lengua hay que buscarlo
al poema

Hay que buscarlo ignífero superimpuro leso
lúcido beodo
inobvio
entre epitelios de alba o resacas insomnes de soledad en creciente
antes que se dilate la pupila del cero
mientras lo endoinefable encandece los labios de subvoces que
brotan del intrafondo eufónico
con un pezgrifo arco iris en la mínima plaza de la frente
hay que buscarlo
al poema

* * *

TANTO EU

COM MEU EU
e mil e um eu        e um eu
com meu eu em mim
eu mínimo
larva chama marca ávida
alga de algo
meu eu antropouco só
e meu eu tombo a tombo seixo rolado em sangue
eu abisminho
eu Dédalo
póseu de mico atávico semirrefluído no ar já lívido de
libido
eu tanto eu
paneu
eu ralo
eu voz mito
polvo eu em mudo nó de saca eu sou mais eu mais
eu eu
eu vamp
eu maramante
apenas eu já outro
poetudo tão profundo
de vozes meninas cálidas de suaves tensos hímens
eu gong
gong eu sem som
um tanto eu Santo cáries com sombra cão viandante
vidente não vidente de semiausentes eus e comigos
não médium
nada iogue
com que me irei gás grasso
sem eu nem mim ao depois
sem bis
e sem depois

TANTAN YO

CON MI YO
y mil un yo          y un yo
con mi yo en mí
yo mínimo
larva llama lacra ávida
alga de algo
mi yo antropoco solo
y mi yo tumbo a tumbo canto rodado en sangre
yo abismillo
yo dédalo
posyo del mico ancestro semirefluido en vilo ya lívido de
líbido
yo tantan yo
panyo
yo ralo
yo voz mito
pulpo yo en mudo nudo de saca y pon gozón en don más don
tras don
yo vamp
yo maramante
apenas yo ya otro
poetudo yo tan buzo
tras voces niñas cálidas de tersos tensos hímenes
yo gong
gong yo sin son
un tanto yo San caries con sombra can viandante
vidente no vidente de semiausentes yoes y coyoes
no médium
nada yogui
con que me iré gas graso
sin mí ni yo al después
sin bis
y sin después

* * *

ELA

É UMA INTENSÍSSIMA CORRENTE
um relâmpago ser de leito
uma dona mórbida onda
um refluxo zumbo de anestesia
uma rompante ente fluorescente
uma voraz contráctil prênsil corola entreaberta
e seu orvalho afrodisíaco
e sua carnalessência
natal
letal
alvéolo bêbado de viólos
é a sede dela ela e suas vertentes lentas entremortes que
estrelam e desagregam
ainda que Deus seja seu ventre
mas também é a crisálida de uma inalada larva do nada
libélula de medula
eruga lúbrica desnuda só nutrida de toques
chupochupo súcubo molusco
que gota a gota esgota boca a boca
a muito muito gozo
a tão total sufoco
a toda “shock” atrás de “shock”
a íntegra colapso
e uma formosa síncope com fosso
um “cross” de amor pantera ao plexo trópico
um “knock out” técnico venturoso
senão um composto terrestre de libido éden inferno
o sedimento aglutinante de um precipitado de lábios
o obsessivo resíduo de uma solução insolúvel
ou um mecanismo radioanímico
termo bípede fervilhante
um “robot” fêmea eletroerótico com sua emissora de delírio
e espasmos lírico-dramáticos
ainda que talvez seja miragem
um paradigma
um eromito
uma aparência da ausência
uma enteléquia inexistente
as tranças náiades de Ofélia
ou só um pedaço ultraporoso da realidade indubitável
uma despótica matéria
um paraíso feito carne
uma perdiz ao creme

ELLA

ES UNA INTENSÍSIMA CORRIENTE
un relámpago ser de lecho
una dona mórbida ola
un reflujo zumbo de anestesia
una rompiente ente florescente
una voraz contráctil prensil corola entreabierta
y su rocío afrodisíaco
y su carnalesencia
natal
letal
alveolo beodo de violo
es la sed de ella ella y sus vertientes lentas entremuertes que
estrellan y disgregan
aunque Dios sea su vientre
pero también es la crisálida de una inalada larva de la nada
una libélula de médula
una oruga lúbrica desnuda sólo nutrida de frotes
un chupochupo súcubo molusco
que gota a gota agota boca a boca
la mucho mucho gozo
la muy total sofoco
la toda “shock” tras “shock”
la íntegra colapso
es un hermoso síncope con foso
un “cross” de amor pantera al plexo trópico
un “knock out” técnico dichoso
si no un compuesto terrestre de líbido edén infierno
el sedimento aglutinante de un precipitado de labios
el obsesivo residuo de una solución insoluble
un mecanismo radioanímico
un terno bípedo bullente
un “robot” hembra electroerótico con su emisora de delirio
y espasmos lírico-dramáticos
aunque tal vez sea un espejismo
un paradigma
un eromito
una apariencia de la ausencia
una entelequia inexistente
las trenzas náyades de Ofelia
o sólo un trozo ultraporoso de realidad indubitable
una despótica materia
el paraíso hecho carne
una perdiz a la crema

* * *

BAÍA ANÍMICA

ABRA CASA
de gris lava cefálica
e confluências de cúmulos memória e luzlatido cósmico
casa de asas da noite que rompe de enluarados espamos
e hipertensos tantãs de nãopresença
casa cabala
cala
abracadabra
médium lívida em transe sob o gesso de seus quartos de
hóspedes defuntos travestidos de sopro
metapsíquica multigrávida casa de neovozes e ubíquos
ecossecos de circuitos afogados
chave demonodea que conhece a morte e seus compassos
seus tambores afásicos de gaze
suas comportas finais
e seu asfalto

RADA ANÍMICA

ABRA CASA
de gris lava cefálica
y confluencias de cúmulos recuerdos y luzlatido cósmico
casa de alas de noche de rompiente de enlunados espasmos
e hipertensos tantanes de impresencia
casa cábala
cala
abracadabra
médium lívida en trance bajo el yeso de sus cuartos de
huéspedes difuntos trasvestidos de soplo
metapsíquica casa multigrávida de neovoces y ubicuos
ecosecos de circuitos ahogados
clave demonodea que conoce la muerte y sus compases
sus tambores afásicos de gasa
sus finales compuertas
y su asfalto

Traduções: Régis Bonvicino 1993

* Traduções extraídas do livro “A Pupila do zero – En La Masmédula”, Ed. Iluminuras : São Paulo, 1995