Poesie disperse e inedite

ODORE DI PACE

Sull’ariosa campagna
che Il sole cocente amore
tutto Il giorno con foga
coperse, ora che sera
cala resta un odore
di pace, come se alfine
sazia dei più impetuosi
moti, la terra Il fine
ultimo segnasse ai nostri
sospirati riposi.

ODOR DE PAZ

Na airosa campanha
que o sol ardente amor
o dia inteiro impetuoso
cobriu, ora que a tarde
cai resta um odor
de paz, como se enfim
farta de mais fogosos
motos, a terra o fim
último traçasse aos nossos
suspirados repousos.

(In: CAPRONI, Giorgio. L’ Opera in Versi. Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 1998, p. 934.)

 
Lasciate senza nome, senza
data, la pietra bianca
che un giorno mi coprirà.
Col sole, prenderà
(forse) il colore
delle mie ossa – sara,
nella sua cornice nera,
la mia faccia, vera.

Deixai sem nome, sem
data, a pedra branca
que um dia cobrir-me-á.
Com sol, tomará
(talvez) a cor
de meus ossos – será,
em sua moldura negra,
minha face, verdadeira.

(Idem, ibidem, p. 970.)

 
Che leggerezza di vele sul mare
bianco nella mia mente, come il lino
che nell’infazia fu steso a asciugare
sul fildiruggine!

Que leveza de velas sobre o mar
branco de minha mente, como o linho
que na infância foi posto a secar
no arame enferrujado!

(Idem, ibidem, p. 972.)

 
… Ma tu sei una mattina bianca ed alta
dove perfino l’ombra va in salita
e esalta: sei la voce più pulita
e viva ch’io conosca, e sei la barca
umana che celeste è colorita
di gerani rossissimi – di vita!…

… Mas tu és uma manhã alta e branca
onde até mesmo a sombra vai em subida
e exalta; és a voz mais polida
e viva que eu conheça, e és a barca
humana  que  celeste é colorida
de gerânios carmim – de vida!…

(Idem, ibidem, p. 973.)

 

GIUGNO

Nera terra senza cielo
zolle inzuppe d’acquazzone.

Rullano tamburi funebri
su cupe nubi già estive.

Acida fragranza d’aglio
dalle gigliacee mézze.

JUNHO

Na terra sem céu
torrões ensopados de chuva.

Retumbam tambores fúnebres
em nuvens baças já estivas.

Ácida fragrância d’ alhos
em liliáceas médias.

(Idem, ibidem, p. 977.)

 

L’ALFA

Sarà stata oggetto,
certo, di discussioni
a non finire, in famiglia.
Ma ora, d’un bel vainiglia
fiammante, è lá, l’Alfa, la Super
mille e tre: l’agognata
meta d’un’intera vita,
finalmente appagata.

ALFA

Terá sido objeto,
Certamente, de infindáveis
Discussões em família.
Agora, porém, cor de baunilha
Em folha, lá está o Alfa, o Super
um ponto três: a cobiçada
meta de uma inteira vida
finalmente saciada.

(Idem, ibidem, p. 904.)

 

ANCHEGGIANDO

Non mi è amico, il Diavolo
Non si cura di me.
Al diavolo allora, anche il Diavolo,
se anche il male,io, me lo devo fare da me.

MENEANDO

Não é meu amigo, o Diabo.
Não liga para mim.
Ao diabo, então, também o Diabo,
Se até mesmo o mal tenho que mo fazer sozinho.

(Idem, ibidem, p. 920.)

 

INTERCALARE

“Maledetto il serpente!”
Era um tuo intercalare, babbo.
io ridevo. Ma allora
io mica capivo niente.

INTERCALAR

“Maldita serpente!”
Era um teu dito, pai.
Eu ria. Mas eu nada
entendia, naquele tempo.

(Idem, ibidem, p. 919.)

 

ANCH’IO

Uno dei tanti, anch’io.
Un albero fulminado
dalla fuga di Dio.

EU TAMBÉM

Um dos tantos, eu.
Uma árvore fulminada
pela fuga de Deus.

(Idem, ibidem, p. 918.)

 

INVOCAZIONE

Mio Dio, anche se non esisti,
perchè non ci assisti?

INVOCAÇÃO

Meu Deus, mesmo se não existes
por que não nos assistes?

(Idem, ibidem, p. 916.)

 

LA STESSA
IN TERMINI PIÚ PROLISSI
DI GIACULATORIA

Signore, anche se non ci sei,
egualmente proteggi
e assisti me e i miei.

A MESMA
EM TERMOS MAIS PROLIXOS
DE JACULATÓRIA

Senhor, mesmo se não existes,
protege igualmente
a mim e aos meus entes.

(Idem, ibidem, p. 917.)

 

SENZA TITOLO

Pensiero triste:
la Storia non esiste?…

SEM TÍTULO

Pensamento triste:
a História não existe?…

(Idem, ibidem, p. 915.)

 

DISINGANNO

Credeva d’aver colpito
– finalmente – nel segno.
Illusione. L’ambito
bersaglio era di legno.

Varianti alternative
3. Puro abbaglio! L’ambito

DESENGANO

Pensava ter atingido
– finalmente – o ponto de mira.
Ilusão. O tão pretendido
alvo era de mentira.

Variantes alternativas

3. Puro engano! O tão pretendido

(Idem, ibidem, p. 914.)

 

RUSPANTE

S’era spaccate le unghie
a raspare fra i sassi
in un terreno qualunque.

Niente amore. Soltanto
nidi di vipere. Vuoti.

( Neppure odio, dunque?)

CISCANTE

Quebrara as unhas
De tanto ciscar nas pedras
De um terreno qualquer.

Amor, nenhum. Apenas
Ninhos de víboras. Vazios.

(Nem sequer ódio, então?)

(Idem, ibidem, p. 913.)

 

FINESSE

Ogni verità
é nel suo contrario.
Questo
e nient’altro,sa
la mia sordità…

Varianti alternative
4. La mia ottusità…

FINESSE

Cada verdade
Está em seu contrário.
Isso,
E mais nada, sabe
Minha surdez…

Variantes alternativas
4. Meu caráter obtuso…

(Idem, ibidem, p. 912.)

 

A RINA II

Se Il mondo prende colore
E vita, lo devo a te, amore…

A RINA II

Se o mundo adquire cor
E vida, devo-o a ti, amor…

(Idem, ibidem, p. 911.)

 

A RINA I

Niente più volontà
e rappresentazione, senza
la tua (anche occulta) presenza.

A RINA I

Nada mais vontade
e representação, sem
a tua (mesmo que oculta) presença.

(Idem, ibidem, p. 910.)

 

ALL’OMBRA DI TORQUATO

… Lascia che dolcemente
posi  la mia stanca guancia
sul tuo albeggiante ventre…

À SOMBRA DE TORQUATO

…Deixa que docemente
Pouse minha face gasta
Em teu alvorescente ventre…

(Idem, ibidem, p. 909.)

 

NELL’AULA

La legge è ugale per tutti.
(Farabutti)

NA AULA

A lei é uma só.
(Seus bocós)

(Idem, ibidem, p. 908.)

 

DOMANDA E RISPOSTA

– C’è più libertà
in carcere o in città?

– Non ce n’ è, libertà.
É carcere l’intera città.

PERGUNTA E RESPOSTA

– Há mais liberdade
No cárcere ou na cidade?

– Não há, liberdade.
É cárcere a inteira cidade.

(Idem, ibidem, p. 905).