SANTORO

4 Peças e pequena toccata – Peça 1
4 Peças e pequena toccata – Peça 2
4 Peças e pequena toccata – Peça 3
4 Peças e pequena toccata – Peça 4
4 Peças e pequena toccata – Pequena toccata

6 Peças – I
6 Peças – II
6 Peças – III
6 Peças – IV
6 Peças – V
6 Peças – VI

Balada

Três Preludios – No. 26 Lento
Três Preludios – No. 27 Andante
Três Preludios – No. 28 Moderato

 

Cláudio Santoro e a música de vanguarda no Brasil

Grande parte da obra de Claudio Santoro, para alguns o maior compositor brasileiro de sua geração, permanece inédita. Santoro nasceu em Manaus em 1919 e faleceu em 1989 em Brasília, deixando cerca de quatrocentas composições acabadas, entre as quais quatorze sinfonias, duas óperas, oratórios, cantatas, peças sinfônicas, corais e de câmara, incluindo sete quartetos de cordas, sonatas para violino, violoncelo, viola, piano, oboé, flauta e trompete, além de duos, trios, quartetos e quintetos para instrumentos de sopro. Compôs ainda canções, uma missa, dez balés, e concertos para violino, piano e violoncelo. O catálogo geral da obra santoriana, preparado por Jeannette Herzog Alimonda, aguarda publicação.

Já a partir do Modernismo se discutiam as direções que deveria tomar a música erudita no país. Em meados da década de 1950, ou seja, quando Villa-Lobos já tinha escrito a maior parte de sua obra genial,  uma vivíssima polêmica enfrentou Claudio Santoro – destacado discípulo de Joachim Koellreutter, divulgador do dodecafonismo no Brasil – a Camargo Guarnieri, representante combativo da corrente nacionalista. Havia questões políticas imanentes, embora não totalmente explícitas. O grande paladino da Segunda Escola de Viena, Theodor Adorno, considerava a linguagem musical fundada por Schoenberg, Webern e Berg uma vigorosa crítica à sociedade burguesa, com a dissonância por fim emancipada a servir como signo expressivo do sofrimento humano. Por outro lado, críticos de esquerda no Brasil e no exterior condenavam o elitismo da música atonal, e profetizavam o crescente desinteresse do público por essa corrente. Numa de suas raras escolhas infelizes, Mário de Andrade  era partidário de uma criação musical brasileira unicamente baseada no folclore nativo.

Tendo estreado muito jovem no campo da música nova, Santoro viria mais tarde a escrever segundo os princípios da escola nacionalista, sem no entanto abdicar definitivamente da linguagem de vanguarda. Teria sido levado a isso por injunções partidárias e também a conselho de Nadia Boulanger, com quem estudou em Paris. Para alguns críticos, porém, a parte não-nacionalista de sua obra é considerada a mais original.  Durante os oito anos em que lecionou na Escola Superior de Mannheim-Heidelberg, na Alemanha, Santoro usou também os meios da música eletro-acústica.

A seleção que apresentamos, gravada em dois CDs do selo Biscoitofino (O piano de Cláudio Santoro I e II), corresponde a peças escritas entre os anos de 1942 e 1984 no estilo atonal livre.

 

Gilda Oswaldo Cruz